As florestas tropicais do planeta tiveram um raro momento de alívio. Em 2025, a perda dessas áreas caiu 36% em relação ao ano anterior, segundo dados da plataforma Global Forest Watch, vinculada ao World Resources Institute (WRI). O principal responsável por essa redução foi o Brasil, que apresentou uma queda expressiva no desmatamento.
Apesar do avanço, especialistas reforçam que o cenário ainda exige cautela. A preservação desses ecossistemas continua sendo um dos maiores desafios ambientais da atualidade.
O papel decisivo do Brasil

O destaque do relatório é o desempenho do Brasil, que registrou uma redução de 42% na destruição de florestas primárias não causada por incêndios.
Segundo o WRI, esse resultado está diretamente ligado ao fortalecimento das políticas ambientais desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023. Entre as medidas adotadas estão o reforço na fiscalização, a retomada de planos de combate ao desmatamento e o endurecimento das punições para crimes ambientais.
Para Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, os dados mostram que é possível reverter tendências negativas quando a proteção ambiental se torna prioridade nacional.
Outros países também mostram melhora
Além do Brasil, outros países apresentaram avanços importantes. A Colômbia registrou uma queda de 17% na perda de florestas, atingindo um dos níveis mais baixos desde 2016.
No Peru, a redução foi mais modesta, de 8%, mas ainda assim significativa. Nesses países, o reconhecimento de territórios indígenas e políticas públicas voltadas à conservação têm desempenhado papel relevante.
No entanto, desafios persistem. Atividades como expansão agrícola, mineração e disputas por terra continuam pressionando as florestas na região.
Um cenário global ainda preocupante

Apesar da queda percentual, a perda total de florestas tropicais em 2025 ainda foi alta: cerca de 4,3 milhões de hectares desapareceram — uma área comparável ao tamanho de um país como a Dinamarca.
Além disso, nem todas as regiões seguiram a tendência positiva. A Bolívia registrou a segunda maior taxa de perda de floresta primária tropical no mundo, mesmo possuindo uma área florestal menor que outros países.
Grande parte desse impacto está relacionada aos incêndios recordes registrados em 2024, que continuam afetando os dados mais recentes.
As ameaças continuam
Especialistas alertam que o progresso alcançado pode não ser duradouro. Em países como Brasil, Colômbia e Peru, eleições presidenciais previstas podem influenciar diretamente as políticas ambientais.
Para Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, os resultados são animadores, mas ainda não garantem uma mudança estrutural. O futuro das florestas dependerá da continuidade das políticas públicas e da capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
Outro fator de preocupação é o fenômeno El Niño, que pode intensificar secas e aumentar o risco de incêndios em diversas regiões da América Latina.
O que está por trás da destruição
Na América Latina, a principal causa da perda de cobertura vegetal continua sendo a expansão da agricultura, responsável por cerca de 72% da degradação desde 2001.
Outros fatores incluem incêndios (13%) e exploração madeireira (8%). Esses números mostram que, apesar dos avanços, as pressões econômicas sobre as florestas permanecem intensas.
No caso do Peru, por exemplo, atividades como cultivo de cacau, produção de óleo de palma e mineração — especialmente de ouro na região de Madre de Dios — seguem sendo grandes vetores de desmatamento.
Um avanço que depende de continuidade

Os dados do WRI consideram não apenas o desmatamento direto, mas também a perda de cobertura florestal por causas naturais. Isso oferece uma visão mais ampla da saúde dos ecossistemas.
Ainda assim, o recado é claro: houve progresso, mas ele é frágil.
A queda de 36% na perda de florestas tropicais em 2025 mostra que políticas eficazes podem gerar resultados rápidos. Porém, manter essa tendência exigirá compromisso político, fiscalização contínua e estratégias de longo prazo.
Em um cenário de crise climática, proteger as florestas não é apenas uma questão ambiental — é uma necessidade global.
[ Fonte: El País ]