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Ciência

Nova hipótese pode explicar a formação de Mercúrio: colisão entre protoplanetas de massa semelhante

Um estudo publicado na Nature Astronomy sugere que Mercúrio pode ter se formado a partir do impacto entre dois corpos rochosos de tamanho parecido. A teoria, apoiada em simulações avançadas, oferece uma explicação mais plausível para a estrutura incomum do planeta mais próximo do Sol.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Por décadas, a explicação mais aceita sobre a origem de Mercúrio era a de que o planeta teria perdido grande parte de sua crosta e manto após uma colisão catastrófica com um objeto muito maior. Mas uma nova pesquisa liderada pelo astrônomo brasileiro Patrick Franco desafia essa visão e apresenta um cenário alternativo.

O impacto que moldou Mercúrio

Origem de Mercúrio é descoberto por cientistas brasileiros
© Pexels

Segundo o estudo, um choque tangencial entre dois protoplanetas de massas semelhantes é um evento estatisticamente muito mais provável no Sistema Solar primitivo — e pode explicar a composição e a estrutura atuais de Mercúrio.

“Mostramos por meio de simulações que a formação de Mercúrio não exige colisões excepcionais. Um impacto desse tipo pode justificar sua composição metálica e é muito mais plausível do ponto de vista dinâmico”, afirmou Franco, pesquisador do Observatoire de Physique du Globe de Paris e doutor pelo Observatório Nacional do Brasil.

Simulações em alta resolução

Para testar a hipótese, a equipe usou a técnica de hidrodinâmica de partículas suavizadas (SPH), método numérico capaz de simular gases, líquidos e sólidos em condições extremas, como colisões planetárias.

O modelo conseguiu reproduzir com precisão não só a massa total de Mercúrio, mas também sua proporção anômala entre núcleo metálico superdimensionado e manto rochoso delgado. O erro ficou abaixo de 5%.

A hipótese sugere que até 60% do manto original de Mercúrio pode ter sido destruído no impacto, deixando o planeta com a estrutura metálica que conhecemos hoje.

O destino dos escombros

Um dos avanços do novo modelo é explicar por que o material arrancado não retornou ao planeta, como previam cenários anteriores. Nesse caso, parte dos fragmentos teria sido expulsa para fora da órbita, sem se reincorporar.

Franco sugere que esses escombros poderiam até ter sido capturados por outros planetas em formação, como Vênus, hipótese que ainda deve ser investigada.

O que vem a seguir

A pesquisa abre caminho para estudos comparativos com meteoritos e dados coletados por missões espaciais, como a BepiColombo, iniciativa conjunta da ESA e da JAXA que deve enviar informações cruciais sobre Mercúrio nos próximos anos.

Apesar de ser o planeta menos explorado do Sistema Solar, Mercúrio está entrando em uma nova fase de investigação científica. “Há uma geração inteira de pesquisas em andamento, e ainda temos muito a descobrir”, concluiu Franco.

 

O novo modelo coloca Mercúrio no centro de um debate renovado sobre como planetas rochosos se formaram e evoluíram no início do Sistema Solar. Mais do que responder a perguntas antigas, a teoria pode redefinir nossa compreensão sobre os processos que moldaram mundos como a Terra, Marte e Vênus.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

 

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