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Ciência

Dragão azul venenoso reaparece e praias da Espanha entram em alerta

Um visitante improvável voltou a dar as caras no litoral espanhol: o dragão azul, uma lesma marinha rara e venenosa que parece saída de uma obra de ficção científica. O fenômeno assustou banhistas e fez as autoridades hastearem a bandeira vermelha em diversas praias da Espanha.
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Os primeiros exemplares do dragão azul (Glaucus atlanticus) foram vistos em Guardamar del Segura, em Alicante, e logo surgiram também em Valência, Lanzarote, Santa Bárbara e até em Maiorca. Diante da aparição, as autoridades suspenderam temporariamente os banhos e reforçaram a vigilância.

O prefeito de Guardamar, José Luis Sáez, foi direto: “Se houver contato, lave com água salgada e procure um posto de saúde. A picada pode causar náusea, dor e vômito”. Ele ainda alertou que não se deve tocar no animal, “nem mesmo com luvas”, e pediu que banhistas avisem salva-vidas ou polícia caso encontrem novos exemplares.

Beleza que engana

Dragão azul venenoso reaparece e praias da Espanha entram em alerta
© https://x.com/Distinctboxes

O dragão azul chama atenção pela aparência única: tem três pares de apêndices pontiagudos que lembram asas, dando a impressão de um ser em voo. Ele flutua de costas — o lado azul brilhante fica voltado para o céu, ajudando na camuflagem contra predadores aéreos, enquanto o lado prateado se mistura com o mar iluminado.

Mas a beleza esconde perigo. Apesar de medir só 3 a 4 centímetros, o animal é um predador eficiente. Seus tentáculos, chamados cerata, concentram células urticantes altamente venenosas. Pior: ele se alimenta de espécies como a caravela-portuguesa e acumula suas toxinas, ficando ainda mais potente.

Risco real ou exagero?

Segundo o biólogo Juan Lucas Cervera, da Universidade de Cádiz, fechar praias por causa de três ou quatro indivíduos pode ser um “exagero”. Ele lembra que as lesões provocadas pelo dragão azul venenoso costumam ser leves e raras, nada comparadas às da própria caravela-portuguesa.

Ainda assim, a presença dessa criatura continua sendo incomum no Mediterrâneo, e a recomendação oficial permanece: manter distância e avisar imediatamente as autoridades em caso de avistamento.

O ressurgimento do dragão azul é um lembrete curioso de como o mar guarda surpresas, nem sempre bem-vindas. Entre a beleza e o perigo, essa lesma marinha vira protagonista de um debate: exagero das autoridades ou precaução necessária?

[Fonte: UOL]

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