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Ciência

É possível viver 150 anos ou ser imortal? O que a ciência sabe sobre os limites da longevidade

Com avanços em biotecnologia, células-tronco e tratamentos de doenças crônicas, a ciência investiga como retardar o envelhecimento. Mas viver até 150 anos ou alcançar a imortalidade ainda é, segundo especialistas, um objetivo distante. Descubra o que a ciência sabe hoje e quais são as apostas para o futuro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A possibilidade de viver 150 anos ou até se tornar imortal fascina cientistas, líderes políticos e a sociedade. Recentemente, o presidente da China, Xi Jinping, mencionou essa hipótese durante uma conversa com Vladimir Putin e Kim Jong-un, reacendendo o debate sobre os limites da longevidade humana. Mas, afinal, isso é possível? Segundo especialistas, a resposta é não — pelo menos com a tecnologia e o conhecimento que temos hoje.

O que sabemos sobre o limite da vida humana

Pesquisas atuais indicam que o limite biológico da vida está entre 120 e 125 anos. A pessoa mais velha já registrada foi a francesa Jeanne Calment, que faleceu aos 122 anos, em 1997. Desde então, ninguém conseguiu superar essa marca.

Um estudo publicado na revista The Lancet em 2024 mostrou que a expectativa de vida global deve aumentar, no máximo, cinco anos até 2050, chegando a uma média de 78 anos. Para o geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), isso indica que estamos próximos de um platô natural.

“O mais provável é que mais pessoas cheguem aos 100 anos, mas dificilmente passaremos muito além disso”, afirma Oliva.

Por que não chegamos aos 150 anos

Viver até os 100 anos com saúde é possível — mas exige preparo. Peter Attia propõe cinco pilares para isso: exercício, nutrição, sono, equilíbrio emocional e apoio médico.
© Unsplash

De acordo com o médico Milton Crenitte, doutor em Ciências pela USP, a longevidade humana tem barreiras biológicas claras. Danos celulares acumulados, mutações genéticas, alterações nos cromossomos e o envelhecimento dos sistemas imunológico e neurológico criam um limite natural para a vida.

Para romper essa barreira e permitir que alguém viva até 150 anos, seria necessária uma revolução biotecnológica. Isso envolveria desde reparos celulares em larga escala até a substituição de órgãos e tecidos danificados, algo que ainda está longe de se tornar realidade.

Como a biotecnologia pode mudar o futuro

Apesar das limitações atuais, a biotecnologia surge como a principal aliada para retardar o envelhecimento e aumentar a expectativa de vida saudável.

Segundo Valquiria Bueno, professora da Unifesp e responsável pelo Laboratório de Imunologia do Envelhecimento, pesquisas com células-tronco já mostram resultados promissores:

  • Produção de novas células nervosas para prevenir doenças como Alzheimer

  • Geração de células cardíacas saudáveis para reparar tecidos danificados

  • Desenvolvimento de terapias genéticas para desacelerar processos degenerativos

Ainda assim, transformar essas descobertas em tratamentos eficazes e acessíveis pode levar décadas.

Longevidade saudável: mais importante que viver mais

Ancian
© Pixabay/moshehar

Mais do que acumular anos de vida, especialistas defendem que o foco deve estar em viver com saúde. Estudos com centenários e supercentenários indicam que a longevidade depende de uma combinação de fatores:

  • Genética favorável

  • Hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física e socialização

  • Ambiente e qualidade de vida: acesso a saneamento, baixa poluição e menor exposição a doenças graves

Para Oliva, é essencial priorizar anos livres de doenças:

“A busca não deve ser viver muito, mas viver bem.”

Desafios do futuro

Além das barreiras biológicas, há fatores globais que podem impactar diretamente a longevidade, como pandemias, crises climáticas e desigualdade social. Mesmo com avanços científicos, os especialistas alertam que não existe previsão realista de que alguém viva 150 anos ou que a imortalidade seja alcançada neste século.

Enquanto isso, recomenda-se investir em hábitos saudáveis que comprovadamente aumentam a expectativa e a qualidade de vida:

  • Praticar atividade física regular

  • Ter uma alimentação balanceada

  • Dormir bem

  • Evitar álcool e tabaco

  • Cuidar da saúde mental

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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