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Tecnologia

Ex-executiva da Meta processa empresa e diz que gigante da tecnologia tentou silenciá-la após lançamento de livro com denúncias

Uma ex-diretora de políticas públicas da Meta decidiu levar a empresa à Justiça nos Estados Unidos após acusá-la de tentar impedir a divulgação de seu livro de memórias. A ação judicial questiona a legalidade das medidas adotadas pela companhia e reacende o debate sobre liberdade de expressão, acordos de confidencialidade e o poder das grandes empresas de tecnologia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A disputa entre a Meta e a ex-executiva Sarah Wynn-Williams ganhou um novo capítulo nos Estados Unidos. Depois de publicar um livro relatando sua experiência dentro da empresa, a antiga diretora de políticas públicas globais do Facebook entrou com uma ação na Justiça federal da Califórnia, acusando a companhia de adotar estratégias para restringir sua liberdade de expressão. O caso coloca em discussão os limites dos acordos assinados por ex-funcionários e a utilização de processos privados de arbitragem por grandes empresas.

Ex-funcionária questiona medidas adotadas pela Meta

Meta Ia
© Shutterstock

A ação judicial, com 57 páginas, afirma que a Meta utilizou mecanismos legais para impedir que Sarah Wynn-Williams promovesse seu livro Careless People, lançado em março de 2025. Segundo a ex-executiva, a empresa conseguiu uma ordem provisória de arbitragem que limitava suas manifestações públicas, medida que ela considera incompatível com a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, responsável por proteger a liberdade de expressão.

Além do pedido de bloqueio da divulgação da obra, a ex-funcionária afirma que a empresa monitorou seus deslocamentos e suas aparições públicas como forma de pressão. Para a defesa de Wynn-Williams, essas ações tiveram como objetivo desencorajar tanto sua participação em eventos quanto futuras críticas à companhia.

No livro, a autora relata sua passagem pelo Facebook entre 2011 e 2017, período em que ocupou um cargo de liderança na área de políticas públicas globais. A obra reúne acusações sobre uma suposta cultura organizacional tóxica, além de episódios de assédio sexual e discriminação de gênero.

A Meta rejeita integralmente essas alegações. Em comunicado, a empresa afirma que o livro reúne acusações antigas já conhecidas e informações falsas envolvendo seus executivos, contestando a credibilidade do relato.

Disputa gira em torno de acordo assinado após demissão

Outro ponto central da disputa envolve o acordo firmado por Wynn-Williams quando deixou a empresa, em agosto de 2017. A Meta sustenta que a ex-funcionária violou cláusulas de arbitragem e de não difamação previstas no documento, aceitas em troca de uma indenização financeira.

A autora, entretanto, afirma que assinou o acordo em um momento de forte vulnerabilidade econômica. Segundo a ação, perder o emprego significava abrir mão de benefícios essenciais e comprometer sua estabilidade financeira, circunstâncias que, em sua avaliação, tornam o contrato juridicamente questionável.

Para reforçar seus argumentos, Wynn-Williams apresentou uma declaração de 285 páginas detalhando os acontecimentos que, segundo ela, ocorreram desde a publicação do livro.

Acusações incluem vigilância em eventos públicos

Entre os episódios descritos no processo está a suposta presença de representantes da Meta em eventos literários e palestras promovidas pela autora. Segundo a denúncia, funcionários da empresa registraram fotografias, anotaram seus deslocamentos e chegaram a solicitar a entrega de uma agenda com futuras aparições públicas.

A ação afirma ainda que, mesmo quando Wynn-Williams evitava mencionar a Meta ou discutir o conteúdo do livro, a companhia continuava buscando novas sanções perante o árbitro responsável pelo caso.

Um dos exemplos citados ocorreu durante o Festival Hay, realizado no País de Gales. Após receber orientação jurídica, a escritora optou por não comentar sua obra durante o evento. Ainda assim, segundo sua defesa, a Meta manteve as tentativas de responsabilizá-la.

Curiosamente, a repercussão acabou impulsionando as vendas de Careless People. Dados da editora Pan Macmillan indicam que, após o festival, as vendas do livro cresceram mais de 300% em apenas uma semana, ultrapassando 150 mil exemplares comercializados no Reino Unido desde o lançamento.

Caso reacende debate sobre liberdade de expressão

Zuckerberg Meta
© Photo by DREW ANGERER/AFP via Getty Images

Para os advogados de Sarah Wynn-Williams, o objetivo da Meta não seria apenas impedir a divulgação de seu livro, mas também enviar um recado a outros ex-funcionários que pretendam tornar públicas experiências internas consideradas sensíveis para a empresa.

A defesa também critica o uso da arbitragem privada, argumentando que esse tipo de procedimento ocorre sem julgamento público e sem análise judicial sobre a veracidade das alegações apresentadas.

A Meta, por outro lado, sustenta que a autora tenta transformar a disputa judicial em estratégia de divulgação comercial do livro. A empresa afirma que um árbitro já concluiu que Wynn-Williams descumpriu o acordo firmado ao deixar a companhia e reforça que continuará defendendo seus direitos nos tribunais.

O caso ainda está em andamento e pode estabelecer precedentes importantes sobre o alcance de cláusulas de confidencialidade, acordos de não difamação e os limites das empresas para controlar declarações públicas feitas por ex-funcionários.

 

[ Fonte: Infobae ]

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