Pular para o conteúdo
Ciência

Devo tomar suplemento de magnésio? Ele realmente melhora o sono ou evita cãibras?

De chocolates a cápsulas, o magnésio está em toda parte — mas será que você realmente precisa de um suplemento? Entenda o que diz a ciência sobre seus efeitos no sono, nas cãibras e na saúde em geral.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O magnésio é um mineral essencial para o funcionamento do corpo humano. Ele participa de mais de 300 reações enzimáticas, fundamentais para produzir energia, regular músculos e nervos, e manter a função cardíaca. Nosso corpo não o produz, por isso precisamos obtê-lo na alimentação — e, em alguns casos, por meio de suplementos.

O que o magnésio faz no corpo

Pílulas para dormir podem aumentar risco de Alzheimer, alerta estudo
© Pexels

Entre suas funções mais importantes estão:

  • Produção e reparo de proteínas e DNA;
  • Controle da contração muscular e do ritmo cardíaco;
  • Participação na liberação de energia dos alimentos;
  • Regulação da pressão arterial e do metabolismo da glicose.

A dose diária recomendada varia entre 310 e 420 mg para adultos, conforme sexo e idade. Essa quantidade é facilmente alcançada com uma alimentação equilibrada, incluindo castanhas, sementes, grãos integrais, leguminosas, vegetais verdes, carnes e frutos do mar. Até o chocolate amargo é uma boa fonte: 100 g contêm cerca de 146 mg de magnésio.

Como saber se você está com deficiência

A deficiência de magnésio é rara em pessoas saudáveis, mas pode ocorrer em indivíduos com dietas restritivas, doenças gastrointestinais (como Crohn e celíaca), diabetes tipo 2, alcoolismo ou em idosos.

Os sintomas incluem:

  • Cãibras, espasmos e tremores musculares;
  • Náusea, perda de apetite e fadiga;
  • Batimentos cardíacos irregulares.

O diagnóstico é feito por exame de sangue simples, que pode ser solicitado pelo médico e é coberto pelo sistema público de saúde.

O suplemento ajuda a dormir ou prevenir cãibras?

Magnesio1
© FreePik

Apesar da fama, as evidências científicas são limitadas. Embora a deficiência de magnésio possa causar cãibras, a maioria dos casos não tem origem no mineral. Estudos com idosos, por exemplo, não mostraram melhora significativa com o uso de suplementos.

Quanto ao sono, os resultados são mistos: uma pesquisa relatou que o magnésio reduziu o tempo para adormecer em 17 minutos, mas outros estudos não encontraram diferença.

Já em casos de enxaqueca, há indícios mais sólidos: doses entre 122 e 600 mg diárias, por 4 a 24 semanas, podem reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Segurança e efeitos colaterais

Os suplementos de magnésio são, em geral, seguros, mas o excesso pode causar diarreia, cólicas e náuseas — o mineral atrai água para o intestino, acelerando seu funcionamento.

Doses muito altas (em torno de 5.000 mg/dia) podem levar à toxicidade por magnésio, uma condição grave. Por isso, o uso deve ser orientado por um profissional de saúde.

Outras formas de magnésio

Além de comprimidos e cápsulas, há versões tópicas — como cremes, sais de banho e adesivos cutâneos. Porém, a absorção pela pele é limitada, o que torna os alimentos e os suplementos orais as fontes mais eficazes.

Cuidados ao escolher um suplemento

Os produtos disponíveis no mercado variam bastante em dose e composição — de 150 a 350 mg por comprimido. Alguns combinam magnésio com vitaminas C, D e B6 ou metais como cálcio e manganês. É importante verificar os rótulos, pois excesso de B6, por exemplo, pode causar problemas neurológicos.

Antes de iniciar qualquer suplemento:

  • Consulte seu médico ou farmacêutico;
  • Verifique se há deficiência comprovada;
  • Avalie possíveis interações com outros suplementos ou medicamentos.

A decisão final

Para a maioria das pessoas, uma alimentação rica e variada é suficiente para atender às necessidades diárias de magnésio. O suplemento pode ser útil apenas em casos específicos — como deficiência diagnosticada, enxaquecas recorrentes ou condições médicas que dificultam a absorção do mineral.

Em caso de dúvida, não confie apenas nas promessas das embalagens: busque orientação profissional e lembre-se de que mais nem sempre significa melhor.

 

[ Fonte: The Conversation ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados