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Tecnologia

Cientistas resolvem um dos maiores desafios da computação quântica ao domar o “ruído” — e isso pode acelerar os supercomputadores do futuro

Pesquisadores na Suíça deram um passo importante para tornar a computação quântica mais estável. Ao reduzir o impacto do chamado “ruído quântico”, eles conseguiram melhorar drasticamente a precisão de operações fundamentais, aproximando essa tecnologia de aplicações reais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A computação quântica é frequentemente descrita como o próximo grande salto tecnológico — capaz de resolver problemas impossíveis para computadores tradicionais. Mas existe um obstáculo persistente: a instabilidade. Agora, um grupo de cientistas afirma ter encontrado uma solução promissora para esse problema, aproximando ainda mais essa tecnologia do uso prático.

O desafio central: estabilidade dos cúbits

Empresas como Microsoft e Google vêm investindo pesado em computação quântica. Exemplos disso são o chip Majorana 1 e o processador Willow, que já demonstraram avanços impressionantes.

No entanto, o grande desafio continua sendo a estabilidade. Os chamados cúbits — unidades básicas da computação quântica — são extremamente sensíveis.

Eles operam em estados delicados, como superposição e entrelaçamento. Qualquer interferência externa, como calor ou vibração, pode causar a chamada decoerência, destruindo a informação e gerando erros.

O que é o “ruído quântico”

Cientistas observam comportamento quântico inesperado em supercondutores
© https://x.com/CienciaDelCope

Esse problema está diretamente ligado ao chamado ruído quântico. Trata-se de interferências que afetam o comportamento dos cúbits e comprometem a precisão dos cálculos.

Na prática, isso significa que computadores quânticos ainda enfrentam dificuldades para executar operações complexas de forma confiável.

Resolver esse problema é essencial para transformar a computação quântica em uma tecnologia realmente utilizável.

A solução encontrada na Suíça

O avanço veio de um grupo da ETH Zurique, liderado por Tilman Esslinger, especialista em eletrônica quântica.

A equipe conseguiu realizar uma operação conhecida como “porta de troca quântica” com altíssima precisão, utilizando um conceito chamado fase geométrica.

Diferente das abordagens tradicionais, essa técnica depende do caminho que as partículas percorrem, e não de interações externas. Isso torna o sistema muito mais resistente ao ruído.

Como funciona essa nova abordagem

Os cientistas utilizaram átomos de potássio ultrafrios presos em estruturas chamadas redes ópticas — uma espécie de “cristal de luz” formado por lasers.

Ao manipular esses átomos com extrema precisão, eles conseguiram aproximar pares de partículas até que suas funções de onda se sobrepusessem.

Como esses átomos são férmions, esse processo gera naturalmente uma fase geométrica, que permite controlar o estado quântico de forma mais estável.

Resultados impressionantes

Computadores Quânticos4
© Adventtr – Getty Images

O experimento alcançou um nível de precisão de 99,91% ao realizar operações entre cúbits — tudo isso em menos de um milissegundo.

Segundo os pesquisadores, esse método é menos sensível a variações externas, como mudanças na intensidade do laser ou na velocidade de manipulação.

Isso representa um avanço significativo em relação às técnicas anteriores, que dependiam de condições muito mais controladas.

Por que isso é importante

As chamadas portas de troca são essenciais para o funcionamento de computadores quânticos. Elas permitem transferir e organizar informações dentro do sistema.

Melhorar a confiabilidade dessas operações é um passo crucial para construir máquinas maiores e mais complexas.

Sem isso, a computação quântica continuaria limitada a experimentos de laboratório.

O que ainda falta

Apesar do avanço, os próprios cientistas reconhecem que ainda há um longo caminho pela frente.

Segundo Tilman Esslinger, será necessário integrar essa tecnologia com outros sistemas, como microscópios de gás quântico, que permitem visualizar e manipular cúbits individualmente.

Esse tipo de controle será essencial para criar computadores quânticos plenamente funcionais.

Um passo mais perto do futuro

A descoberta não resolve todos os desafios, mas representa um avanço importante em uma das áreas mais complexas da ciência atual.

Se técnicas como essa continuarem evoluindo, a computação quântica pode deixar de ser uma promessa distante e se tornar uma ferramenta real — com impacto direto em áreas como inteligência artificial, medicina e criptografia.

O futuro dos supercomputadores pode depender exatamente disso: conseguir controlar o mundo quântico com precisão.

[ Fonte: National Geographic ]

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