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Ciência

Estudo da USP encontra 21 substâncias tóxicas em brinquedos vendidos no Brasil

Pesquisa revela presença de metais pesados como chumbo, cádmio e alumínio em produtos infantis — e alerta para falhas graves na fiscalização.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Brinquedos que deveriam ser símbolo de diversão podem esconder um risco invisível e perigoso. Um estudo realizado por pesquisadores da USP revelou a presença de 21 substâncias tóxicas em brinquedos de fabricação nacional, incluindo metais pesados como chumbo, cádmio, bário e alumínio. Os resultados, publicados na revista Exposure and Health com apoio da Fapesp, acendem um alerta urgente sobre a segurança de produtos infantis no país.

Bário acima do limite em quase metade das amostras

Estudo da USP encontra 21 substâncias tóxicas em brinquedos vendidos no Brasil
© Pexels

A equipe analisou 70 brinquedos disponíveis no mercado brasileiro e descobriu que uma parte significativa não é segura para uso infantil. O caso mais grave envolveu a presença de bário em níveis acima do permitido em 44,3% das amostras — com concentrações até 15 vezes superiores ao limite considerado regular.

A exposição prolongada ao bário pode causar sérios danos à saúde, incluindo problemas renais, gastrintestinais e no sistema nervoso central. Isso é especialmente preocupante no caso de crianças pequenas, que têm maior sensibilidade a toxinas e costumam levar os brinquedos à boca.

Chumbo, crômio e antimônio também preocupam

Os pesquisadores também encontraram partículas de chumbo em 32,9% das amostras, com níveis quase quatro vezes superiores ao permitido. Segundo o Manual MSD, da Merck, a exposição elevada ao chumbo pode causar alterações de personalidade, dores de cabeça, perda de sensibilidade, fraqueza, sabor metálico na boca, dificuldades motoras e anemia.

Além disso, antimônio apareceu em 24,3% dos brinquedos, enquanto crômio, um elemento classificado como cancerígeno, foi detectado em 20% das amostras. O antimônio está ligado a sérios danos gastrintestinais, reforçando a gravidade da situação.

Testes simulam contato com a saliva das crianças

Para entender melhor os riscos reais, a equipe da USP foi além da análise laboratorial convencional. Os cientistas simularam a liberação de substâncias químicas a partir do contato dos brinquedos com a saliva, como acontece quando crianças os colocam na boca.

O resultado foi alarmante: foram encontrados 21 elementos com potencial tóxico, entre eles prata (Ag), alumínio (Al), arsênio (As), bário (Ba), cádmio (Cd), cobalto (Co), chumbo (Pb), mercúrio (Hg), níquel (Ni), antimônio (Sb) e urânio (U). A lista inclui metais pesados conhecidos por causar efeitos cumulativos no organismo.

Falta de controle e fiscalização rigorosa

“Esses dados revelam um cenário preocupante de contaminação múltipla e falta de controle. Sugerimos medidas mais rígidas de fiscalização, como análises laboratoriais regulares, rastreabilidade dos produtos e certificações mais exigentes, especialmente para itens importados”, afirma Bruno Alves Rocha, autor principal do estudo.

A pesquisa também encontrou correlações entre níquel, cobalto e manganês, indicando uma possível origem comum na fabricação. Brinquedos de cor bege apresentaram níveis mais altos de metais, possivelmente relacionados ao fornecedor da tinta — uma pista importante para futuras ações de fiscalização.

Os resultados da USP mostram que o problema vai além de casos isolados: trata-se de uma questão sistêmica de saúde pública. Para os pesquisadores, medidas urgentes são necessárias para proteger as crianças brasileiras de substâncias tóxicas presentes em produtos que deveriam ser seguros.

[Fonte: O Globo]

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