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Ciência

Cientistas descobriram algo inesperado sobre macacos que pode mudar o que sabemos sobre a mente humana

Um experimento comparou macacos, crianças e adultos de diferentes culturas. O resultado revelou uma habilidade surpreendente que pode ter surgido muito antes dos seres humanos modernos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, acreditou-se que certos conceitos abstratos eram exclusivos da inteligência humana. Embora os primatas já tenham demonstrado capacidade para fabricar ferramentas, reconhecer rostos e até aprender formas simples de comunicação, havia uma habilidade que parecia pertencer apenas à nossa espécie. Agora, uma nova pesquisa desafia essa ideia e sugere que as origens desse conhecimento podem ser muito mais antigas do que imaginávamos.

Um experimento colocou macacos diante de um desafio que dependia apenas da geometria

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon e do Instituto de Tecnologia de Rochester, nos Estados Unidos, decidiram investigar se primatas não humanos conseguem compreender relações geométricas de maneira semelhante à dos seres humanos.

Para responder à pergunta, a equipe liderada por Jialin Li, Jessica Cantlon e Caroline M. DeLong desenvolveu um experimento envolvendo oito primatas adultos: quatro macacos-rhesus (Macaca mulatta) e quatro babuínos (Papio anubis).

Os animais participaram voluntariamente de uma atividade em troca de pequenas porções de frutas. Em uma tela sensível ao toque, precisavam relacionar corretamente figuras geométricas bidimensionais apresentadas durante um jogo interativo.

O detalhe mais importante do experimento era justamente eliminar qualquer pista visual que pudesse facilitar a tarefa. As figuras não compartilhavam cores, texturas ou outros elementos que permitissem resolver o desafio por associação simples. A única informação disponível era sua estrutura geométrica.

Isso obrigava os macacos a analisar formas, proporções e relações espaciais para encontrar as correspondências corretas.

O resultado surpreendeu os pesquisadores: os animais conseguiram realizar a tarefa com sucesso, demonstrando que eram capazes de identificar padrões geométricos sem depender de outras pistas visuais.

Crianças, adultos e macacos apresentaram um comportamento muito parecido

Cientistas descobriram algo inesperado sobre macacos que pode mudar o que sabemos sobre a mente humana
© Unsplash

Para descobrir se essa forma de raciocínio era realmente comparável à humana, os cientistas ampliaram o estudo para diferentes grupos de pessoas.

Participaram do experimento dezenas de crianças entre 3 e 6 anos de idade, 79 adultos do povo indígena Tsimane, na Bolívia, além de 21 adultos dos Estados Unidos.

A inclusão dos Tsimane teve um objetivo importante. Como essa população possui um modo de vida baseado na agricultura e na coleta e recebe uma escolarização formal bastante diferente daquela encontrada em sociedades urbanas, os pesquisadores puderam avaliar se o aprendizado escolar influenciava esse tipo de percepção geométrica.

Os resultados mostraram algo bastante curioso.

Independentemente da idade, da cultura ou da experiência educacional, crianças, adultos norte-americanos, integrantes da comunidade Tsimane e os próprios macacos apresentaram estratégias muito semelhantes para interpretar as relações entre as figuras.

Segundo os pesquisadores, isso indica que a compreensão básica da geometria não depende exclusivamente da educação formal ou da cultura em que uma pessoa cresce.

A geometria pode fazer parte da herança evolutiva dos primatas

As conclusões do estudo sugerem que a capacidade de perceber relações geométricas pode estar profundamente enraizada na evolução dos primatas.

Em vez de representar uma habilidade desenvolvida apenas pelos seres humanos modernos, essa forma de raciocínio pode integrar uma arquitetura cognitiva compartilhada por diferentes espécies que dividiram ancestrais comuns milhões de anos atrás.

Isso não significa que macacos compreendam geometria da mesma forma que matemáticos ou engenheiros. Conceitos avançados continuam sendo resultado da linguagem, da educação e do desenvolvimento cultural humanos.

No entanto, a pesquisa indica que existe uma base cognitiva muito antiga sobre a qual esse conhecimento complexo foi construído ao longo da evolução.

O estudo, intitulado Continuity in Geometric Intuition Between Humans and Monkeys, foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e reforça uma ideia cada vez mais presente na neurociência: muitas capacidades consideradas exclusivamente humanas talvez tenham surgido muito antes do aparecimento da nossa própria espécie.

À medida que novas pesquisas aprofundam essa comparação entre humanos e outros primatas, cresce também a compreensão de que nossa inteligência pode compartilhar muito mais fundamentos com nossos parentes evolutivos do que imaginávamos.

[Fonte: TN]

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