À primeira vista, pode parecer que os homens jovens estão apenas “desmotivados”. Mas ao analisar os dados, percebe-se algo muito mais profundo e preocupante. Uma geração inteira está se afastando do mercado de trabalho, das relações afetivas e da própria saúde mental — e o Brasil não está imune a esse fenômeno global.
O que está acontecendo com os homens jovens?
O professor Scott Galloway, da Universidade de Nova York, chama atenção para um cenário alarmante: homens jovens têm quatro vezes mais chance de cometer suicídio, três vezes mais de desenvolver vícios e até doze vezes mais de serem presos.
O problema vai além das estatísticas. Muitos desses jovens não conseguem se inserir no mundo adulto. Enfrentam dificuldades para encontrar trabalho, evitar o isolamento e construir relacionamentos saudáveis. Refugiam-se em jogos, pornografia e redes sociais, acumulando frustrações em silêncio.
Enquanto isso, as mulheres seguem avançando: mais escolaridade, mais renda, mais autonomia. Isso não deve ser visto como um problema — mas o contraste expõe o quanto os homens precisam de apoio para não ficarem para trás.
Amor, desigualdade e ausência emocional
Nas relações afetivas, os desequilíbrios também se intensificam. No Brasil, muitas mulheres jovens conquistaram maior estabilidade emocional e econômica, enquanto seus parceiros do mesmo grupo etário parecem perdidos ou despreparados.
Galloway aponta que só um em cada três homens jovens mantém um relacionamento, enquanto muitas mulheres preferem parceiros mais velhos. O motivo? Dificuldade dos jovens em contribuir emocionalmente, financeiramente ou até mesmo em assumir responsabilidades básicas.
Essa lacuna emocional gera rupturas, distanciamento e até descrença nas relações heterossexuais. Para algumas mulheres, estar sozinha é melhor do que carregar uma relação desigual.

Redefinir o que é “ser homem” no século XXI
Segundo Galloway, é urgente repensar o papel masculino — não com base em estereótipos tóxicos, mas sim em três pilares: prover, proteger e criar vínculos significativos.
Prover não significa ser o mais rico, mas assumir sua parte nos cuidados com a casa. Proteger vai além da força física: é agir com empatia e responsabilidade. E ser um “criador” é cultivar relações profundas, família e propósito.
O desafio é de todos, não apenas dos homens
A crise masculina não deve ser usada para invalidar o avanço das mulheres. Pelo contrário: apoiar os homens é também uma forma de proteger a sociedade como um todo.
No Brasil, onde os números de suicídio e violência entre homens jovens são alarmantes, falar sobre saúde emocional e responsabilidades afetivas não é luxo — é urgência.
Se quisermos uma sociedade mais equilibrada, homens e mulheres precisam crescer juntos. Porque quando uma geração de homens se perde, todos perdemos.