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Ciência

Este hábito diário com o celular pode estar sobrecarregando uma parte essencial da sua mão

O celular mudou a forma como usamos as mãos, mas alguns movimentos repetidos podem estar revelando um problema que antes parecia distante para muita gente.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Abrir um pote, girar uma chave ou segurar uma xícara são gestos tão automáticos que raramente prestamos atenção a eles. Mas basta a base do polegar começar a doer para tarefas simples ganharem outra dimensão. O aumento do uso de smartphones, tablets e videogames trouxe novos padrões de movimentos repetitivos para as mãos — e especialistas vêm observando sinais que merecem atenção, especialmente entre pessoas mais jovens.

Quando um movimento simples começa a incomodar

A dor na base do polegar pode parecer inicialmente apenas um desconforto passageiro. Porém, quando ela aparece ao segurar objetos, abrir recipientes ou fazer movimentos de pinça, pode estar relacionada à rizartrose, uma forma de artrose que afeta a articulação trapézio-metacarpiana.

Essa articulação é essencial para praticamente tudo o que fazemos com o polegar. Conforme a cartilagem se desgasta, o atrito entre os ossos aumenta e podem surgir dor, inflamação, rigidez, perda de força e dificuldade para movimentar a região.

Tradicionalmente, a rizartrose é mais comum em mulheres entre 50 e 60 anos. O cenário, porém, chama atenção por outro motivo: especialistas em cirurgia da mão relatam cada vez mais problemas relacionados à sobrecarga do polegar em pessoas mais jovens.

Isso não significa que smartphones sejam responsáveis diretamente pelo surgimento da artrose. A doença envolve fatores como idade, predisposição individual e desgaste da articulação. O problema está na frequência e na repetição de determinados movimentos, que podem aumentar a carga sobre músculos, tendões e articulações.

Por isso, uma dor persistente na região não deve ser simplesmente atribuída ao excesso de mensagens ou horas de videogame. Ela pode ser um sinal de que a mão está sendo submetida a uma rotina para a qual não está conseguindo se recuperar adequadamente.

O celular colocou o polegar em uma rotina completamente diferente

Deslizar pela tela, digitar mensagens, jogar, segurar o aparelho durante longos períodos e realizar pequenos movimentos repetidos transformaram o polegar em uma espécie de ferramenta permanente.

O uso frequente desses dispositivos não provoca automaticamente rizartrose, mas determinadas posturas e movimentos contínuos podem favorecer sobrecargas e outras alterações musculoesqueléticas na mão e no punho.

Um exemplo é a tenossinovite de De Quervain, uma inflamação dos tendões localizados no lado do polegar do punho. Ela pode causar dor ao movimentar o dedo e também vem sendo observada em pessoas mais jovens.

O ponto importante é diferenciar desgaste articular de sobrecarga dos tendões. São problemas diferentes, embora possam compartilhar alguns fatores relacionados à repetição de movimentos.

Também não é necessário abandonar o celular ou deixar de jogar para proteger as mãos. O problema tende a estar mais relacionado ao uso prolongado, repetitivo e sem pausas do que a uma atividade isolada.

Variar os movimentos, fazer intervalos e evitar permanecer durante horas na mesma posição pode ajudar a reduzir a sobrecarga. E, principalmente, dor recorrente não deveria ser encarada como algo normal simplesmente porque faz parte da rotina digital.

Quando descansar já não é suficiente

Nos estágios iniciais, o tratamento costuma buscar o controle da dor e a redução da sobrecarga. Dependendo do caso, podem ser utilizadas medidas como imobilização temporária, medicamentos anti-inflamatórios quando indicados por um profissional e fisioterapia para preservar força e mobilidade.

A necessidade de cirurgia não é consequência automática de um diagnóstico de rizartrose. A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, do grau de comprometimento da articulação e do impacto do problema na vida cotidiana.

Quando as medidas conservadoras deixam de controlar a dor e o desgaste passa a limitar atividades importantes, existem opções cirúrgicas. Entre elas está a artroplastia trapézio-metacarpiana, procedimento que pode utilizar uma prótese para substituir a articulação deteriorada, buscando reduzir a dor e preservar a movimentação do polegar.

A principal lição, portanto, não é que o celular esteja destruindo as mãos. É mais simples — e talvez mais útil. O polegar passou a repetir determinados movimentos milhares de vezes ao longo do dia, enquanto muitas pessoas sequer percebem o esforço acumulado.

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