O cenário mundial da inovação acaba de ganhar um novo capítulo: pela primeira vez, a China entrou no top 10 do Índice Global de Inovação (GII) 2025, publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). O avanço do país asiático levou a Alemanha para fora da lista dos dez primeiros, acendendo um alerta sobre a mudança de forças em um setor que dita o ritmo da economia do futuro.
Europa segue dominante, mas com mudanças no tabuleiro

Desde 2011, a Suíça mantém a liderança absoluta do ranking. Em 2025, ela aparece novamente em primeiro lugar, seguida por Suécia e Estados Unidos. Logo depois vêm Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Finlândia, Países Baixos e Dinamarca. O décimo lugar ficou com a China, deixando a Alemanha na 11ª posição, após ter ocupado a 9ª no ano anterior.
A lista reforça a força da Europa Ocidental, que mantém seis países entre os dez mais inovadores. No entanto, outras potências tradicionais, como França (13ª), Irlanda (18ª), Itália (28ª), Espanha (29ª) e Portugal (31ª), ficaram de fora do grupo de elite.
Emergentes em ascensão
O GII 2025 analisou 139 economias com base em 78 indicadores, incluindo número de patentes, investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), além de capital de risco. O estudo destacou o desempenho sólido de economias de renda média como China, Índia, Turquia e Vietnã, que continuam escalando no ranking.
Países africanos e asiáticos também chamaram a atenção: Senegal, Tunísia, Uzbequistão e Ruanda foram citados como exemplos de polos emergentes, capazes de desafiar o domínio das nações tradicionais nos próximos anos.
O freio nos investimentos
Apesar do progresso tecnológico, o relatório apontou que o ritmo de expansão dos investimentos em P&D desacelerou de forma significativa. O crescimento caiu para o nível mais baixo desde a crise financeira global, e os aportes de capital de risco ainda não se recuperaram da queda acentuada de 2023.
Esse cenário mostra que, embora a inovação continue acontecendo, há uma espécie de “pausa” nos recursos destinados a financiá-la — uma tendência que pode comprometer o ritmo de descobertas se persistir no médio prazo.
A corrida chinesa pela liderança

Um dos destaques do levantamento foi a posição da China como potência em ascensão. O país registrou, sozinho, cerca de um quarto de todas as solicitações internacionais de patentes em 2024, superando de longe outros competidores. Ao mesmo tempo, Alemanha e Estados Unidos apresentaram quedas nesse indicador-chave, sinalizando perda de fôlego.
Se a tendência se mantiver, a China poderá se consolidar como o maior investidor global em inovação nos próximos anos, reforçando sua ambição de liderar setores estratégicos como inteligência artificial, energia limpa e biotecnologia.
Tecnologias que seguem avançando
Mesmo com a desaceleração nos investimentos, o estudo reforça que a inovação não parou. Supercomputadores verdes quebraram recordes de eficiência energética, os preços das baterias caíram e aceleraram a transição para energia limpa, enquanto veículos elétricos, redes 5G e robótica se expandem — embora de maneira desigual entre regiões.
Outro destaque é o campo da saúde. O custo da leitura do genoma humano continua despencando, abrindo espaço para a medicina personalizada. Por outro lado, a aprovação de novos fármacos caiu cerca de 19%, refletindo a complexidade da inovação farmacêutica, mesmo em um cenário de avanços científicos.
A desaceleração por trás do progresso
No balanço geral, o GII 2025 conclui que a inovação tecnológica continua robusta, mas dá sinais de cansaço. Apesar da expansão da adoção tecnológica em todas as métricas, nenhuma delas atingiu o ritmo de crescimento de longo prazo. O resultado: um alerta de que o impulso da inovação está em fase de desaceleração, mesmo com conquistas importantes sendo registradas.
A China entrou pela primeira vez no top 10 do Índice Global de Inovação, empurrando a Alemanha para a 11ª posição. O relatório da ONU mostra avanços em inteligência artificial, energia limpa e biotecnologia, mas alerta para a desaceleração nos investimentos em P&D e capital de risco, que ameaça o ritmo do progresso.
[ Fonte: Euronews ]