A corrida mundial por minerais críticos ganhou um novo protagonista. Estados Unidos e Paquistão assinaram um memorando que vai além do comércio: busca reposicionar cadeias de suprimento estratégicas, atrair investimentos e desafiar o domínio chinês na refinaria de recursos essenciais. Com reservas ricas em cobre, ouro e terras raras, Islamabad se projeta como peça-chave no tabuleiro energético do século XXI.
Os pilares do acordo
O memorando foi firmado entre a Organização de Obras de Fronteira (FWO), ligada ao Exército paquistanês, e a United States Strategic Metals (USSM), empresa sediada no estado de Missouri. O pacote de 500 milhões de dólares contempla duas frentes principais: exportação imediata de minerais como cobre, ouro, tungstênio, antimônio e terras raras; e a construção de uma refinaria polimetálica no Paquistão.
O projeto não apenas amplia a cooperação bilateral, mas também marca a entrada de Islamabad como fornecedor estratégico em um setor dominado por gigantes como China e Indonésia.
Uma jogada geopolítica decisiva
Os minerais críticos são o alicerce de baterias para veículos elétricos, imãs de turbinas eólicas, semicondutores e sistemas de defesa. Hoje, mais de 70% da capacidade global de refinaria de terras raras está nas mãos da China.
Com a nova instalação no Paquistão, Washington pretende diversificar suas fontes de suprimento e reduzir vulnerabilidades frente a tensões comerciais e políticas com Pequim. Desde 2022, os EUA vêm firmando parcerias semelhantes na África e América Latina, e agora expandem sua influência para o sul da Ásia.

O potencial paquistanês e os obstáculos internos
Apesar de possuir abundantes reservas minerais, o Paquistão ainda não conseguiu transformar esse patrimônio em desenvolvimento sólido. O setor representa apenas 3,2% do PIB e depende quase totalmente da exportação de matérias-primas brutas.
A refinaria planejada pela USSM promete agregar valor e transferir tecnologia, mas o desafio é enorme. O país enfrenta infraestrutura energética frágil, insegurança jurídica e conflitos sociais em regiões mineradoras como Baluchistão. Mesmo assim, o governo de Shehbaz Sharif aposta que o acordo pode reduzir a dependência de empréstimos externos e reposicionar Islamabad no cenário energético global.
O novo xadrez energético
Mais do que uma transação econômica, o acordo reflete a disputa por recursos que definirão o século XXI. Se o petróleo moldou a geopolítica do século passado, agora são o cobre, o lítio e as terras raras que ditam as regras da competição global.
A aliança entre Washington e Islamabad é apenas uma peça desse jogo em transformação. O futuro da transição energética dependerá não apenas de avanços tecnológicos, mas também de quem controlar os minerais que sustentam a revolução verde.