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Ciência

Cientistas Encontram 27 Milhões de Toneladas de Plástico em um Lugar Inimaginável

Durante anos, especialistas procuraram uma explicação para o sumiço de milhões de toneladas de plástico produzidas pela humanidade. Agora, uma nova pesquisa revela onde parte significativa desse material foi parar — e a resposta é mais preocupante do que se imaginava.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O chamado “paradoxo do plástico” intriga cientistas há décadas: sabemos que bilhões de toneladas foram produzidas, mas uma enorme parte simplesmente desapareceu das estatísticas. Muito além do que podemos ver boiando no mar ou acumulado nas praias, uma nova pesquisa mostra que a maior parte desse plástico está escondida em uma forma quase invisível — e o impacto disso ainda está longe de ser compreendido.

O plástico invisível que flutua no oceano

Apesar dos milhões de toneladas de plástico visíveis nos oceanos — e dos microplásticos já detectados em nosso sangue, saliva, leite materno e até sêmen — os cientistas sempre souberam que havia muito mais plástico sem paradeiro conhecido.

Agora, pesquisadores do Instituto Real de Pesquisa Marinha dos Países Baixos (NIOZ) e da Universidade de Utrecht afirmam ter encontrado uma parte crucial desse material: nanoplásticos flutuando no Oceano Atlântico Norte. São partículas minúsculas, com menos de 1 micrômetro (μm), praticamente invisíveis até para microscópios convencionais.

Segundo o estudo publicado na revista Nature, estima-se que existam cerca de 27 milhões de toneladas dessas partículas só no Atlântico Norte — um volume chocante e inédito até então.

Como foi feita a descoberta

A pesquisa foi conduzida a bordo de um navio científico que percorreu a rota entre os Açores e a plataforma continental da Europa. A estudante Sophie ten Hietbrink, coautora do estudo, coletou amostras de água em 12 pontos diferentes. As amostras foram filtradas para remover partículas maiores e, em seguida, analisadas em nível molecular para identificar os nanoplásticos.

Com base nesses dados, a equipe extrapolou os resultados para todo o oceano, chegando à estimativa surpreendente de 27 milhões de toneladas. “É uma quantidade assustadora”, disse Ten Hietbrink em nota oficial. “Mas agora temos uma resposta importante para o paradoxo do plástico desaparecido.”

Um problema que vem do ar, da terra e do mar

Os cientistas destacam que esses nanoplásticos chegam aos oceanos por diversas vias. Muitos vêm dos rios, outros são transportados pelo ar e chegam com a chuva ou caem espontaneamente como “deposição seca”. Além disso, o próprio oceano colabora na geração de nanoplásticos ao triturar pedaços maiores por meio das ondas e da luz solar.

E o mais alarmante: essas partículas já foram encontradas em tecidos cerebrais humanos, o que sugere que elas conseguem penetrar profundamente em organismos vivos.

“Agora que sabemos que são tão comuns nos oceanos, é evidente que penetram em todo o ecossistema — dos microrganismos aos peixes e predadores do topo da cadeia, como os seres humanos”, afirmou Helge Niemann, geoquímico do NIOZ e coautor do estudo.

Efeitos ainda desconhecidos e um alerta global

Apesar da descoberta, o paradoxo do plástico ainda não foi totalmente resolvido. O estudo, por exemplo, não identificou tipos comuns de plástico como polietileno e polipropileno — possivelmente mascarados por outras moléculas nas análises.

“Queremos entender se os nanoplásticos estão presentes em outros oceanos também. Infelizmente, tudo indica que sim, mas isso ainda precisa ser confirmado”, disse Niemann. E um detalhe importante: essas partículas não podem ser retiradas do mar. “Portanto, a mensagem mais urgente da pesquisa é que devemos impedir que ainda mais plástico vá parar no ambiente.”

A descoberta é um marco para a ciência ambiental, mas também um chamado claro à ação. Se o plástico invisível já está em todo lugar, inclusive dentro de nós, não há mais tempo para adiar mudanças profundas na forma como lidamos com esse material.

 

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