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Cientistas criam o primeiro mapa global de terremotos do manto terrestre — e ele revela que a Terra é muito mais ativa do que imaginávamos

Um novo estudo liderado por pesquisadores de Stanford conseguiu algo inédito: mapear terremotos que ocorrem abaixo da crosta terrestre. O resultado muda a forma como entendemos a dinâmica do planeta e abre novas pistas sobre o que acontece nas profundezas da Terra.

Terremotos sempre foram associados à crosta terrestre, onde placas tectônicas se movem e liberam energia. Mas essa visão está mudando. Um grupo de cientistas da Stanford University acaba de desenvolver o primeiro mapa global de terremotos que ocorrem no manto — uma camada muito mais profunda do planeta. A descoberta amplia o entendimento sobre a estrutura interna da Terra e sugere que a atividade sísmica é mais complexa do que se pensava.

Durante décadas, acreditava-se que os terremotos aconteciam principalmente na crosta, causados pela liberação de tensões em falhas geológicas. No entanto, novas evidências mostram que esses eventos também ocorrem no manto, a camada logo abaixo da crosta.

Essa região apresenta condições extremas de pressão e temperatura, o que torna ainda mais intrigante a ocorrência de atividade sísmica ali.

Segundo o pesquisador Shih-Chi Wang, entender onde e com que frequência esses terremotos acontecem era um desafio até agora. O novo conjunto de dados ajuda a preencher essa lacuna.

Um estudo baseado em décadas de dados

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© FreePIk

Para construir o mapa, os cientistas analisaram 459 terremotos do manto continental registrados desde 1990.

A equipe utilizou dados de ondas sísmicas para rastrear a origem e o comportamento desses eventos em profundidade. Esse tipo de análise permite “enxergar” o interior da Terra de forma indireta, já que as ondas sísmicas mudam de velocidade conforme atravessam diferentes materiais.

O resultado é um panorama mais completo da distribuição global desses terremotos, algo que antes era estudado de forma fragmentada.

Regiões-chave: Himalaia e Ártico

O que está fazendo a “geleira do Apocalipse” tremer centenas de vezes na Antártida
© Pexels

O mapa revelou concentrações importantes de atividade sísmica em regiões específicas do planeta.

Entre os principais pontos estão:

  • A região do Himalaia, no sul da Ásia
  • Áreas próximas ao estreito de Bering, no Ártico

Esses locais já eram conhecidos por sua complexidade geológica, mas agora ganham ainda mais relevância como zonas de estudo do comportamento profundo da Terra.

O que esses terremotos revelam sobre o planeta

Os terremotos do manto oferecem uma nova forma de investigar o interior do planeta.

De acordo com o geofísico Simon Klemperer, esses eventos podem ajudar a entender melhor:

  • A estrutura interna da Terra
  • A interação entre crosta e manto
  • Os mecanismos que geram atividade sísmica

Uma das hipóteses é que exista um ciclo sísmico integrado, no qual crosta e manto funcionam como um sistema único.

Um novo capítulo na geofísica

Apesar dos avanços, muitas perguntas ainda permanecem. Os cientistas ainda não sabem exatamente por que os terremotos do manto ocorrem em determinados locais nem quais são todos os mecanismos envolvidos.

No entanto, o novo mapa representa um ponto de partida fundamental. Ele permite estudar os terremotos de forma global, em vez de isolada, e abre caminho para futuras descobertas.

A Terra ainda guarda segredos profundos

O estudo reforça uma ideia fascinante: mesmo com toda a tecnologia disponível, ainda sabemos pouco sobre o interior do nosso próprio planeta.

Ao revelar que o manto também é palco de atividade sísmica relevante, os cientistas mostram que a Terra é um sistema dinâmico e interconectado — onde processos invisíveis, a centenas de quilômetros de profundidade, podem influenciar diretamente o mundo na superfície.

E esse mapa é apenas o começo dessa exploração.

 

[ Fonte: Marca ]

 

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