Em um cenário onde tecnologia e criatividade ganham força, alunos de quatro cidades do interior baiano provaram que ideias simples podem gerar grandes impactos. No Dia do Estudante, o g1 destaca iniciativas que unem ciência, sustentabilidade e economia local, com apoio da Secretaria da Educação da Bahia e orientação de professores.
Água limpa com sementes e cactos

Anne Caroline e Clara Bispo, de Lamarão, desenvolveram um método para transformar água barrosa em potável usando sementes de moringa e casca de mandacaru. A moringa remove impurezas visíveis e o cacto age como bactericida.
Segundo o professor Djanderson Nascimento, testes indicaram eficiência superior a 90%, comparável a coagulantes químicos como sulfato de alumínio. O objetivo é beneficiar comunidades do semiárido, onde a água disponível muitas vezes vem de poços e açudes turvos. As jovens planejam ampliar estudos e divulgar a técnica para uso em outras regiões.
Bioplástico de cacto: da caatinga para o futuro
Ana Clara Moreira e Emiliane Nery, de Andorinha, criaram um bioplástico a partir do facheiro, cacto típico da caatinga, combinado com vinagre e glicerina. Flexível e resistente, o material se decompõe em até 12 meses — contra os mais de 400 anos do plástico convencional.
Além do impacto ambiental positivo, o projeto pode gerar empregos e valorizar o cultivo do facheiro, criando um ciclo econômico sustentável na comunidade.
Tinta térmica sustentável
Em Luís Eduardo Magalhães, Lara Geovana, Melissa Fideles e Oliver Santos desenvolveram uma tinta à base de goma arábica, argila branca e beterraba. O produto reflete a luz solar, ajudando a manter o interior das casas mais fresco sem necessidade de ar-condicionado.
Orientados pela professora Fernanda Gering, os estudantes planejam testar novas cores e aplicações, expandindo o uso para diferentes superfícies. O foco é oferecer uma alternativa de baixo custo para comunidades de baixa renda em regiões quentes.
Spray anti-inflamatório natural
Inspiradas em receitas de família, Iasmyn Vitória Teixeira Melo e Maria Luisa da Trindade Silva, de Candiba, criaram um spray com mastruz, folhas de cânfora e cachaça. A fórmula apresenta propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas.
Testes com voluntários mostraram melhora das inflamações já nos primeiros dias de uso. As autoras pretendem transformar o spray em pomada e adicionar novas plantas medicinais como arnica e girassol.
Óleo corporal contra ansiedade
Também em Candiba, Emília Vieira e Tainara Rocha desenvolveram um óleo natural à base de capim-santo e óleo de coco para aliviar sintomas de ansiedade. O citral presente na planta promove relaxamento e melhora da qualidade do sono.
A orientadora Marciele de Oliveira explica que o projeto nasceu ao identificar a ansiedade como um problema comum entre jovens. Testes iniciais mostraram bem-estar e alívio de sintomas em voluntários após 15 a 20 dias de uso.
Jovens que inspiram

Seja limpando água, substituindo plásticos, refrescando ambientes ou cuidando da saúde física e mental, esses estudantes mostram que inovação não precisa nascer em grandes laboratórios. Suas soluções, muitas vezes inspiradas na cultura local e no conhecimento tradicional, têm potencial de transformar comunidades inteiras.
[ Fonte: G1.Globo ]