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Tecnologia

Esta fábrica chinesa foi projetada para produzir um robô humanoide a cada dez minutos

Uma nova fábrica chinesa foi projetada para produzir milhares de humanoides por ano. O detalhe mais curioso está justamente em quem circula pelos seus corredores.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine entrar em uma fábrica e encontrar máquinas transportando peças, abastecendo estações e movimentando componentes. Nada muito surpreendente em uma indústria moderna. Agora imagine que algumas dessas máquinas têm braços, pernas e aparência humana — e que aquilo que estão ajudando a produzir também tem a mesma forma. Na China, essa cena deixou de ser apenas uma ideia de ficção científica e começou a fazer parte de uma linha industrial real.

A fábrica que quer acelerar uma nova corrida

Em Liuzhou, no sul da China, a empresa UBTech colocou em funcionamento uma nova unidade industrial de 14 mil metros quadrados dedicada à produção de robôs humanoides.

A fábrica foi inaugurada em 12 de setembro e foi projetada para ultrapassar a capacidade de 10 mil robôs por ano. No ritmo planejado, isso significa que um humanoide poderia sair da linha de produção aproximadamente a cada dez minutos.

O número chama atenção, mas há uma ressalva importante: trata-se da capacidade e da cadência projetadas para a instalação, e não de uma demonstração de que a empresa já esteja mantendo esse volume durante um ano inteiro.

Ainda assim, a escala pretendida mostra uma mudança importante na estratégia da indústria. Durante anos, humanoides foram apresentados principalmente como protótipos capazes de caminhar, carregar objetos ou executar tarefas em demonstrações controladas.

Agora, o desafio é outro: fabricar essas máquinas em quantidade suficiente para que deixem de ser apenas demonstrações tecnológicas e passem a ser produtos industriais.

É nesse ponto que a fábrica chinesa ganha um detalhe quase cinematográfico.

Alguns dos trabalhadores também são humanoides

A expressão “robôs construindo robôs” precisa de uma pequena explicação. A fábrica não é totalmente autônoma, nem existem humanoides montando sozinhos cada componente de outro humanoide.

Boa parte do processo depende de braços robóticos, manipuladores, veículos autônomos, estações automatizadas e trabalhadores humanos.

Mas os próprios robôs da UBTech já participam diretamente da operação.

Modelos da linha Cruzr são utilizados para transportar materiais, descarregar e carregar componentes, organizar peças e abastecer diferentes pontos da fábrica. Depois, sistemas especializados assumem várias etapas do processo de montagem.

O produto final também não é simples. Um único humanoide pode reunir mais de 2 mil parafusos de diferentes especificações, além de motores, sensores, eletrônica, baterias, atuadores e outros componentes.

Depois da montagem, cada máquina passa por mais de quatro horas de testes. Uma inspeção visual de 360 graus também verifica o exterior do robô antes que ele deixe a linha.

O resultado se parece menos com uma fábrica completamente autônoma de ficção científica e mais com uma indústria altamente automatizada que está incorporando os próprios humanoides ao processo produtivo.

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© VCG

Até o estoque foi pensado para milhares de robôs

Produzir milhares de máquinas humanoides cria outro problema curioso: onde colocar tudo isso antes da entrega?

A UBTech afirma ter desenvolvido um sistema de armazenamento vertical automatizado capaz de acomodar 112 robôs em apenas 65 metros quadrados. Segundo a empresa, a solução aumenta em mais de 50% o aproveitamento do espaço em comparação com uma organização convencional.

Veículos guiados automaticamente e empilhadeiras sem condutor também conectam o estoque às diferentes áreas da fábrica.

A unidade foi concebida para produzir diferentes famílias de robôs. Os Walker S são humanoides bípedes voltados principalmente para aplicações industriais, incluindo manipulação, inspeção e logística. Já os Cruzr utilizam rodas e são direcionados a tarefas de serviço e movimentação.

É justamente essa combinação que cria a cena mais incomum da fábrica: máquinas já produzidas ajudam a movimentar os materiais necessários para produzir as próximas.

A aposta agora é transformar protótipos em produção em massa

O verdadeiro objetivo dessa instalação vai além da imagem de humanoides trabalhando entre outros robôs. A UBTech está tentando resolver um dos maiores desafios da robótica humanoide: sair das pequenas séries e chegar à fabricação em escala.

A China possui uma cadeia industrial particularmente ampla para componentes como motores, baterias, eletrônica, sensores, rolamentos e outros elementos necessários para esses sistemas. Essa infraestrutura pode ajudar a reduzir custos e aumentar a velocidade de produção.

Mas fabricar milhares de humanoides não significa automaticamente que haverá compradores para todos eles.

A indústria ainda precisa provar que existe demanda comercial suficiente para sustentar essa escala. Muitos projetos continuam em fases de testes, demonstrações ou programas-piloto.

Mesmo assim, a fábrica de Liuzhou representa uma mudança de foco. O desafio já não é apenas fazer um robô humanoide andar ou executar uma tarefa impressionante diante das câmeras.

É descobrir se ele pode ser produzido aos milhares — e, talvez de forma ainda mais simbólica, começar a trabalhar dentro da própria fábrica que produz seus futuros colegas.

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