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Ciência

Cometa interestelar 3I/ATLAS se aproxima da Terra e intriga cientistas

Um visitante raro acaba de cruzar nosso quintal cósmico. O cometa 3I/ATLAS, apenas o terceiro objeto interestelar já observado passando pelo Sistema Solar, foi registrado por instrumentos de ponta e está oferecendo pistas valiosas sobre mundos que existem muito além do nosso. Descubra por que astrônomos do mundo inteiro estão de olho nesse corpo — e por que ele não representa perigo algum para a Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um visitante de fora do Sistema Solar

O 3I/ATLAS foi detectado em julho enquanto atravessava nossa vizinhança cósmica, e chamou atenção imediatamente: sua trajetória indica que ele se originou fora do Sistema Solar. Isso por si só já o torna um objeto extremamente raro.

Até hoje, só dois outros visitantes interestelares haviam sido confirmados — o mais famoso deles, ‘Oumuamua, em 2017. Agora, o 3I/ATLAS entrou para essa lista exclusiva, reacendendo o interesse científico por materiais formados ao redor de outras estrelas.

Hubble registra detalhes inéditos do cometa

Cometa interestelar 3I/ATLAS se aproxima da Terra e intriga cientistas
© https://x.com/Defence12543

O Telescópio Espacial Hubble foi um dos primeiros a observar o 3I/ATLAS logo após sua descoberta. Na época, os dados revelaram um núcleo com formato semelhante a uma gota d’água, envolto por uma nuvem brilhante de gás.

Em 30 de novembro, o Hubble voltou a apontar suas lentes para o cometa, que estava a cerca de 286 milhões de quilômetros da Terra. Usando a Wide Field Camera 3, os astrônomos conseguiram imagens ainda mais detalhadas, ajudando a refinar cálculos sobre trajetória e comportamento do objeto.

Essas observações também detectaram gases liberados quando o cometa passou mais perto do Sol, em outubro. Esse processo — chamado de sublimação — acontece quando gelo sólido se transforma diretamente em gás, revelando pistas importantes sobre a composição do cometa.

A sonda Juice também entrou na observação

Enquanto segue sua longa jornada até Júpiter, a sonda europeia Juice (Jupiter Icy Moons Explorer) também teve a chance de observar o 3I/ATLAS. No início de novembro, a nave estava a cerca de 66 milhões de quilômetros do cometa, em uma posição privilegiada.

A Juice usou cinco instrumentos científicos, além de sua câmera de navegação (NavCam), para registrar a passagem do objeto. A missão normalmente envia grandes volumes de dados, mas, neste momento, a antena principal da nave está sendo usada como escudo térmico para protegê-la do calor solar.

Por causa disso, apenas parte de uma imagem foi transmitida até agora — mas já o suficiente para surpreender os cientistas.

Duas caudas e muita atividade

Mesmo com dados limitados, a imagem enviada pela Juice revelou uma característica clássica dos cometas: duas caudas distintas. Uma delas é uma cauda de plasma, formada por gases eletricamente carregados que interagem com o vento solar. A outra é uma cauda de poeira, composta por partículas sólidas liberadas do núcleo.

Além disso, o cometa apresenta uma coma, um halo brilhante de gás e poeira ao redor do núcleo. Esse conjunto indica que, apesar de vir de fora do Sistema Solar, o 3I/ATLAS se comporta de maneira semelhante aos cometas “nativos” da nossa vizinhança espacial.

Cometas, no geral, são restos da formação de sistemas planetários — misturas de rocha, gelo e poeira que guardam informações sobre a origem de estrelas e planetas. No caso do 3I/ATLAS, essas informações vêm de um sistema estelar totalmente diferente.

Ele oferece algum risco para a Terra?

Aqui vai o alívio: nenhum risco. O 3I/ATLAS atingirá sua maior aproximação da Terra em 19 de dezembro, a cerca de 270 milhões de quilômetros de distância — quase o dobro da distância média entre a Terra e o Sol.

Além disso, o cometa estará do outro lado do Sol nesse momento, o que descarta qualquer possibilidade de impacto ou interferência gravitacional relevante.

O que os cientistas ainda esperam descobrir

Segundo a Nasa, o cometa deve permanecer visível para telescópios e missões espaciais por mais alguns meses, antes de deixar o Sistema Solar para nunca mais voltar.

Entre 18 e 20 de fevereiro, é esperado o envio do restante dos dados coletados pela Juice, incluindo imagens de alta resolução e informações detalhadas sobre partículas e composição química. Esses dados podem revelar como objetos interestelares se formam e até ajudar a entender melhor a diversidade de sistemas planetários na galáxia.

Cada visitante como o 3I/ATLAS é uma chance rara de estudar o que existe além do nosso “bairro” cósmico. E, desta vez, a ciência está pronta para aproveitar cada segundo dessa passagem.

[Fonte: CNN Brasil]

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