No dia 13 de abril de 2029, o asteroide Apophis fará uma das aproximações mais impressionantes já registradas. Ele passará a apenas 32 mil quilômetros da Terra — mais perto do que muitos satélites em órbita. Apesar do apelido alarmante de “asteroide do apocalipse”, os cálculos mais recentes descartam qualquer risco de impacto.
Mas isso não diminui o interesse científico. Pelo contrário: o evento se transformou em uma oportunidade única. Cientistas, agências espaciais e empresas privadas estão se mobilizando para estudar o comportamento do asteroide sob a influência da gravidade terrestre — e até tentar pousar em sua superfície.
Um encontro raro e valioso
🚨 Atenção: l Apophis, asteroide que se aproximará da Terra em 2029, pode decretar o fim da humanidade pic.twitter.com/Luj4RYmFEK
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) May 27, 2024
Descoberto em 2004, Apophis tem cerca de 400 metros de diâmetro. No início, chegou a ser considerado uma ameaça real, com uma pequena probabilidade de colisão com a Terra. Novas observações, no entanto, descartaram esse risco por pelo menos um século.
Ainda assim, sua passagem extremamente próxima o torna um alvo perfeito para estudo. Durante o evento, o asteroide será visível a olho nu em algumas regiões do planeta, cruzando o céu como um ponto brilhante em movimento.
Mais importante: os cientistas querem entender como a gravidade da Terra pode alterar sua estrutura interna e sua rotação. Essas informações são essenciais para futuras estratégias de defesa planetária — caso um asteroide realmente perigoso seja identificado.
Empresas privadas entram na corrida espacial
Além das agências governamentais, empresas privadas também querem aproveitar essa oportunidade. Uma delas é a ExLabs, uma companhia aeroespacial dos Estados Unidos que está desenvolvendo uma missão específica para Apophis.
A nave principal, chamada ApophisExL, tem lançamento previsto para 2028 e funcionará como uma espécie de “caminhão espacial”. Ela poderá transportar até 10 instrumentos científicos e módulos de diferentes clientes.
Entre eles, estão dois módulos de pouso. Um deles ainda não teve detalhes divulgados. O outro foi desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Chiba, no Japão, e tem um tamanho comparável ao de uma caixa de sapato.
Pousar em um asteroide não é nada simples
A tentativa de pouso será extremamente delicada. Diferente da Terra ou de Marte, a gravidade de Apophis é muito baixa, o que torna qualquer movimento imprevisível.
O módulo japonês, por exemplo, será liberado a cerca de 400 metros da superfície e descerá a uma velocidade de apenas 10 centímetros por segundo. O processo levará cerca de uma hora até o contato com o solo, enquanto câmeras registram imagens continuamente.
Essas manobras só serão realizadas dias após a passagem do asteroide pela Terra. O motivo é evitar qualquer interferência na trajetória durante o momento mais crítico. Mesmo um pequeno impacto poderia ser amplificado pela gravidade terrestre.
Missões internacionais também entram em cena

As agências espaciais não ficaram de fora. A Agência Espacial Europeia (ESA), em parceria com a agência japonesa JAXA, prepara a missão RAMSES.
O objetivo é chegar até Apophis em fevereiro de 2029, dois meses antes de sua aproximação máxima. A missão pretende observar diretamente como a gravidade da Terra afeta o asteroide.
A sonda levará dois CubeSats — pequenos satélites do tamanho de uma maleta. Um deles poderá pousar na superfície com um sismômetro, capaz de detectar vibrações e possíveis deslizamentos causados pelo “estresse gravitacional”.
Esses dados são valiosos porque podem revelar a composição interna do asteroide — se ele é sólido ou formado por um aglomerado de rochas soltas, por exemplo.
Um passo além da ciência: mineração espacial
Além da pesquisa científica, há um interesse estratégico por trás dessas missões. Asteroides como Apophis podem conter metais raros e valiosos, como platina e níquel.
As empresas envolvidas veem essas missões como um treinamento para futuras operações de mineração espacial. Aprender a pousar, coletar dados e operar em ambientes de baixa gravidade é um passo essencial para esse futuro.
Embora a exploração comercial ainda esteja distante, o conhecimento adquirido pode abrir um novo capítulo na economia espacial.
O que está em jogo em 2029
A passagem de Apophis será mais do que um espetáculo astronômico. Será um teste real para tecnologias, estratégias e colaborações internacionais.
Pela primeira vez, a humanidade terá a chance de estudar um asteroide desse porte tão de perto — e em tempo real — enquanto ele interage com a gravidade da Terra.
Se tudo correr como planejado, esse encontro pode transformar não apenas nossa compreensão dos asteroides, mas também nossa capacidade de nos proteger deles no futuro.
[ Fonte: El Confidencial ]