O governo do Reino Unido acaba de lançar um dos maiores programas educacionais voltados à inteligência artificial já anunciados na Europa. Batizado de “TechFirst”, o plano tem como meta formar um milhão de estudantes do ensino médio em IA e novas tecnologias, preparando-os para os empregos que dominarão o mercado até 2035. A estratégia é tanto uma resposta à transformação digital em curso quanto um posicionamento geopolítico em meio à corrida global por talentos na área de tecnologia.
Formação em IA para jovens de todo o país

Anunciado oficialmente por Downing Street, o plano do governo britânico conta com um investimento de 187 milhões de libras (cerca de 220 milhões de euros) e será implementado em escolas secundárias de todas as regiões do país. A proposta é que, ao longo de três anos, até um milhão de estudantes recebam capacitação prática em inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.
Cada região do Reino Unido contará com um parceiro local responsável por adaptar e implementar o conteúdo nas escolas. Ao todo, 24 milhões de libras serão direcionadas especificamente para garantir a execução local do programa educacional.
“Estamos colocando o poder da IA nas mãos da próxima geração, para que ela possa moldar o futuro”, declarou o primeiro-ministro Keir Starmer. Segundo ele, o plano é também uma forma de combater desigualdades históricas. “Famílias como a minha têm sido deixadas para trás por muito tempo. Estou determinado a mudar isso”, afirmou.
Parcerias com gigantes da tecnologia
O projeto TechFirst será complementado por três outras frentes: o programa “TechGrad”, para bolsas universitárias; o “TechExpert”, voltado a estudantes de pós-graduação; e o “TechLocal”, destinado a pequenas e médias empresas regionais. Todas essas iniciativas contam com o apoio de empresas influentes do setor, como IBM, Microsoft, BAE Systems, QinetiQ e BT.
Starmer deve detalhar os planos durante um discurso de abertura da London Tech Week, o maior evento de tecnologia do país, que incluirá também um bate-papo com Jensen Huang, CEO da NVIDIA, uma das líderes mundiais em IA.
IA e o impacto no mercado de trabalho
O programa britânico surge em meio a projeções alarmantes sobre o impacto da IA no emprego global. De acordo com o relatório “The Future of Jobs 2023”, do Fórum Econômico Mundial, até 2027 serão extintos 83 milhões de empregos no mundo, embora 69 milhões novos sejam criados — um saldo negativo de 14 milhões de postos.
Cargos administrativos, operacionais e repetitivos, como operadores de dados e caixas, estão entre os mais vulneráveis à automação. Uma análise do Goldman Sachs vai além: estima que até 300 milhões de empregos de tempo integral podem ser afetados pela IA generativa, especialmente nos setores jurídico, financeiro, contábil e de atendimento ao cliente.
Ainda assim, surgem novas oportunidades. Profissões ligadas à tecnologia, como especialistas em IA, analistas de dados e desenvolvedores de software, estão entre as que mais crescerão nos próximos anos. O número de especialistas em inteligência artificial, por exemplo, deve dobrar nos próximos cinco anos.
Educação como resposta à disrupção tecnológica
Diante desse cenário, a requalificação da força de trabalho se tornou uma prioridade mundial. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já alertou que até 75% das tarefas em empregos administrativos poderão ser automatizadas. E embora o impacto inicial nos países em desenvolvimento deva ser menor devido à digitalização mais lenta, a OIT ressalta que políticas públicas robustas em educação e capacitação serão fundamentais para evitar o agravamento das desigualdades sociais.
Nesse contexto, o plano britânico não é apenas uma iniciativa educacional, mas uma aposta estratégica. Em uma economia cada vez mais baseada no conhecimento, os países que liderarem a formação em tecnologia terão vantagem competitiva e influência global. Como já disse Sam Altman, CEO da OpenAI: “A IA não vai substituir as pessoas, mas as pessoas que souberem usar IA substituirão as que não souberem.”
[ Fonte: Infobae ]