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Estações de metrô estão ganhando “sobrenomes” de marcas conhecidas em São Paulo

A prática, que já alcançou dez estações, revela uma nova forma de parceria comercial e promete alterar a paisagem urbana — mas não sem regras e critérios rigorosos. Entenda por que esse movimento está crescendo e o que ele representa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, o metrô de São Paulo tem passado por uma transformação silenciosa, mas visível: a adoção de nomes de empresas em estações. Mais do que uma mudança estética, essa estratégia de naming rights envolve acordos comerciais, critérios específicos e impacto direto na experiência dos usuários. Agora, duas novas estações acabam de aderir ao modelo, elevando o total para dez na capital.

O avanço do naming rights nas estações paulistanas

Estações de metrô estão ganhando “sobrenomes” de marcas conhecidas em São Paulo
© Pexels

O modelo de nomear estações com o apoio de marcas começou oficialmente em 2021, com a renomeação da estação Carrão para Carrão – Assaí Atacadista. Desde então, essa prática ganhou força, com adesão de outras linhas e operadoras, como a ViaMobilidade e a ViaQuatro, que administram trechos privatizados do sistema ferroviário.

A mais recente adesão é da estação Adolfo Pinheiro, da Linha 5-Lilás, que passou a se chamar Adolfo Pinheiro – Unisa, após acordo com a Universidade Santo Amaro. Na mesma linha de ação, a estação Berrini, da Linha 9-Esmeralda, foi renomeada para Berrini – Casas Bahia. Ao todo, dez estações da cidade já adotaram o “sobrenome corporativo”.

Essa mudança não ocorre de forma aleatória. Cada proposta precisa ser aprovada pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo. A exigência principal é que o nome original da estação seja mantido, com a marca sendo adicionada como complemento, garantindo que a identificação da estação não se perca para os passageiros habituais.

Quais estações já mudaram de nome?

Veja a lista das dez estações que já adotaram nomes de empresas:

  • Saúde – Ultrafarma (Linha 1-Azul)
  • Carrão – Assaí Atacadista (Linha 3-Vermelha)
  • Penha – Lojas Besni (Linha 3-Vermelha)
  • Paulista – Pernambucanas (Linha 4-Amarela)
  • Jurubatuba – Senac (Linha 9-Esmeralda)
  • Morumbi – Claro (Linha 9-Esmeralda)
  • Lapa – Senac (Linha 8-Diamante)
  • Vergueiro – Sebrae (Linha 1-Azul)
  • Berrini – Casas Bahia (Linha 9-Esmeralda)
  • Adolfo Pinheiro – Unisa (Linha 5-Lilás)

Os contratos firmados com empresas nas linhas privatizadas duram geralmente cinco anos, podendo ou não ser renovados. No caso das linhas públicas, há possibilidade de renovação por até 20 anos, conforme o impacto e a aceitação do projeto.

O que está por trás dessas parcerias?

De acordo com João Pita, diretor comercial da Motiva (ViaMobilidade e ViaQuatro), o foco é buscar sinergia entre a empresa patrocinadora e o perfil da estação. O exemplo da Unisa é emblemático: com campus próximo à estação, a visibilidade oferecida pela mudança de nome se torna uma oportunidade de divulgação natural e relevante.

Além da visibilidade para as marcas, os recursos obtidos com os naming rights são reinvestidos nas próprias linhas. Isso inclui melhorias na sinalização, substituição de totens e painéis informativos e atualização dos mapas de transporte. Desde a implementação do modelo, já foram substituídos mais de 7 mil itens de comunicação visual e aproximadamente 250 elementos de sinalização nas estações afetadas.

A CPTM e o futuro das estações nomeadas

Diferentemente das linhas privatizadas e das operadas pelo Metrô, a CPTM ainda não possui nenhuma estação com nome de empresa. No entanto, em nota oficial, a companhia declarou estar aberta a futuras parcerias e já iniciou prospecção de mercado para avaliar oportunidades dentro das 57 estações sob sua responsabilidade.

Apesar disso, nem todas as marcas podem participar dessa estratégia. O Metrô proíbe a associação de nomes ligados a bebidas alcoólicas, tabaco, instituições político-partidárias, religiosas, casas de apostas, personalidades públicas ou referências geográficas que confundam os usuários.

O processo, embora envolva interesses comerciais, tem um ponto em comum: deve beneficiar também os passageiros. Há expectativa de que, futuramente, as parcerias avancem para além da mudança de nome e tragam melhorias tangíveis para as estações e serviços — algo que já está em debate entre as operadoras privadas.

Com mais nomes a caminho e negociações em andamento, o cenário indica que os naming rights vieram para ficar, abrindo espaço para novas formas de colaboração entre o setor público e privado — e transformando aos poucos a forma como os paulistanos se localizam no mapa urbano.

[Fonte: Isto é – Dinheiro]

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