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Tecnologia

Elon Musk quer transformar a Starlink em algo muito maior, e as operadoras de celular podem ter um novo rival

A SpaceX conseguiu novas autorizações nos Estados Unidos e prepara uma mudança ambiciosa na Starlink. O objetivo pode transformar a cobertura móvel, mas existem obstáculos importantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine viajar por uma estrada isolada, longe de qualquer torre de telefonia, e continuar utilizando seu celular normalmente. Durante décadas, a cobertura móvel dependeu de antenas terrestres espalhadas pelo território. Agora, Elon Musk pretende mudar parte dessa lógica utilizando uma infraestrutura que já está no espaço. A SpaceX deu mais um passo nessa direção, aproximando a Starlink de um mercado dominado por algumas das maiores operadoras de telecomunicações do mundo.

SpaceX conquista novas frequências para ampliar os serviços da Starlink

Em 21 de outubro de 2026, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) autorizou a SpaceX a adquirir três licenças de espectro radioelétrico da Tristar License Group.

As licenças pertencem à faixa AWS-3, entre 1695 e 1710 MHz, e abrangem áreas de oito estados estadunidenses, equivalentes a aproximadamente 4% da população do país.

Essas frequências são destinadas a transmissões ascendentes, permitindo que dispositivos enviem sinais em direção à rede.

A autorização também inclui uma dispensa de determinadas exigências relacionadas à implantação de infraestrutura terrestre.

Entretanto, isso não significa que a Starlink recebeu permissão para oferecer telefonia móvel ilimitada em todo o território estadunidense.

O movimento amplia os recursos necessários para desenvolver uma rede capaz de conectar celulares diretamente a satélites.

No início de outubro, a empresa também anunciou um acordo para adquirir até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz.

Essa frequência é especialmente interessante para melhorar a cobertura em ambientes internos, embora a operação ainda dependa de aprovação regulatória definitiva.

A tecnologia que pode levar sinal de celular diretamente do espaço

O projeto faz parte da estratégia de expansão da Starlink Mobile, iniciativa que pretende combinar conectividade por satélite e redes terrestres.

Sua principal aposta é a tecnologia Direct to Cell, desenvolvida para permitir que celulares compatíveis se comuniquem diretamente com satélites em órbita baixa.

Diferentemente da internet residencial da Starlink, essa modalidade não exige que o usuário instale uma antena parabólica convencional.

A proposta é especialmente relevante para regiões rurais, estradas afastadas e locais onde construir torres de telefonia representa um investimento elevado.

Em 6 de outubro, a SpaceX recebeu autorização para implantar uma constelação de até 15 mil satélites destinados a serviços móveis de nova geração.

A decisão da FCC, registrada como DA-26-1078, estabelece condições específicas de operação.

Isso não significa, entretanto, que todos esses equipamentos já estejam no espaço.

O desafio técnico continua considerável: celulares possuem antenas pequenas e potência limitada, enquanto os satélites operam a centenas de quilômetros de distância.

Além disso, oferecer conexão em uma área isolada é muito diferente de atender simultaneamente milhares de usuários em uma cidade.

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© Salt – SpaceX

Starlink quer competir com gigantes da telefonia, mas ainda precisará de antenas

A ambição de Elon Musk coloca a SpaceX em uma possível disputa com empresas como Verizon, AT&T e T-Mobile.

Entretanto, a própria companhia reconhece que sua futura infraestrutura deverá combinar sistemas espaciais e terrestres.

Em comunicado divulgado em 8 de outubro, a SpaceX apresentou planos para desenvolver uma rede híbrida, utilizando satélites para ampliar a cobertura e instalações terrestres para fornecer capacidade adicional.

Essa combinação será necessária porque as redes celulares convencionais continuam oferecendo vantagens importantes em locais com grande concentração de usuários.

A faixa de 800 MHz, cuja aquisição ainda depende de aprovação, também poderá ajudar a melhorar a conectividade dentro de edifícios.

Mas construir uma operadora competitiva exige muito mais do que satélites e frequências.

A empresa precisará lidar com compatibilidade de aparelhos, acordos comerciais, atendimento aos consumidores, qualidade do serviço e investimentos em infraestrutura.

Segundo análise da Reuters, os custos de competir diretamente com operadoras tradicionais podem superar significativamente aqueles associados ao lançamento de satélites.

O que muda para quem utiliza celular no Brasil?

Embora as autorizações recentes estejam relacionadas ao mercado estadunidense, a expansão da conectividade direta por satélite pode influenciar o setor de telecomunicações internacionalmente.

Para países com grandes extensões territoriais, como o Brasil, a tecnologia apresenta possibilidades interessantes.

Regiões rurais, estradas remotas e localidades com infraestrutura limitada poderiam se beneficiar de serviços capazes de complementar as redes convencionais.

Entretanto, as novas licenças estadunidenses não autorizam automaticamente a Starlink a oferecer telefonia móvel no Brasil.

Qualquer expansão dependerá de regras locais, disponibilidade de frequências, acordos comerciais e compatibilidade tecnológica.

Também não existe garantia de que a conexão por satélite oferecerá imediatamente a mesma velocidade e capacidade das redes 4G e 5G terrestres.

Por enquanto, a Starlink Mobile representa uma estratégia em desenvolvimento, não uma substituição completa das operadoras tradicionais.

A mudança mais importante está na possibilidade de transformar os satélites em parte permanente da infraestrutura móvel.

Se o projeto avançar, as empresas que dominaram a telefonia durante décadas poderão enfrentar uma concorrente cuja rede começou a ser construída centenas de quilômetros acima da Terra.

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