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Ciência

Cientistas transformam suor em eletricidade e criam tecnologia capaz de alimentar sensores sem baterias

Pesquisadores desenvolveram uma biobateria que transforma o suor humano em eletricidade. A tecnologia pode alimentar sensores de saúde, equipamentos esportivos e dispositivos inteligentes sem recargas constantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine uma camiseta capaz de gerar eletricidade enquanto você pratica exercícios físicos. Essa possibilidade está mais próxima da realidade graças a pesquisadores espanhóis que desenvolveram uma biobateria alimentada pelo suor humano. A tecnologia utiliza reações químicas naturais para produzir energia e manter pequenos sensores funcionando. Testada em condições reais com ciclistas, a inovação promete reduzir a dependência de baterias convencionais e transformar o monitoramento da saúde.

Como o suor humano pode produzir eletricidade?

O segredo está em uma substância chamada lactato, presente no suor e produzida pelo organismo durante o metabolismo energético.

Pesquisadores do Instituto Tecnológico da Energia (ITE), localizado em Valência, na Espanha, desenvolveram uma biobateria que aproveita essa molécula para gerar pequenas correntes elétricas.

Diferentemente das baterias convencionais, que dependem de materiais químicos armazenados internamente, as chamadas biopilhas enzimáticas utilizam enzimas para promover reações envolvendo compostos encontrados em fluidos biológicos.

Durante essas reações, elétrons são liberados e podem circular por um circuito, produzindo eletricidade.

Segundo a pesquisadora Laura García Carmona, responsável pela área de Biopilhas e Biossensores do ITE, o objetivo é aproveitar uma fonte de energia produzida naturalmente pelo corpo.

Em entrevista ao portal espanhol Applicantes, a cientista explicou que os testes realizados com ciclistas apresentaram resultados superiores aos obtidos anteriormente em laboratório.

A proposta não é gerar eletricidade suficiente para carregar um celular, mas alimentar dispositivos eletrônicos pequenos, especialmente aqueles utilizados para acompanhar parâmetros fisiológicos.

Nova biobateria pode funcionar durante até seis horas

Os resultados mais recentes mostram que a tecnologia está avançando para aplicações práticas.

O protótipo desenvolvido pelo ITE produz uma tensão de aproximadamente 170 milivolts, equivalente a pouco mais de um décimo da tensão nominal de uma pilha alcalina comum.

Embora pareça uma quantidade pequena, ela pode ser aproveitada por circuitos eletrônicos de consumo extremamente baixo.

Os pesquisadores estimam que a combinação de várias biopilhas, sistemas de armazenamento e componentes eficientes poderá manter sensores funcionando durante quatro a seis horas de atividade física.

A tecnologia está sendo aperfeiçoada no projeto Self-Sens, desenvolvido em parceria com o centro tecnológico têxtil AITEX.

A iniciativa integra biobaterias em tecidos flexíveis capazes de acompanhar informações relacionadas à atividade cardíaca e muscular.

Em 2024, o Instituto Tecnológico da Energia já havia apresentado uma camiseta esportiva com componentes capazes de aproveitar o suor para alimentar dispositivos eletrônicos.

A novidade está na tentativa de transformar esses experimentos em sistemas completos de monitoramento, combinando geração de energia, sensores e componentes eletrônicos.

Roupas inteligentes podem monitorar a saúde sem recargas

Cientistas transformam suor em eletricidade e criam tecnologia capaz de alimentar sensores sem baterias
© Pexels

Uma das aplicações mais promissoras envolve dispositivos vestíveis, conhecidos como wearables.

Atualmente, relógios inteligentes, pulseiras esportivas e sensores médicos dependem de baterias que precisam ser recarregadas ou substituídas periodicamente.

As biobaterias poderiam reduzir essa necessidade, especialmente em equipamentos utilizados durante atividades físicas.

Uma revisão científica publicada na revista Advanced Science destaca que sistemas capazes de coletar energia do próprio corpo podem contribuir para sensores mais leves, flexíveis e adequados ao monitoramento contínuo.

Entre as aplicações possíveis estão o acompanhamento da fadiga muscular, da atividade física e de determinados biomarcadores presentes no suor.

A vantagem é que o mesmo fluido corporal pode fornecer informações fisiológicas e funcionar como combustível para o dispositivo.

Isso poderia facilitar o desenvolvimento de roupas inteligentes menos dependentes de componentes rígidos e volumosos.

Tecnologia também pode ajudar em situações de emergência

O potencial das biobaterias vai além do esporte.

Os pesquisadores investigam sistemas capazes de monitorar profissionais expostos a ambientes perigosos, incluindo situações de risco nuclear, radiológico, biológico ou químico.

Nesses cenários, sensores poderiam acompanhar substâncias como lactato e cortisol, fornecendo informações relacionadas ao esforço físico e às respostas fisiológicas ao estresse.

A energia produzida pelo próprio usuário ajudaria a manter os equipamentos funcionando em locais onde a recarga de baterias é difícil.

Outra possibilidade envolve sistemas de alerta de emergência de baixo consumo.

Pesquisas semelhantes também exploram o uso de fluidos biológicos para alimentar sensores agrícolas e ambientais.

Um estudo publicado em outubro de 2026 no periódico Journal of Power Sources apresentou uma célula de combustível microbiana flexível, adesiva e autorreparável, ativada pelo suor, demonstrando outras possibilidades para essa área de pesquisa.

Quando as biobaterias poderão chegar ao mercado?

Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos importantes.

A quantidade e a composição do suor variam entre indivíduos, temperaturas e níveis de atividade física. Isso dificulta a produção constante de energia.

Outro desafio é a durabilidade das enzimas, que podem perder eficiência com o tempo.

Os pesquisadores também precisam melhorar a resistência dos materiais à lavagem, ao movimento e às condições ambientais.

Por isso, o desenvolvimento comercial dependerá de sistemas mais robustos, baratos e fáceis de fabricar.

A inovação mostra que o corpo humano pode se tornar uma fonte complementar de energia para a eletrônica. Embora ainda não substitua as baterias tradicionais, o suor poderá ajudar a alimentar uma nova geração de sensores inteligentes, discretos e mais autônomos.

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