A origem do nome Black Friday não tem nada de promocional
Antes de virar sinônimo de descontos, o termo Black Friday foi usado pela primeira vez em 1869, nos Estados Unidos. Na época, ele descrevia um colapso no mercado de ouro de Nova York, causado por dois especuladores que tentaram manipular os preços.
O resultado foi uma quebra generalizada. O “black” (negro) era usado historicamente para representar tragédias financeiras. Ou seja: nada a ver com shopping ou liquidação.

Desfiles de Natal ajudaram a criar a data
Muito antes da Black Friday, os desfiles de Natal já estimulavam o consumo. Em 1905, uma loja canadense criou o primeiro desfile do Papai Noel. O evento marcou o início simbólico da temporada de compras.
Nos EUA, a Macy’s copiou a ideia em 1924. Quando o Papai Noel aparecia no final do desfile, era considerado o sinal oficial para começar as compras de fim de ano. Com o tempo, esse comportamento ajudou a criar o cenário perfeito para a Black Friday virar tradição.
O Dia de Ação de Graças foi ajustado por causa das vendas
Originalmente, o feriado de Ação de Graças acontecia na última quinta-feira de novembro. Em 1939, essa data caiu exatamente no último dia do mês, encurtando o período de compras antes do Natal.
Lojistas pressionaram o presidente Franklin Roosevelt para antecipar o feriado em uma semana. Ele aceitou. Após anos de confusão, o Congresso fixou o feriado na quarta quinta-feira do mês. Resultado: mais tempo para promoções e para a futura Black Friday.
“Sexta-feira negra” começou como reclamação da polícia
Na Filadélfia, o termo Black Friday passou a ser usado nos anos 1950 por policiais irritados com o trânsito caótico causado por consumidores em massa. Para eles, o dia era literalmente “negro”.
Os lojistas tentaram mudar a imagem chamando o evento de “Big Friday” (Grande Sexta), mas o nome negativo já havia pegado — e acabou virando marca registrada.
O mito do “voltar ao azul”
Com o tempo, o varejo criou uma narrativa mais positiva. Segundo ela, a Black Friday seria o dia em que as lojas saíam do “vermelho” (prejuízo) e voltavam ao “azul” (lucro).
Não há provas concretas disso, mas ajudou a transformar o termo em algo atraente para o público. Afinal, ninguém quer participar de um evento com nome sombrio sem um bom motivo.
Black Friday demorou para virar fenômeno nacional
Por incrível que pareça, a Black Friday ficou restrita à Filadélfia por décadas. Só nos anos 1980 o termo começou a se espalhar. A explosão real ocorreu apenas nos anos 1990, quando o varejo percebeu seu potencial de marketing.
Já o título de “maior dia de compras do ano” só veio em 2001. Antes disso, o sábado era o verdadeiro campeão de vendas.
Como a Black Friday virou um evento global
A inveja dos varejistas canadenses ajudou a espalhar o evento. Eles viram seus clientes atravessarem a fronteira apenas para aproveitar os descontos nos EUA. Em resposta, criaram suas próprias promoções.
No México, o evento virou “El Buen Fin”. No Brasil, mesmo sem o feriado de Ação de Graças, a Black Friday foi adotada quando lojistas perceberam seu enorme potencial de faturamento.
Hoje, o Brasil é um dos mercados mais fortes da data.
Os números da Black Friday no Brasil impressionam
Em 2024, a Black Friday movimentou R$ 7,93 bilhões só no e-commerce brasileiro, segundo a Abiacom. A expectativa para 2025 é de crescimento de 14,5%, chegando a mais de R$ 9 bilhões em vendas.
Os descontos podem chegar a até 90%, mas é sempre bom ficar atento a falsas promoções.
O risco da Black Friday perder sua “sexta”
Desde 2011, grandes varejistas começaram a antecipar as promoções. Algumas lojas abriram ainda na quinta-feira. Surgiram até novos “eventos”, como a chamada “Quinta-feira Cinza”.
No Brasil, a prática é ainda mais comum. Muitas marcas estendem os descontos por uma semana inteira — ou até o mês todo. Mesmo assim, o nome Black Friday continua sendo o grande chamariz.
O que essa história revela sobre consumo
A trajetória da Black Friday mostra como uma data pode sair de um colapso financeiro e virar um dos maiores eventos de consumo do planeta. Hoje, mais do que descontos, ela representa o comportamento moderno de compra.
A pergunta que fica é: você encara a Black Friday como oportunidade real ou como uma armadilha para o cartão? Em um mundo de promoções constantes, talvez o maior desafio seja saber quando o desconto é de verdade — e quando é só marketing disfarçado.
[Fonte: Correio Braziliense]