Num mundo onde a mobilidade urbana enfrenta desafios e polêmicas, cada país responde de forma distinta. Enquanto o Brasil vê restrições ao uso de patinetes elétricos em locais públicos, a China toma um caminho oposto. Em Shenzhen, uma cidade de 17 milhões de habitantes, robôs autônomos já circulam pelo metrô ao lado dos passageiros e estão mudando a lógica das entregas urbanas.
Robôs que pegam metrô como qualquer passageiro
Desde 2023, Shenzhen — um dos maiores polos tecnológicos do mundo — autorizou o uso de 41 robôs da empresa VX Logistics para operarem dentro do sistema metroviário da cidade. Esses robôs foram projetados para entregar mercadorias a mais de 100 lojas de conveniência 7-Eleven localizadas dentro das estações.
Equipados com sensores LiDAR, visão 360º e processadores com inteligência artificial, eles navegam de forma totalmente autônoma. Conseguem carregar até 130 quilos e se adaptam com naturalidade ao fluxo de pessoas nas estações, atuando em horários de menor movimento.
Entregas mais eficientes no coração do transporte
O objetivo do projeto é otimizar a chamada “última milha” — a etapa final da entrega de mercadorias. No ambiente fechado do metrô, onde veículos não circulam, os robôs garantem que as lojas recebam seus produtos de forma eficiente e rápida. O impacto já é perceptível: funcionários afirmam que os entregadores humanos deixaram de carregar peso pelas escadas ou corredores.
A iniciativa não é apenas tecnológica: é também uma resposta prática aos desafios logísticos das grandes metrópoles — algo que grandes cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro também enfrentam diariamente.
Robôs simpáticos e bem recebidos pelos passageiros
Apesar da aparência futurista, os robôs exibem rostos animados em telas que interagem com os passageiros, despertando simpatia e curiosidade. Muitos usuários do metrô param para fotografá-los e observá-los em ação. Shenzhen abriga mais de mil empresas do setor de robótica, e pelo menos 18 são especializadas em robôs humanoides — mostrando que a convivência entre humanos e máquinas já faz parte da realidade local.
O futuro já chegou — só não foi igualmente distribuído
Enquanto a Europa e a América Latina discutem normas, riscos e proibições, a China testa e implementa. O metrô de Shenzhen é um laboratório vivo de inovação urbana. O que hoje parece inovação distante pode, em breve, se tornar padrão também em outras partes do mundo — inclusive no Brasil.