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Tecnologia

União Europeia exige que TikTok interrompa ciclos de recomendações que podem prejudicar usuários

Comissão Europeia afirma que a ByteDance pode receber multa de até 6% do faturamento global anual se não modificar os algoritmos da plataforma.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A ByteDance, dona do TikTok, pode enfrentar uma multa de até 6% de seu faturamento global se descumprir uma determinação da União Europeia para corrigir os chamados “rabbit holes”. A expressão descreve ciclos de recomendações que levam usuários a consumir conteúdos cada vez mais concentrados em determinados temas.

Na sexta-feira, a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, afirmou que sua investigação concluiu que o algoritmo de recomendação do TikTok viola a Lei dos Serviços Digitais, conhecida pela sigla DSA. A legislação exige que grandes plataformas adotem medidas para proteger usuários de determinados riscos.

A discussão não envolve necessariamente conteúdos ilegais. Para a Comissão, o problema está na avaliação e na redução dos danos que podem surgir quando a plataforma recomenda repetidamente certos vídeos, incluindo o agravamento de problemas de saúde mental e transtornos alimentares.

Um exemplo é o conteúdo que promove padrões extremos de magreza, associado a expressões como “thinspo” e “SkinnyTok”. O TikTok bloqueou a busca pela segunda expressão em 2025.

Quando o algoritmo entrega mais do mesmo

Os reguladores destacaram a possibilidade de o TikTok direcionar usuários jovens ou vulneráveis a sequências de vídeos sobre temas como imagem corporal e isolamento.

Uma pesquisa recente da Fundação Molly Rose encontrou um cenário preocupante no Reino Unido: quase metade das meninas e um terço dos adolescentes entrevistados disseram ter visto conteúdos relacionados a suicídio, automutilação ou transtornos alimentares nas redes sociais durante a semana anterior.

A fundação leva o nome de Molly Russell, que morreu aos 14 anos em 2017. Seu pai atribui um papel à exposição a conteúdos no Instagram nas circunstâncias que levaram à morte.

Um conjunto crescente de pesquisas também associa a ruminação nas redes sociais a resultados psicológicos negativos. O termo descreve pensamentos repetitivos que permanecem voltando a experiências e emoções desagradáveis.

Entretanto, a pesquisa sobre os efeitos dos algoritmos ainda está longe de oferecer uma resposta única para todas as plataformas e situações.

Os estudos também apresentam diferenças importantes

Um trabalho do Laboratório de Ciências Sociais Computacionais da Universidade da Pensilvânia, publicado em 2025, tentou modelar o impacto do YouTube sobre seus usuários.

Os resultados sugeriram que as escolhas das próprias pessoas, mais do que os algoritmos, poderiam explicar a formação de “bolhas de filtro”: ambientes nos quais o usuário encontra principalmente conteúdos que reforçam suas opiniões.

O estudo também não encontrou evidências de que esses ciclos de recomendações levassem os espectadores a posições políticas mais extremas.

Há, porém, um limite importante nessa comparação. A pesquisa não avaliou se recomendações repetitivas sobre outros assuntos, como imagem corporal, poderiam intensificar percepções negativas sobre si mesmo.

O artigo original também menciona uma revisão interna do TikTok obtida pela Bloomberg em 2025. Segundo o documento, Chase Nasca, um americano de 16 anos que morreu por suicídio em 2022 após assistir a sequências de vídeos sobre tristeza e automutilação, estava entre os 10% de usuários de um grupo de controle que não recebeu atualizações destinadas a evitar esses ciclos prejudiciais.

Comissão Europeia questiona o modelo de negócios

A Comissão deixou claro que considera o sistema de recomendações parte da estratégia comercial do TikTok. Um representante do órgão afirmou a jornalistas que a investigação trata de um modelo de negócios.

Henna Virkkunen, principal autoridade da Comissão para políticas de tecnologia, explicou que cada rolagem ou curtida pode resultar em mais vídeos semelhantes. Na avaliação dela, isso pode conduzir usuários a sequências das quais é difícil sair.

Virkkunen também cobrou esforços adicionais para proteger o bem-estar das pessoas que usam a plataforma, incluindo menores de idade.

O TikTok contestou as conclusões. Um porta-voz afirmou que as declarações da Comissão contêm erros fundamentais e distorcem tanto a arquitetura da plataforma quanto seu compromisso com a segurança.

A empresa também defendeu seu histórico de proteção à comunidade e afirmou oferecer controles diretos e intuitivos para que os usuários administrem sua experiência de conteúdo.

A pressão sobre o TikTok vai além desta investigação

As conclusões fazem parte de uma ofensiva mais ampla das autoridades europeias. Em fevereiro de 2026, a Comissão já havia apresentado avaliações preliminares segundo as quais recursos como rolagem infinita, reprodução automática, notificações e recomendações personalizadas provavelmente violavam a DSA.

Na ocasião, o TikTok classificou as conclusões como categoricamente falsas.

A disputa também se estende aos Estados Unidos. Na sexta-feira, TikTok, Google e Meta apresentaram ações judiciais separadas contra uma lei da Califórnia que proíbe plataformas de oferecer recursos considerados psicologicamente exploratórios a menores de 16 anos.

O embate coloca no centro do debate uma questão que ultrapassa a moderação de vídeos individuais: a responsabilidade das plataformas pela maneira como organizam, repetem e distribuem conteúdos aos usuários.

 

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