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Ciência

Cientistas descobriram um fenômeno inesperado sob o gelo da Groenlândia que pode acelerar a elevação do nível do mar

Pesquisadores observaram um comportamento incomum no gelo da Groenlândia que faz enormes volumes de água desaparecerem rapidamente rumo às profundezas dos glaciares.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Groenlândia voltou ao centro das preocupações climáticas globais após cientistas identificarem um mecanismo pouco compreendido que pode acelerar o movimento das gigantescas massas de gelo em direção ao oceano. O fenômeno envolve água de degelo, rachaduras profundas e mudanças sazonais quase invisíveis a olho nu. Agora, pesquisadores acreditam que esse processo pode estar alterando a velocidade com que parte do gelo da região desliza rumo ao mar — algo que pode afetar previsões futuras sobre o aumento do nível dos oceanos.

O que os cientistas encontraram sob o gelo da Groenlândia

Cientistas descobriram um fenômeno inesperado sob o gelo da Groenlândia que pode acelerar a elevação do nível do mar
© Unsplash

Durante anos, especialistas acompanharam o derretimento acelerado da Groenlândia como um dos principais sinais das mudanças climáticas. Mas um novo estudo publicado na revista científica AGU Advances revelou que o problema pode ser ainda mais complexo do que parecia.

Pesquisadores analisaram o glaciar Sermeq Kujalleq, localizado no oeste da Groenlândia, utilizando imagens de satélite de alta resolução, modelos computacionais e sistemas de inteligência artificial.

O objetivo era entender como a água do degelo se move pela superfície e pelo interior das enormes camadas de gelo.

A equipe descobriu que certas áreas cheias de rachaduras profundas funcionam como reservatórios temporários. Nessas regiões, a água derretida se acumula durante parte da temporada, permanecendo presa perto da superfície do glaciar.

O comportamento muda drasticamente quando o gelo começa a sofrer maior tensão natural.

À medida que o glaciar acelera seu movimento durante os meses mais quentes, o gelo se estica cada vez mais. Esse estiramento faz com que as rachaduras se abram profundamente até alcançar a base do glaciar.

Quando isso acontece, enormes volumes de água conseguem atravessar rapidamente toda a massa de gelo.

Por que esse fenômeno preocupa tanto os especialistas

Cientistas descobriram um fenômeno inesperado sob o gelo da Groenlândia que pode acelerar a elevação do nível do mar
© Unsplash

O principal temor dos cientistas está no que acontece depois que essa água chega ao fundo do glaciar.

Na base, ela funciona como uma espécie de lubrificante natural. Isso reduz o atrito entre o gelo e o solo, permitindo que as gigantescas massas congeladas deslizem mais rapidamente em direção ao oceano.

Quanto mais rápido o gelo se move, maior tende a ser sua contribuição para a elevação do nível do mar.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno não depende apenas da quantidade de água de degelo presente na superfície. O fator decisivo é o momento em que o gelo alcança tensão suficiente para abrir completamente essas fraturas profundas.

E foi justamente isso que chamou atenção no estudo.

Os cientistas descobriram que a maior parte da drenagem ocorre principalmente entre maio e junho, exatamente no início da temporada de degelo. Nesse período, o glaciar acelera naturalmente seu deslocamento, aumentando o estiramento da camada de gelo.

Os dados analisados mostraram que 83% das áreas estudadas apresentaram drenagem intensa em 2019.

Outro detalhe importante é que esse mecanismo se comporta de forma diferente dos lagos que se formam sobre o gelo. Enquanto os lagos costumam esvaziar devido a eventos repentinos, como chuvas intensas, as rachaduras profundas parecem responder principalmente às mudanças sazonais na tensão do glaciar.

Como os cientistas conseguiram rastrear a água no interior do glaciar

Para acompanhar o percurso da água, os pesquisadores utilizaram imagens de satélite capazes de captar detalhes de até 10 metros na superfície do gelo.

Além disso, modelos matemáticos foram usados para calcular quanto gelo derretia ao longo da temporada e como o glaciar mudava de forma e velocidade durante os meses analisados.

A inteligência artificial teve papel fundamental na pesquisa.

Os cientistas desenvolveram um sistema capaz de identificar automaticamente água acumulada em rachaduras, canais e pequenas correntes sobre o glaciar. O modelo foi treinado com milhares de imagens mapeadas manualmente e automaticamente.

Isso permitiu acompanhar o ciclo completo de enchimento e esvaziamento das fissuras.

Os pesquisadores também analisaram como o gelo se deformava ao longo do tempo. Com isso, conseguiram prever em quais momentos as rachaduras atingiam profundidade suficiente para permitir que a água atravessasse toda a camada de gelo até a base.

O impacto que isso pode ter nas previsões climáticas

A descoberta preocupa porque muitos modelos climáticos ainda não consideram completamente esse comportamento das rachaduras profundas.

Segundo os autores, ignorar essas diferenças pode levar cientistas a subestimar ou superestimar a velocidade com que a Groenlândia perde gelo para o oceano.

O estudo mostra que algumas fissuras funcionam como reservatórios temporários, enquanto outras permitem drenagem quase imediata desde o início do degelo.

Essas diferenças alteram diretamente a forma como a água circula sob o glaciar e influenciam a velocidade do gelo.

Os pesquisadores afirmam que pelo menos metade da água de degelo pode estar sendo transportada para o fundo da camada de gelo através dessas rachaduras.

Isso significa que o fenômeno pode ter papel importante na dinâmica futura dos glaciares da Groenlândia, especialmente em cenários de temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos mais frequentes.

Para os especialistas, compreender esses mecanismos será essencial para prever com maior precisão o futuro do nível do mar nas próximas décadas.

[Fonte: Infobae]

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