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Ciência

Doses altas de vitamina D foram associadas a melhor desempenho cognitivo em adultos com risco de demência

Estudo com adultos que apresentavam comprometimento cognitivo leve e problemas de sono encontrou resultados melhores entre aqueles que consumiam pelo menos 5.000 UI por dia, mas pesquisadores ainda não demonstraram uma relação de causa e efeito
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Tempo de leitura: 3 minutos

A vitamina D é mais conhecida por sua importância para os ossos e músculos. Mas pesquisadores investigam há algum tempo se ela também desempenha algum papel na saúde cerebral.

Um novo estudo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, encontrou uma associação interessante: adultos com comprometimento cognitivo leve e problemas de sono que consumiam doses elevadas de vitamina D apresentaram melhor desempenho em um teste cognitivo.

O resultado chama atenção, mas vem acompanhado de uma ressalva importante. A pesquisa não demonstra que tomar grandes quantidades de vitamina D melhora a memória ou previne demência.

O estudo acompanhou pessoas com sinais iniciais de deterioração

Proteger O Cérebro
© Teeradej – Shutterstock

Publicado na revista Sleep Medicine, o trabalho analisou 54 adultos que apresentavam simultaneamente distúrbios do sono e comprometimento cognitivo leve, conhecido pela sigla MCI.

Essa condição envolve alterações de memória e outras habilidades cognitivas maiores do que aquelas normalmente esperadas com o envelhecimento, mas que ainda não comprometem a vida cotidiana da mesma maneira que uma demência.

Nem todas as pessoas com MCI desenvolverão Alzheimer ou outra forma de demência. Ainda assim, esse grupo é considerado importante para pesquisas que buscam identificar possíveis formas de preservar a saúde cerebral antes que alterações mais graves apareçam.

O resultado chamou atenção para doses acima de 5.000 UI

Os pesquisadores analisaram o consumo declarado de suplementos de vitamina D e compararam esses dados com os resultados do Montreal Cognitive Assessment, conhecido como MoCA.

O teste avalia diferentes funções cerebrais, incluindo memória, atenção, linguagem e raciocínio.

Segundo a Universidade Emory, participantes que consumiam pelo menos 5.000 unidades internacionais de vitamina D por dia apresentaram pontuações mais de 13% superiores às daqueles que não ingeriam essa quantidade.

É um resultado significativo, mas não significa que aumentar a dose de vitamina D produzirá automaticamente uma melhora de 13% na capacidade cognitiva.

O estudo observou uma associação. Não estabeleceu uma relação direta de causa e efeito.

Sono e saúde cerebral estão relacionados

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© unsplash

A escolha de participantes com problemas de sono também não aconteceu por acaso.

Distúrbios do sono são frequentes entre pessoas com comprometimento cognitivo e Alzheimer. Além disso, a relação parece ser complexa: alterações cerebrais podem prejudicar o sono, enquanto problemas persistentes de descanso também são estudados como possíveis fatores relacionados à saúde cognitiva.

A vitamina D, por sua vez, participa de diversas funções do organismo e vem sendo investigada por sua possível relação com mecanismos envolvidos no sono e nos ciclos de vigília.

Para Victoria Pak, professora associada da Escola de Enfermagem Nell Hodgson Woodruff e principal autora do estudo, pessoas que apresentam simultaneamente problemas de sono e comprometimento cognitivo leve podem representar um grupo especialmente importante para intervenções precoces.

Isso não significa que você deva tomar 5.000 UI

Esse é provavelmente o ponto mais importante da pesquisa.

O estudo não recomenda que pessoas aumentem por conta própria o consumo de vitamina D para proteger o cérebro.

A quantidade de 5.000 UI por dia é superior ao limite máximo tolerável de ingestão diária de 4.000 UI estabelecido para adultos por autoridades de saúde americanas, salvo situações específicas acompanhadas por profissionais.

O consumo excessivo e prolongado de vitamina D pode provocar toxicidade, aumentando demais os níveis de cálcio no sangue e causando problemas como náuseas, fraqueza e complicações renais.

Além disso, a pesquisa analisou apenas 54 pessoas e utilizou informações sobre suplementação já realizada pelos participantes.

Uma pista, não um tratamento contra o Alzheimer

Os resultados são interessantes justamente porque apontam para uma possível relação que poderá ser investigada em estudos maiores e controlados.

Será necessário descobrir se a própria vitamina D explica a diferença observada ou se outros fatores presentes entre aqueles que tomavam suplementos contribuíram para o melhor desempenho.

Por enquanto, portanto, a conclusão não é que altas doses de vitamina D previnam Alzheimer ou recuperem a memória.

O estudo oferece algo mais modesto, mas cientificamente importante: uma pista de que a relação entre vitamina D, sono e funcionamento cerebral merece ser investigada com mais profundidade.

 

[ Fonte: Clarín ]

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