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Empresas dos EUA pressionam contra tarifaço e alertam: “Brasil pode se aproximar ainda mais da China”

Associações e companhias americanas, incluindo gigantes como a Daimler Truck, pediram ao governo dos EUA que alivie tarifas sobre produtos brasileiros. O argumento vai além da economia: endurecer medidas comerciais poderia empurrar o Brasil para maior proximidade com a China. A disputa revela como comércio e geopolítica estão entrelaçados.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O setor privado dos Estados Unidos abriu fogo contra o tarifaço da Seção 301 e pediu ao governo de Joe Biden que alivie medidas que afetam produtos brasileiros. Em ofícios enviados ao USTR (United States Trade Representative), empresas alegam que as sobretaxas encarecem a produção local e podem ter efeito colateral indesejado: estimular a aproximação do Brasil com a China, fortalecendo a presença de Pequim no maior mercado da América do Sul.

A advertência da Daimler Truck

Daimler Truck
© X – @DaimlerTruckUK

Uma das manifestações mais contundentes veio da Daimler Truck North America, que controla cerca de 40% do mercado de caminhões pesados nos EUA. A empresa disse possuir 19 fornecedores brasileiros de peças e componentes, alguns deles subsidiárias de companhias americanas que se instalaram no país.

A Daimler foi além da questão comercial e acendeu o alerta geopolítico. “Adotar uma postura mais agressiva com o Brasil reforçará seu engajamento com outros países como forma de contrabalancear o prejuízo provocado por uma resposta dura dos Estados Unidos. Entre esses riscos está uma presença mais ampla da China no Brasil”, afirmou em documento.

Segundo a empresa, cooperar com o Brasil em melhorias comerciais seria mais estratégico do que impor tarifas adicionais.

Cosméticos e cuidados pessoais em risco

Outro setor a se mobilizar foi o de cosméticos. O National Care Products Council, que representa fabricantes de cuidados pessoais, pediu à Casa Branca que negocie com o governo brasileiro em vez de aplicar tarifas amplas.

“Esses insumos são essenciais para manter nossa qualidade, inovação e competitividade global”, declarou a vice-presidente Natalie Obermann.

Ela pediu que, caso medidas sejam inevitáveis, os produtos de cosméticos e seus insumos sejam excluídos das tarifas. Segundo Obermann, ações generalizadas podem não apenas limitar o acesso a mercados estratégicos, como também abrir espaço para represálias comerciais do Brasil contra exportadores americanos.

A madeira tropical e a sustentabilidade

O setor madeireiro também entrou na disputa. Stephen Popp, presidente da Popp Forest Products, destacou que importa madeira tropical brasileira com certificações independentes que atestam origem legal e práticas sustentáveis.

“As madeiras tropicais que importamos são utilizadas em setores de infraestrutura dos EUA, em que desempenho, durabilidade e sustentabilidade são essenciais”, afirmou.

Ele alertou que sobretaxas poderiam prejudicar cadeias responsáveis e favorecer a entrada de produtos ilegais. Popp pediu exclusão para o código HTS 4407.29.02, que abrange madeiras nobres brasileiras, a fim de proteger empresas que investem em auditoria e práticas sustentáveis.

O pano de fundo: Seção 301

As manifestações ocorreram dentro do processo da Seção 301, que permite a Washington impor punições comerciais a países considerados desleais. A consulta pública termina nesta segunda-feira (18) e pode resultar em novas medidas contra exportações brasileiras.

Empresas alertam que um endurecimento sem exceções traria efeitos perversos, desde encarecimento de produtos no mercado americano até a perda de influência estratégica dos EUA no Brasil.

Comércio, diplomacia e o “risco China”

Parceria em xeque? O que o Brasil precisa enxergar além dos números no comércio com a China
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A pressão do setor privado expõe como a disputa vai além das cifras. Para executivos, penalizar o Brasil abre espaço para maior influência da China, principal parceiro comercial brasileiro e cada vez mais presente em setores estratégicos no país.

O recado é claro: para proteger sua própria competitividade e manter laços estratégicos na América Latina, os EUA precisam calibrar o uso de tarifas com mais cautela.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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