Algumas histórias são tão poderosas que parecem ficção. A de Alexandra Borges é uma delas. Resgatada ainda bebê de um lixão em Jacareí, interior de São Paulo, ela enfrentou pobreza extrema, doenças e recomeços dolorosos. Hoje, é uma empreendedora de sucesso, à frente de três operações no setor alimentício, prestes a lançar um livro que promete inspirar milhares de pessoas com sua jornada de superação e transformação.
Uma infância de escassez e uma adoção que mudou tudo

Alexandra foi resgatada do lixão com apenas um ano e dez meses por Sebastiana, uma lavadeira com nove filhos que a acolheu e lhe deu nome, afeto e dignidade. Desde muito cedo, entendeu que depender da sorte não era uma opção. Com oito anos, viu a mãe adotiva chorar por não poder comprar uma torneira. Foi então que decidiu agir: saiu com uma bacia de coxinhas improvisadas para vender na rua. Não conseguiu na primeira tentativa, mas voltou com uma estratégia: contar sua história. Resultado? Vendeu tudo, até o pote.
Aos 13 anos, aproveitou uma chuva para vender guarda-chuvas da loja onde trabalhava como balconista. A ação ousada lhe rendeu uma efetivação. Essas experiências moldaram seu entendimento de vendas como conexão com necessidades reais, não apenas empurrar produtos.
Superações que a fortaleceram
Aos 22 anos, recém-divorciada e com dois filhos pequenos, descobriu uma doença na tireoide que afetava sua saúde física e emocional. O tratamento era agressivo: perda de cabelo, ganho de peso e baixa autoestima. Ainda assim, manteve o foco e seguiu trabalhando. Foi promovida a supervisora de franquias, coordenando equipes de grandes marcas como Arezzo, Victor Hugo e Oscar Calçados. A estabilidade financeira conquistada a ajudou a comprar carro, apartamento e, mais adiante, a custear os estudos de medicina dos filhos.
Em 2010, aceitou o desafio de gerenciar a abertura de uma loja-âncora atacadista em Angola. Essa experiência internacional ampliou sua visão e reforçou o desejo antigo de empreender.
A virada do crachá ao CNPJ
De volta ao Brasil, Alexandra iniciou sua transição para o empreendedorismo. Participou de cursos no Sebrae, como o Empretec, e estudou o mercado. Optou pelas franquias por oferecerem estrutura pronta e menor risco. Em 2015, inaugurou uma unidade da Casa do Pão de Queijo. Seis meses depois, abriu uma franquia do Café do Ponto.
Os resultados vieram rápido: em 2024, ambas atenderam mais de 150 mil clientes e cresceram 23% em faturamento. O passo seguinte foi abrir sua própria marca: o Café do Barão. A negociação do ponto levou dois anos até que o antigo dono aceitasse conversar. Foram mais seis meses até fechar o acordo.
Inicialmente, a ideia era abrir mais uma franquia, mas a vivência no local revelou outro potencial: os clientes valorizavam a atmosfera colonial do imóvel. Assim nasceu o Café do Barão, que vai além do café — entrega acolhimento, afeto e uma viagem às memórias do interior. O faturamento mensal já supera as projeções em 20%.
Estratégia, método e propósito como alicerces
Com três operações para administrar, Alexandra criou o método M.E.T.A., focado em relacionamento e experiência do cliente. O acrônimo representa:
- Movimento para criar conexão genuína com o cliente;
- Escuta atenta para entender suas dores;
- Transformação de necessidades em soluções encantadoras;
- Acompanhamento no pós-venda para fidelização verdadeira.
Segundo ela, empreender vai além de coragem: é preciso planejamento, inovação, equipe engajada, produto de qualidade e localização estratégica. A meta para 2025 é ambiciosa — R$ 8 milhões de faturamento somando todas as operações.
O livro e a missão de inspirar outras mulheres
No dia 24 de junho, Alexandra lança sua autobiografia Improvável não é impossível em São José dos Campos, cidade onde mora. A obra é um convite para refletir sobre resiliência, vendas com propósito e empreendedorismo com alma. Em suas palestras, compartilha detalhes da jornada que a levou da exclusão à liderança, reforçando que o sucesso também é lugar para quem começou na escassez.
“Durante muito tempo, achei que o sucesso não era para mim. Hoje, sei que ele é para quem decide se levantar e construir. Minha história é a prova de que a dor pode se transformar em propósito”, conclui.
Alexandra Borges não apenas superou barreiras — ela construiu pontes. Pontes que agora conectam coragem a resultado, humildade a liderança e vulnerabilidade a inspiração. Sua trajetória é um lembrete de que, mesmo quando tudo parece improvável, ainda assim é possível.
[Fonte: Exame]