A vacina contra o HPV é uma das mais eficazes ferramentas para prevenir o câncer do colo do útero, mas os índices de adesão entre adolescentes brasileiros preocupam. Apesar dos esforços do Ministério da Saúde, apenas uma pequena fração do público-alvo se vacinou, e o país corre o risco de ficar para trás no compromisso assumido com a OMS de eliminar a doença nas próximas décadas.
Baixa adesão à vacinação
Desde fevereiro de 2025, apenas 106 mil adolescentes de 15 a 19 anos tomaram a vacina contra o HPV — o que representa 1,5% dos sete milhões previstos. A campanha, que segue até dezembro, é voltada para quem perdeu a imunização gratuita entre os 9 e 14 anos, faixa etária em que a cobertura nacional gira em torno de 77%.
O que é o HPV e por que preocupa
O papilomavírus humano (HPV) é responsável por 99,7% dos casos de câncer de colo do útero. Além disso, pode causar verrugas genitais e outros tipos de câncer, como os que atingem pênis, ânus, vagina, vulva e orofaringe. A infecção é silenciosa em muitos casos, o que torna a vacinação ainda mais crucial.
O peso da desinformação
Estudos mostram que 37% dos adolescentes desconhecem que a vacina previne o câncer, enquanto 30% acreditam, equivocadamente, que ela faz mal à saúde. Entre os pais, 22% ainda associam a imunização ao início precoce da vida sexual. A desinformação e as dúvidas têm grande impacto na hesitação vacinal, reforçam especialistas.
Fragilidade na orientação profissional
A pesquisa também revelou falhas entre profissionais de saúde: um terço não se sente preparado para orientar sobre a vacina, e menos da metade se considera responsável por ações educativas. Esse cenário limita o alcance da campanha, já que adolescentes dificilmente procuram postos de saúde espontaneamente.

Impacto no combate ao câncer
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres brasileiras, com 17 mil novos casos esperados até o fim de 2025 e mais de 6,8 mil mortes apenas em 2024. A meta da OMS é alcançar coberturas vacinais acima de 90% para eliminar a doença, algo que países como Austrália e Escócia já começam a alcançar.
Um desafio coletivo
Especialistas reforçam que vacinar meninos também é essencial para reduzir a circulação do vírus e ampliar a proteção da população. O Brasil, que em 2020 se comprometeu com a meta global de eliminação, enfrenta agora o desafio de aumentar a cobertura vacinal entre adolescentes. O futuro dessa promessa dependerá de informação clara, engajamento social e estratégias inovadoras para alcançar os jovens.
Fonte: Metrópoles