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Ciência

EUA aprovam satélite com espelho gigante que poderá refletir luz solar sobre a Terra durante a noite

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos autorizou o lançamento do Eärendil-1, um satélite experimental capaz de refletir a luz do Sol para regiões específicas da Terra durante a noite. O projeto promete aplicações em energia e emergências, mas desperta forte oposição da comunidade científica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os Estados Unidos deram sinal verde para um dos projetos espaciais mais controversos dos últimos anos. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) autorizou a startup Reflect Orbital a construir, lançar e operar o Eärendil-1, um satélite experimental equipado com um enorme espelho projetado para refletir a luz solar sobre áreas da Terra durante a noite.

A proposta busca demonstrar que é possível direcionar a luz do Sol para pontos específicos do planeta, ampliando o tempo de iluminação natural sem recorrer a fontes artificiais de energia. Embora a empresa destaque possíveis benefícios para geração de energia, operações de emergência e infraestrutura, astrônomos e ambientalistas alertam que a tecnologia pode transformar permanentemente o céu noturno.

Como funciona o satélite espelho

O Eärendil-1 será colocado em órbita baixa da Terra, a aproximadamente 625 quilômetros de altitude.

O satélite utilizará um refletor ultrafino com cerca de 18 metros de diâmetro para redirecionar a luz solar a regiões específicas da superfície terrestre. Segundo a Reflect Orbital, cada feixe poderá iluminar áreas com aproximadamente cinco a seis quilômetros de diâmetro durante curtos períodos.

O nome da missão faz referência a Eärendil, personagem criado por J. R. R. Tolkien e presente no universo de O Senhor dos Anéis.

O principal objetivo da missão é testar a eficiência do material refletivo e verificar se a tecnologia pode ser utilizada de forma controlada.

Empresa aposta em aplicações comerciais e de emergência

A Reflect Orbital afirma que a tecnologia poderá ser utilizada em diversas situações.

Entre as aplicações previstas estão o apoio a operações de busca e resgate, iluminação temporária durante desastres naturais, suporte a infraestruturas críticas em emergências, obras em regiões remotas e até a ampliação das horas de funcionamento de usinas solares, permitindo maior geração de energia mesmo após o pôr do sol.

Segundo a empresa, o lançamento do Eärendil-1 deverá ocorrer antes do fim deste ano.

Projeto prevê milhares de satélites no futuro

O satélite autorizado representa apenas a primeira etapa de um plano muito mais ambicioso.

A Reflect Orbital pretende colocar até 50 mil satélites semelhantes em operação até 2035. Caso a tecnologia funcione como esperado e obtenha novas autorizações regulatórias, ela poderá dar origem a um novo setor da indústria espacial.

Essa possibilidade preocupa parte da comunidade científica.

Tony Tyson, pesquisador da Universidade da Califórnia em Davis e cientista-chefe do Observatório Vera C. Rubin, questiona se será realmente possível controlar os reflexos com a precisão prometida pela empresa.

Astrônomos alertam para riscos ao céu noturno

Durante o processo de consulta pública, a FCC recebeu cerca de dois mil comentários contrários ao projeto.

Entre os principais críticos estão a American Astronomical Society, a DarkSky International, a Royal Astronomical Society e o Observatório Europeu do Sul.

Essas instituições afirmam que os observatórios terrestres já enfrentam dificuldades causadas pelas milhares de espaçonaves que orbitam o planeta. Satélites capazes de refletir intensamente a luz solar poderiam aumentar significativamente a poluição luminosa e prejudicar observações astronômicas.

Representantes do ESO chegaram a classificar esse tipo de tecnologia como uma “ameaça existencial” para a astronomia óptica.

Além disso, pesquisadores alertam para possíveis reflexos capazes de afetar pilotos de aeronaves, motoristas e espécies animais que dependem dos ciclos naturais de luz e escuridão.

FCC afirma que autorização vale apenas para um teste

Apesar das críticas, a FCC concluiu que a autorização concedida diz respeito exclusivamente a um satélite experimental.

Segundo o órgão regulador, a missão possui alcance limitado e servirá apenas para avaliar a viabilidade técnica do conceito e identificar possíveis desafios antes de qualquer expansão futura.

A agência também destacou que qualquer constelação comercial exigirá novos processos de licenciamento e análises regulatórias independentes.

Em relação às críticas da comunidade astronômica, a FCC afirmou que os possíveis impactos sobre observatórios não fazem parte dos critérios considerados para autorizar a missão.

Enquanto isso, a Reflect Orbital declarou que pretende trabalhar em conjunto com cientistas e comunidades potencialmente afetadas. A empresa afirma que a expansão do projeto dependerá da demonstração de que a luz refletida pode ser controlada com precisão, utilizada apenas quando necessário e adaptada caso as evidências científicas indiquem riscos superiores aos benefícios.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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