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Ciência

Estes são os cães mais propensos a ter diarreia, segundo a ciência

Um estudo com mais de dois milhões de cães no Reino Unido revelou quais raças têm maior risco de sofrer com diarreia e como esse problema, além de comum, costuma ser tratado de forma exagerada com antibióticos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Se você já teve um cachorro com diarreia, sabe que não é uma experiência exatamente tranquila. Agora, graças a um novo estudo da Royal Veterinary College do Reino Unido, temos dados concretos sobre quão comum esse problema é — e quais fatores podem torná-lo mais frequente em algumas raças.

Um em cada 12 cães vai ao veterinário por diarreia

Analisando registros de mais de dois milhões de cães atendidos em clínicas veterinárias em 2019, os pesquisadores estimaram que cerca de 8,18% dos cães — ou um em cada 12 — apresentam episódios de diarreia graves o suficiente para justificar uma consulta veterinária por ano. Algumas raças, no entanto, correm mais risco que outras.

Entre as mais afetadas estão:

  • Maltês

  • Poodle Miniatura

  • Cavapoo

  • Pastor Alemão

  • Yorkshire Terrier

Por outro lado, Jack Russell Terrier e Chihuahua se mostraram menos propensos ao problema. Cães com menos de três anos ou mais de nove também apresentaram maior incidência de diarreia, quando comparados a cães de meia-idade.

O que o estudo revela sobre a gravidade dos casos

Dos 1.835 casos aleatórios analisados em detalhes, cerca de um terço apresentava sangue nas fezes, sinal de problemas gastrointestinais mais sérios. Além disso, quase metade dos cães também vomitava, o que pode indicar infecções ou reações alimentares severas.

Ainda assim, a maioria dos episódios se resolve com relativa facilidade. Mais de 80% dos cães precisaram de apenas uma única visita ao veterinário. Ou seja, assim como acontece com humanos, a diarreia canina costuma ser desagradável, mas passageira.

Diagnóstico comum, tratamento exagerado

Um dos alertas mais importantes do estudo é o uso excessivo de antibióticos para tratar diarreia em cães. Embora diretrizes veterinárias há anos indiquem que casos leves ou moderados não devem ser tratados com antibióticos — já que o remédio não acelera a recuperação e ainda contribui para o aumento da resistência bacteriana — cerca de 40% dos casos analisados foram tratados com antibióticos.

“É preocupante ver esse nível de uso de antibióticos em um cenário onde as recomendações são claras quanto à restrição do seu uso”, escreveram os autores na publicação científica PLOS ONE.

Raças em risco e outros fatores

Embora o estudo não tenha investigado as causas genéticas de forma conclusiva, os pesquisadores sugerem que as raças com maior risco podem ter predisposição genética a problemas digestivos. Outro fator relevante foi o comportamento de ‘vasculhar’ e comer coisas do chão, o que aumenta significativamente o risco de infecções intestinais.

Segundo o professor Dan O’Neill, que liderou a pesquisa, “episódios de diarreia são comuns em cães e, embora possam ser intensos, a maioria se recupera em poucos dias com cuidados veterinários adequados. Não é motivo para pânico.”

O que fazer se seu cão tiver diarreia

Para a maioria dos casos, o ideal é evitar intervenções agressivas e recorrer a soluções simples:

  • Dieta leve com frango cozido e arroz branco

  • Muita hidratação

  • Observação por 48 a 72 horas

  • Consultar um veterinário se houver sangue, febre ou vômito contínuo

A mensagem principal do estudo é clara: diarreia em cães é comum, muitas vezes inofensiva, e não precisa ser tratada com antibióticos na maioria dos casos. Conhecer os sinais de alerta e agir com cautela é o melhor caminho para proteger a saúde intestinal do seu amigo de quatro patas.

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