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Calor extremo muda o turismo na Ásia e impulsiona as “coolcations”

O aumento das temperaturas está transformando a forma como turistas escolhem seus destinos. Na Ásia, cresce a procura por regiões montanhosas e cidades de clima ameno, enquanto empresas de turismo adaptam roteiros e especialistas alertam que as mudanças climáticas já estão redesenhando o mapa global das viagens.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O calor extremo deixou de ser apenas um inconveniente para quem viaja. Em várias partes da Ásia, as altas temperaturas passaram a influenciar diretamente a escolha dos destinos, impulsionando uma tendência conhecida como coolcation — férias planejadas em locais mais frescos para escapar das ondas de calor.

A mudança de comportamento acompanha um cenário climático cada vez mais desafiador. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a Ásia está aquecendo cerca de duas vezes mais rápido que a média global, enquanto eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e intensos.

Turistas estão trocando grandes cidades por regiões mais frias

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© Unsplash/Ricardo

O professor Benjamin Wong, de Singapura, é um exemplo dessa mudança.

Acostumado ao clima quente e úmido de seu país, ele decidiu passar as férias de verão em Yunnan, no sudoeste da China, região conhecida por suas montanhas e temperaturas muito mais agradáveis.

Destinos como Dali e Lijiang registram noites próximas dos 15 °C durante o verão, um contraste significativo em relação a Singapura, onde as temperaturas costumam permanecer acima dos 27 °C mesmo durante a noite.

Para Wong, viajar milhares de quilômetros até a Europa deixou de ser garantia de clima ameno. Nos últimos anos, sucessivas ondas de calor também atingiram diversos países europeus.

O calor extremo está mudando o turismo mundial

Calor Extremo Muda O Turismo Na Ásia E Impulsiona As “coolcations”1
© Wolfgang Kaehler/LightRocket/Getty Images

Especialistas em turismo passaram a utilizar o termo coolcation para descrever viagens motivadas principalmente pela busca de temperaturas mais baixas.

A tendência ganhou força à medida que diversos destinos tradicionais enfrentam recordes de calor.

Na Europa, por exemplo, países como França, Espanha, Reino Unido e Suíça registraram temperaturas históricas recentemente. Em Paris, durante uma forte onda de calor, autoridades chegaram a recomendar que o tradicional festival Fête de la Musique suspendesse a venda de bebidas alcoólicas devido ao risco elevado de desidratação e insolação.

Na Ásia, a situação também preocupa.

O Japão, que bate recordes consecutivos de visitantes internacionais, também registrou temperaturas inéditas, alcançando 41,8 °C. Os cinco dias mais quentes da história do país ocorreram no verão passado, levando ao surgimento do termo japonês kokusho-bi, expressão utilizada para descrever um “dia de calor cruel”.

Empresas adaptam passeios para fugir das altas temperaturas

Como as férias escolares continuam concentrando milhões de turistas entre junho e agosto, operadores turísticos passaram a reorganizar seus roteiros.

Uma das principais estratégias é transferir atividades ao ar livre para o início da manhã ou para o período da noite.

A plataforma de experiências GetYourGuide informou à CNN Travel que ampliou significativamente sua oferta de passeios noturnos. Em cidades asiáticas, isso inclui visitas ao famoso santuário Fushimi Inari, em Kyoto, cruzeiros ao pôr do sol pelo rio Mekong, na Tailândia, e passeios noturnos por bairros históricos de Seul.

Segundo a empresa, as reservas para atividades realizadas entre 17h e 21h cresceram cerca de 30% globalmente. Na Ásia, esse aumento chegou a 70%.

Além disso, algumas atrações estão sendo adaptadas para ambientes climatizados. Aulas de culinária antes realizadas em mercados abertos passaram para espaços fechados, enquanto visitas a arenas de sumô vêm sendo reorganizadas para evitar os horários de maior calor.

Destinos frios ganham espaço entre os viajantes

O profissional de marketing Brian Yung, natural de Hong Kong, percebeu que vinha adotando o conceito de coolcation sem sequer conhecer o termo.

Nos últimos anos, ele escolheu países como Finlândia, Dinamarca e Canadá para suas férias. No Japão, deixou de priorizar grandes centros como Tóquio e Osaka e passou a visitar regiões montanhosas, como Yamagata.

Segundo ele, o objetivo é sempre o mesmo: escapar do calor intenso e da umidade.

Mudanças climáticas já redesenham o mapa do turismo

Para o pesquisador Raymond Rastegar, da Universidade Griffith, as mudanças climáticas estão alterando permanentemente os padrões de viagem.

Regiões como a Ilha Sul da Nova Zelândia, Mongólia, Cazaquistão, a ilha japonesa de Hokkaido e a Tasmânia vêm registrando crescimento no turismo justamente por oferecerem temperaturas mais amenas durante o verão do Hemisfério Norte.

A Mongólia, por exemplo, informou aumento de 33% no número de visitantes durante o primeiro semestre de 2026 e já investe na expansão da infraestrutura turística.

Já a Tasmânia registrou, em 2025, sua temporada de inverno mais movimentada da história.

O clima passou a fazer parte do planejamento das viagens

Apesar das oportunidades criadas para alguns destinos, especialistas alertam que a crescente instabilidade climática também aumenta os riscos para turistas e empresas do setor.

Temporadas de chuvas mais longas, mudanças na intensidade dos tufões, enchentes e incêndios florestais passaram a influenciar diretamente o funcionamento de hotéis, atrações turísticas e trilhas.

Segundo Rastegar, um dos maiores desafios é que muitos viajantes ainda desconhecem os riscos climáticos dos destinos que visitam.

Além disso, cresce o chamado “turismo de última chance”, motivado pelo desejo de conhecer lugares ameaçados pelas mudanças climáticas antes que eles sofram transformações irreversíveis. Entre os exemplos estão as Ilhas Maldivas e a Grande Barreira de Corais, dois dos destinos mais afetados pelo aumento das temperaturas e pela elevação do nível do mar.

Para os especialistas, uma conclusão já parece inevitável: o clima deixou de ser apenas um detalhe na escolha das férias e passou a ocupar um papel central no planejamento do turismo em todo o mundo.

 

[ Fonte: CNN ]

 

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