Pular para o conteúdo
Mundo

Dólar em queda acende alerta global e impulsiona moedas rivais em movimento incomum

A moeda americana segue em trajetória de desvalorização e atinge patamar não visto desde 2022. Enquanto o mercado reage com cautela às tensões políticas nos EUA, moedas como euro, iene e franco suíço ganham força, revelando uma nova dinâmica no cenário financeiro internacional.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Apesar de ser historicamente considerada a principal moeda de reserva global, o dólar vem enfrentando dias de pressão. Nesta segunda-feira, a moeda americana recuou ao menor nível desde 2022, reacendendo debates sobre sua estabilidade em meio a incertezas econômicas e políticas nos Estados Unidos.

Pressão política e perda de confiança

Dólar em queda acende alerta global e impulsiona moedas rivais em movimento incomum
© Pexels

O índice DXY, da ICE, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas estrangeiras, chegou a 97,92 nesta segunda-feira (21), mas recuperou parte da queda e operava em 98,25 por volta das 10h30. A queda foi impulsionada principalmente por tensões políticas internas. Críticas recentes do presidente dos EUA à condução da política monetária por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de interferência no comando da instituição.

Segundo Krishna Guha, vice-presidente da Evercore ISI, o mercado está reagindo com desconfiança: “Estamos vendo um sinal claro de que o mercado não aprova nem a ideia de uma possível substituição no Fed. Há perda de confiança na condução da política econômica dos EUA.”

Avanço de moedas rivais e sinal de fuga

O impacto da queda do dólar foi rapidamente percebido no fortalecimento de outras moedas. O euro, por exemplo, subiu 1,3% em relação ao dólar. O iene japonês e o franco suíço também registraram valorização, refletindo o movimento de investidores buscando refúgio em alternativas consideradas mais estáveis diante da turbulência econômica norte-americana.

De acordo com o Financial Times, o comportamento atual do euro e dos títulos do governo alemão revela uma possível “fuga de capitais” para ativos considerados seguros na zona do euro. O jornal destaca que, em situações normais, o fortalecimento do euro costuma vir acompanhado da queda nos bônus alemães — mas agora ambos estão em alta, sinalizando um comportamento atípico do mercado.

Essa inversão de padrão sugere um movimento coordenado de investidores se afastando dos ativos americanos e buscando proteção em papéis europeus. O euro subiu cerca de 5% em relação ao dólar somente neste mês. Além disso, os juros dos títulos de dois anos dos EUA estão cerca de 2 pontos percentuais acima dos equivalentes alemães, frente a uma diferença de 1,7 ponto no início de março.

Com um cenário político instável e tensões comerciais em alta, o status do dólar como ativo seguro volta a ser questionado, enquanto outras economias passam a atrair um fluxo maior de investimentos.

[Fonte: InfoMoney]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados