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Ciência

Dois tipos de humanos primitivos coexistiram há 3,6 milhões de anos

Imagine descobrir que a evolução humana não seguiu uma única linha, mas vários caminhos ao mesmo tempo. É exatamente isso que um novo estudo revelou: humanos primitivos diferentes viveram lado a lado há mais de 3 milhões de anos. A descoberta muda o que a ciência pensava sobre o bipedalismo e a convivência entre espécies ancestrais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Descoberta na África revela convivência de humanos primitivos

Tudo começou em 2009, quando uma equipe liderada pelo paleoantropólogo Yohannes Haile-Selassie, da Universidade Estadual do Arizona, encontrou oito ossos de um pé fossilizado na região de Woranso-Mille, na Fenda de Afar, na Etiópia.

O fóssil ficou conhecido como “pé de Burtele” e foi encontrado em sedimentos de cerca de 3,4 milhões de anos. Após mais de uma década de pesquisas, o cientista concluiu que o fóssil pertence à espécie Australopithecus deyiremeda.

O mais surpreendente? Essa espécie teria convivido na mesma região com a famosa Lucy, da espécie Australopithecus afarensis, um dos fósseis mais importantes já encontrados.

Isso significa que humanos primitivos não apenas existiram ao mesmo tempo, mas compartilharam o mesmo território.

Entenda as diferenças no jeito de andar sobre duas pernas

Embora ambas as espécies fossem bípedes, a forma de caminhar era diferente — e isso é um dos pontos mais fascinantes da descoberta.

O “pé de Burtele” é considerado mais primitivo que o de Lucy. Ele mantinha um dedão oponível, semelhante ao dos macacos modernos, o que facilitava subir em árvores. Já Lucy tinha o dedão alinhado com os outros dedos, mais próximo do padrão humano atual.

Segundo Haile-Selassie, isso mostra que o bipedalismo — o ato de andar sobre duas pernas — não surgiu de forma única. Havia diferentes maneiras de caminhar na mesma época.

Enquanto o Australopithecus afarensis tinha um andar mais próximo do nosso, o Australopithecus deyiremeda provavelmente se impulsionava com o segundo dedo do pé, da forma que humanos modernos fazem hoje.

Ou seja: os humanos primitivos estavam testando diferentes “versões” de mobilidade ao mesmo tempo.

O que esses ancestrais comiam? Descubra a dieta

Para entender como essas espécies conseguiram coexistir sem competir até a extinção, a pesquisadora Naomi Levin, da Universidade de Michigan, analisou dentes encontrados nos sítios arqueológicos.

Os resultados mostraram que o Australopithecus deyiremeda preferia comer folhas de árvores e arbustos. Já Lucy, além desses alimentos, consumia gramíneas e plantas tropicais, como ciperáceas.

Essa diferença ajudou as espécies a dividir o ambiente sem disputar exatamente os mesmos recursos. Esse tipo de estratégia é comum na natureza ainda hoje.

A dieta distinta foi um dos fatores que permitiu a convivência pacífica entre diferentes humanos primitivos.

Alerta do passado: o que isso ensina sobre o futuro

Mas essa descoberta não fala só sobre fósseis. Segundo Haile-Selassie, estudar esses ecossistemas antigos ajuda a entender problemas atuais, como as mudanças climáticas.

Ele destaca que ciclos de transformação ambiental já aconteceram várias vezes na época desses humanos primitivos. O que vemos hoje não é totalmente novo.

Compreender como antigas espécies se adaptaram pode ajudar a mitigar impactos futuros no nosso próprio mundo.

Um novo capítulo na história da evolução humana

A convivência entre humanos primitivos mostra que a evolução foi muito mais complexa do que uma escada linear. Vários caminhos foram testados ao mesmo tempo. E cada nova descoberta revela que a nossa história é muito mais rica, curiosa e imprevisível do que imaginávamos.

[Fonte: Correio Braziliense]

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