O futuro da robótica parece mais próximo do que imaginávamos. Os Estados Unidos anunciaram um plano para produzir 100.000 robôs humanoides em apenas quatro anos, liderado pela Figure AI em parceria com uma empresa industrial ainda não revelada. O projeto une geopolítica, inteligência artificial e inovação tecnológica, buscando transformar tanto o mercado doméstico quanto a indústria pesada.
Uma parceria estratégica envolta em segredo
Brett Adcock, fundador e CEO da Figure AI, revelou a aliança via LinkedIn, sem divulgar o nome do parceiro industrial, apenas afirmando que se trata de uma das maiores empresas dos EUA. O objetivo é reduzir custos e acelerar o treinamento de inteligência artificial por meio de dados coletados em aplicações práticas.
A estratégia divide-se em duas frentes: mercado comercial, com robôs para logística e produção industrial, e mercado doméstico, com assistentes capazes de ajudar em mudanças, tarefas domésticas e até cuidados de saúde. O plano é crescer verticalmente, concentrando esforços em clientes estratégicos antes de expandir globalmente.

Humanoides que aprendem sozinhos
O progresso da Figure AI é notável. O protótipo inicial, Figure 01, lançado em 2024, caminhava a apenas 17% da velocidade média humana. Hoje, a segunda geração se desloca a 1,2 metros por segundo, próxima da velocidade humana.
O salto mais importante, porém, está na inteligência. Os robôs funcionam com redes neurais de ponta a ponta, aprendendo diretamente por IA. Adcock explica que “programar cada tarefa manualmente seria impossível; o caminho é o aprendizado contínuo”. Essa abordagem permite que os humanoides se adaptem a diferentes funções sem supervisão constante.
A sombra da concorrência chinesa
O anúncio americano surge em um momento de avanço chinês na mesma área. A empresa Zhiyuan Robotics planeja produzir 1.000 humanoides até o final do ano, enquanto os EUA multiplicam essa meta por cem. A corrida tecnológica global não se limita a chips ou algoritmos de IA, mas também se dá nos corpos físicos de metal e silício que podem ocupar fábricas e lares.
A pergunta deixou de ser se humanoides estarão presentes em nossas vidas, passando a ser quando isso ocorrerá. Com 100.000 robôs previstos, a fronteira entre ficção científica e realidade se aproxima, e a competição internacional será tão decisiva quanto a tecnologia que dará vida a essas máquinas.