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Ciência

Do espaço ao freezer: a tecnologia que está transformando até as verduras congeladas

Satélites, drones, sensores e algoritmos já acompanham alimentos muito antes de chegarem ao supermercado. Essa revolução silenciosa promete mudar qualidade, desperdício e uso de recursos no campo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Um pacote de verduras congeladas pode parecer um dos produtos mais simples encontrados no supermercado, mas existe uma quantidade surpreendente de tecnologia por trás dele. Antes mesmo de ervilhas, brócolis ou outros vegetais serem colhidos, satélites, sensores e sistemas digitais já podem estar acompanhando seu desenvolvimento. Essa transformação está levando a agricultura de precisão para uma indústria em que colher no momento correto pode fazer uma enorme diferença no resultado final.

Satélites e drones agora ajudam a decidir quando uma verdura deve ser colhida

Do espaço ao freezer: a tecnologia que está transformando até as verduras congeladas
© Pexels

A transformação digital da agricultura está chegando com força ao setor de vegetais congelados. Empresas vêm adotando ferramentas capazes de acompanhar praticamente todas as etapas, desde a escolha das sementes até o momento em que o produto finalmente chega ao consumidor.

A Associação Espanhola de Fabricantes de Vegetais Congelados (ASEVEC), que reúne importantes companhias do segmento no país, destaca a expansão da chamada agricultura de precisão.

O conceito utiliza dados e tecnologias digitais para observar as condições de uma plantação em detalhes. Em vez de administrar uma propriedade inteira da mesma maneira, produtores podem identificar necessidades específicas de determinadas parcelas ou até de pequenas áreas dentro de uma mesma plantação.

Imagens produzidas por satélites e drones estão entre as ferramentas utilizadas nesse processo.

A partir delas, é possível acompanhar alterações nos cultivos, identificar diferenças no desenvolvimento das plantas e reunir informações que ajudam os técnicos a determinar o melhor momento para realizar determinadas intervenções.

Segundo Álvaro Aguilar, secretário-geral da ASEVEC, a tecnologia oferece benefícios tanto para as empresas, aumentando eficiência e sustentabilidade, quanto para os consumidores, que recebem produtos ultracongelados com maior controle de qualidade.

Sensores e irrigação inteligente ajudam a usar melhor água e energia

Do espaço ao freezer: a tecnologia que está transformando até as verduras congeladas
© Pexels

A tecnologia não termina quando as imagens chegam do espaço.

Sensores instalados diretamente no campo podem fornecer informações adicionais sobre as condições das plantações. Sistemas de irrigação inteligente utilizam esses dados para melhorar a aplicação de água, enquanto ferramentas de análise permitem acompanhar diferentes variáveis ao longo do ciclo produtivo.

O objetivo é tomar decisões com base no que realmente está acontecendo no campo, reduzindo desperdícios e melhorando a utilização de água, energia e outros insumos.

Algumas empresas já utilizam sistemas que calculam diariamente previsões de colheita.

Para isso, diferentes fontes de informação são combinadas: imagens de satélite, condições meteorológicas, dados históricos e modelos preditivos construídos a partir da experiência agronômica.

Com essas informações, produtores e indústrias conseguem coordenar melhor a colheita e o processamento.

Essa sincronização é particularmente importante no mercado de verduras congeladas. Quanto menor o intervalo entre a colheita no momento adequado e o processamento industrial, maior é a possibilidade de preservar características importantes do alimento.

A tecnologia acompanha o alimento mesmo depois que ele deixa o campo

A digitalização também está presente nas etapas posteriores à colheita.

Sistemas de rastreabilidade permitem acompanhar a trajetória dos vegetais ao longo da cadeia produtiva, enquanto processos automatizados entram em ação durante limpeza, seleção, processamento, embalagem e distribuição.

Existe ainda uma tecnologia central que, apesar de estar presente há muito mais tempo, continua sendo decisiva para essa indústria: a ultracongelação.

O processo reduz rapidamente a temperatura dos alimentos e permite preservar características nutricionais, sensoriais e físicas dos vegetais durante períodos prolongados.

A combinação entre agricultura de precisão e ultracongelamento cria, portanto, uma cadeia tecnológica que começa antes da semente ser colocada no solo e continua até o produto chegar ao freezer.

Segundo representantes do setor, a rastreabilidade também melhora a capacidade de resposta diante de problemas, já que informações sobre origem, processamento e movimentação dos produtos podem ser consultadas com maior precisão.

O campo está se tornando um ambiente cada vez mais orientado por dados

A mudança não afeta apenas a produtividade das empresas.

A digitalização também está modificando o próprio trabalho agrícola. Técnicos e produtores passam a contar com informações mais detalhadas para acompanhar as plantações e decidir quando irrigar, colher ou realizar outras intervenções.

Esse processo contribui para uma profissionalização cada vez maior do setor primário, aproximando atividades tradicionalmente associadas à experiência prática de ferramentas baseadas em análise de dados.

A expectativa das empresas é que a combinação entre conhecimento agronômico e tecnologia permita responder melhor a desafios como escassez de água, aumento dos custos de energia, mudanças climáticas e necessidade de produzir alimentos de maneira mais eficiente.

Para o consumidor, grande parte dessa transformação permanece invisível.

Quando um pacote de verduras congeladas chega ao carrinho do supermercado, dificilmente alguém imagina que satélites podem ter observado aquela plantação, algoritmos ajudaram a prever sua colheita e sensores contribuíram para determinar quanta água deveria ser utilizada.

Mas é justamente essa tecnologia silenciosa que está mudando uma das cadeias mais tradicionais da alimentação. O futuro da agricultura pode estar cada vez mais conectado ao espaço, aos dados e à automação, mesmo quando o produto final parece tão simples quanto um pacote guardado no freezer.

[Fonte: Revista campo]

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