Por anos, os computadores quânticos foram tratados como promessas distantes, cercadas de marketing e expectativas. Hoje, eles já operam de forma prática, ainda que com avanços incrementais. Em entrevista ao Gizmodo, Jerry Chow, diretor da IBM Quantum, detalha o estado atual da tecnologia, seu uso real e os próximos passos.
O que é “vantagem quântica” de verdade
Segundo Chow, vantagem quântica não significa substituir totalmente os computadores clássicos, mas sim usá-los em conjunto para resolver problemas de forma mais rápida, barata ou precisa.
Assim como as GPUs começaram em nichos e depois se tornaram essenciais em áreas como física e simulação, o papel do quântico é o de ferramenta complementar.
Complementaridade com a computação clássica
Todo processamento quântico ainda começa e termina em sistemas clássicos: os dados entram de forma tradicional, são processados em circuitos quânticos e retornam como resultados que voltam a ser tratados por CPUs e GPUs.
Para Chow, isso mostra que o quântico não é uma ameaça ao clássico, mas uma extensão de suas capacidades.
Avanços que já chegaram ao usuário
A IBM foi pioneira em colocar computadores quânticos na nuvem, permitindo que qualquer pessoa execute circuitos gratuitamente pela web. Hoje, a empresa mantém centros de dados quânticos globais e uma rede de quase 300 parceiros.
Pesquisadores do Instituto RIKEN, no Japão, já usam a tecnologia combinada a supercomputadores para estudar estruturas moleculares.
Comunidade e aplicações

A estratégia da IBM inclui trabalhar com setores como saúde, energia e ciências da vida para encontrar aplicações práticas. Chow reforça que a utilidade virá da colaboração com especialistas dessas áreas, e não apenas da inovação tecnológica.
O próximo marco
Até o fim do ano, a IBM planeja lançar o dispositivo Nighthawk, voltado para executar circuitos mais complexos em colaboração com sistemas de alto desempenho. A meta é estabelecer marcos sucessivos que comprovem ganhos reais na prática.