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Ciência

E se você não tiver TDAH, mas o TikTok te fez acreditar que sim?

Vídeos curtos, linguagem envolvente e identificação imediata: assim, milhares de pessoas estão se convencendo de que têm transtornos como TDAH apenas com base em conteúdos virais. Mas até que ponto isso é autoconhecimento — ou um diagnóstico sem fundamento que pode trazer mais mal do que bem?
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Tempo de leitura: 2 minutos

Nos últimos anos, o debate sobre saúde mental nas redes sociais cresceu — e com ele, um novo fenômeno. A cada rolagem no feed, encontramos vídeos que prometem identificar transtornos com base em hábitos cotidianos. Embora isso possa ajudar a reduzir estigmas, há um risco crescente: o autodiagnóstico baseado em conteúdos virais, e não em avaliações clínicas reais.

A era dos diagnósticos em vídeo

“Se você faz isso, pode ter TDAH”; “Você sabia que isso é sinal de autismo?” — frases como essas viralizam em vídeos curtos no TikTok, Instagram e YouTube Shorts. Muitos desses conteúdos são simplificados a tal ponto que qualquer pessoa pode se identificar com os sintomas. O problema começa quando essa identificação vira certeza.

TDAH, ansiedade, autismo e até traços narcisistas passaram a ser tratados como tendências, em vez de quadros clínicos sérios. Milhares de jovens assistem a esses vídeos e passam a acreditar que têm algum transtorno psicológico — sem nunca terem conversado com um especialista.

Por trás disso, há uma necessidade legítima: entender-se melhor. Mas quando o algoritmo substitui o terapeuta, os riscos se multiplicam. A lógica das redes favorece o que gera emoção, identificação e compartilhamentos — mesmo que isso comprometa a precisão ou a responsabilidade do conteúdo.

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© Cottonbro Studio – Pexels

Psicologia na era dos likes

As redes sociais trouxeram ganhos reais para a saúde mental, como a quebra de tabus e o incentivo à busca por ajuda. Mas também criaram um terreno fértil para confusões, exageros e diagnósticos precipitados.

Profissionais sérios usam as redes para compartilhar informações de qualidade. Porém, muitos vídeos populares não vêm de fontes confiáveis. Como alerta a psicóloga Claudia Pradas, é cada vez mais comum que pacientes cheguem ao consultório já certos de que têm um transtorno — baseando-se apenas em um vídeo viral.

“Confundimos identificação com diagnóstico”, explica Pradas. Sentir-se próximo de uma experiência não significa ter um transtorno mental. E assumir um diagnóstico sem embasamento pode atrasar o tratamento correto ou até agravar o sofrimento.

Redes sociais não são consultórios

Falar de saúde mental é necessário. Mas é preciso distinguir entre visibilidade e validação clínica. As redes podem ser ferramentas úteis, desde que não substituam o papel de profissionais capacitados. No fim das contas, autoconhecimento de verdade exige mais do que um vídeo de 30 segundos — exige responsabilidade e orientação adequada.

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