A competição tecnológica entre Estados Unidos e China acaba de ganhar um novo capítulo. A empresa de robótica Figure AI, fundada por Brett Adcock, anunciou um acordo com uma das maiores companhias americanas para a produção em massa de robôs humanoides. O plano é ousado: colocar em circulação até 100 mil unidades nos próximos quatro anos.
Uma corrida global pela robótica humanoide
A Figure é uma empresa de robótica com IA que está desenvolvendo o primeiro robô humanoide autônomo comercialmente viável do mundo. Hoje eles revelaram um teste desse robô dobrando roubas de maneira autônoma. Muito a melhorar ainda… mas eles estão aprendendo! pic.twitter.com/Uglcuxlg5b
— Explorador IA (@ExploradorIA_) August 12, 2025
A iniciativa responde diretamente aos avanços da China, onde a Zhiyuan Robotics já iniciou a fabricação de humanoides com a meta de entregar 1.000 até o fim deste ano. O projeto americano busca não só equilibrar forças, mas também projetar os EUA como líder no setor.
Segundo Adcock, a aliança estratégica vai permitir reduzir custos de produção e ampliar a coleta de dados para treinar inteligência artificial — um passo crucial para acelerar o aprendizado e a adaptação desses robôs em diferentes contextos.
Robôs para fábricas e para casa
A Figure AI aposta em dois mercados principais: o comercial, que inclui setores como manufatura e logística, e o doméstico, com foco em tarefas pesadas ou delicadas, como mudanças e até cuidados básicos de saúde.
No campo corporativo, a estratégia será crescer verticalmente dentro de poucos clientes de grande escala, em vez de diversificar desde o início. Já para os lares, a promessa é de robôs multifuncionais que podem, em teoria, revolucionar a forma como lidamos com tarefas diárias.
Da primeira à terceira geração em tempo recorde
A startup impressiona pela velocidade de desenvolvimento. Em apenas 31 meses desde sua criação, lançou o Figure 01. Depois veio o Figure 02, com melhorias substanciais, e a terceira geração já estaria em fase de testes em laboratório.
O salto mais evidente foi no desempenho de locomoção. Enquanto o primeiro modelo caminhava a apenas 17% da velocidade média humana, a versão atual já alcança 1,2 metro por segundo (3,68 km/h). A inteligência artificial é peça central nessa evolução.
“Na última semana, conseguimos rodar com sucesso uma rede neural de ponta a ponta em um caso de uso de um novo cliente. O aprendizado baseado em IA é o único caminho viável, já que seria impossível escrever heurísticas para todas as situações”, destacou Adcock em publicação no LinkedIn.
O futuro que se aproxima

A proposta de produzir 100 mil humanoides não é apenas uma demonstração de força industrial — é também uma tentativa de moldar o futuro do trabalho, do consumo e até da convivência humana com máquinas.
Se a meta se concretizar, veremos robôs presentes em fábricas, armazéns e casas em escala jamais vista, levantando questões sobre custo, acessibilidade, impacto no emprego e, claro, segurança em um mundo cada vez mais automatizado.
[ Fonte: AS ]