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Ciência

Dois cometas brilhantes vão cruzar o céu da Terra neste mês — veja quando e como observá-los

Os recém-descobertos C/2025 A6 Lemmon e C/2025 R2 SWAN se aproximam da Terra em outubro, prometendo um espetáculo raro e visível até mesmo com binóculos, segundo astrônomos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Dois cometas de brilho intenso estão prestes a oferecer um dos espetáculos astronômicos mais aguardados do ano. Os corpos celestes C/2025 A6 Lemmon e C/2025 R2 SWAN estão cruzando o céu durante outubro, aproximando-se da Terra em trajetórias que permitirão observações a olho nu em locais de pouca poluição luminosa.

Viagem gelada pelo Sistema Solar

Os cometas são compostos de gelo, poeira e rochas, e ao se aproximarem do Sol, o calor faz com que liberem gases e partículas, formando suas icônicas caudas luminosas. O Lemmon foi detectado em 3 de janeiro pelo Observatório Mount Lemmon, no Arizona, enquanto o SWAN foi descoberto em 10 de setembro por Vladimir Bezugly, um astrônomo amador ucraniano, usando imagens do instrumento SWAN (Solar Wind ANisotropies) a bordo do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) — missão conjunta da NASA e da Agência Espacial Europeia.

De acordo com o astrônomo Qicheng Zhang, do Observatório Lowell, no Arizona, essa é uma rara oportunidade para quem ama observar o céu: “Ambos têm órbitas extremamente longas e só estarão próximos da Terra por um breve período.”

O cometa SWAN só voltará a ser visível daqui a cerca de 700 anos, enquanto o Lemmon permanecerá fora do alcance humano por mais de 1.300 anos, segundo Carrie Holt, pesquisadora do Observatório Las Cumbres.

Quando e onde observar

Cometa Lemmon vai passar perto da Terra: entenda como observar
© https://x.com/stobservatory/
  • Cometa SWAN (C/2025 R2): fará sua aproximação máxima em 20 de outubro, a 38,6 milhões de quilômetros da Terra.

  • Cometa Lemmon (C/2025 A6): passará um dia depois, em 21 de outubro, a 88,5 milhões de quilômetros.

Ambos estarão visíveis próximos ao Sol, o que significa que há janelas curtas de observação. O SWAN pode ser visto logo após o pôr do sol, enquanto o Lemmon aparece antes do amanhecer — e em breve também será visível no início da noite.

O Lemmon favorece observadores do hemisfério norte, enquanto o SWAN se destaca no hemisfério sul, embora ambos possam ser observados em latitudes médias com o auxílio de binóculos ou pequenos telescópios.

Relíquias congeladas da origem do Sistema Solar

Os dois cometas vêm da Nuvem de Oort, uma região distante e gelada que cerca o Sistema Solar. Segundo Holt, esses corpos se formaram há bilhões de anos, possivelmente perto de Júpiter e Saturno, antes de serem lançados para as bordas do espaço por forças gravitacionais.

Quando um cometa como o Lemmon ou o SWAN se aproxima do Sol, ele libera materiais que permaneceram praticamente inalterados desde o nascimento do Sistema Solar”, explica Holt. “É como observar cápsulas do tempo cósmicas.”

Como encontrá-los no céu

Para ver os cometas, os especialistas recomendam locais escuros e sem poluição luminosa. Ferramentas gratuitas como Stellarium e KStars mostram a posição exata dos cometas em tempo real.

Atualmente, o cometa Lemmon está localizado logo abaixo da constelação da Ursa Maior, visível em direção ao norte. O SWAN, por sua vez, é mais fácil de observar nas regiões do sul do planeta, especialmente nas primeiras horas da noite.

A astrônoma Carrie Holt sugere tentar fotografá-los com o celular: “Use o modo manual e aumente o tempo de exposição para alguns segundos; muitas vezes é possível capturar a luz do cometa mesmo sem telescópio.”

Quem não tiver céu limpo na noite do 20 de outubro poderá acompanhar uma transmissão ao vivo do fenômeno pelo Virtual Telescope Project, que mostrará imagens de ambos os cometas a partir de telescópios localizados em Manciano, Itália.

Um espetáculo raro e imperdível

Segundo Carson Fuls, diretor do Catalina Sky Survey, que participou da descoberta do Lemmon, o evento promete ser um dos mais marcantes do ano: “Este é especial porque pode ser observado até com binóculos comuns ou, em seu pico de brilho, até a olho nu. Cometas tão brilhantes e próximos são raros e trazem a astronomia de volta para o quintal de casa.”

 

[ Fonte: CNN em Espanhol ]

 

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