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Tecnologia

Este hábito comum no calor pode danificar seu celular para sempre e o perigo começa antes do que parece

Altas temperaturas podem acelerar silenciosamente o desgaste da bateria do celular e, em situações extremas, criar um risco muito mais sério do que simplesmente perder autonomia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O celular acompanha praticamente tudo o que fazemos, inclusive nos dias mais quentes. Ele fica preso ao painel como GPS, carregando enquanto dirigimos ou esquecido dentro do carro por alguns minutos. O problema é que as baterias de íons de lítio não lidam bem com temperaturas elevadas. E existe um limite indicado pelos próprios fabricantes a partir do qual aquele calor aparentemente inofensivo pode começar a cobrar seu preço.

Existe uma temperatura que deveria acender o alerta

Este hábito comum no calor pode danificar seu celular para sempre e o perigo começa antes do que parece
© Pexels

Celulares modernos possuem sistemas capazes de reduzir o desempenho, interromper temporariamente o carregamento ou até exibir avisos quando detectam temperaturas excessivas.

Essas proteções existem por uma razão.

O jornalista especializado em tecnologia Toni Noguera alerta que o calor extremo está entre os principais inimigos das baterias de lítio presentes em smartphones, tablets e inúmeros outros dispositivos eletrônicos.

Fabricantes recomendam evitar o uso desses aparelhos em ambientes excessivamente quentes. Em muitos casos, 35 °C aparece como limite superior recomendado para a operação normal.

Isso não significa que o celular vá quebrar instantaneamente assim que o termômetro ultrapassar essa marca.

O problema é a exposição prolongada. Quanto maior a temperatura e o tempo submetido a ela, maior pode ser o impacto sobre os componentes internos, especialmente a bateria.

Diferentemente de uma descarga comum, que pode ser resolvida conectando o aparelho à tomada, parte da degradação química provocada pelo calor é permanente.

E existe um lugar onde essa temperatura pode ser ultrapassada com enorme facilidade.

Deixar o celular dentro do carro pode ser muito pior do que parece

Este hábito comum no calor pode danificar seu celular para sempre e o perigo começa antes do que parece
© Pexels

Um carro fechado sob o sol pode transformar rapidamente seu interior em um ambiente extremamente quente.

Mesmo quando a temperatura externa parece suportável, o habitáculo pode alcançar valores muito superiores aos registrados do lado de fora.

Por isso, deixar o smartphone no banco, no console ou preso ao painel enquanto o veículo permanece estacionado ao sol está longe de ser uma boa ideia.

Existe ainda uma situação particularmente comum: utilizar o celular como GPS.

O aparelho fica normalmente preso próximo ao para-brisa, recebendo radiação solar direta. Ao mesmo tempo, mantém a tela ligada, utiliza GPS, processador e conexão de dados continuamente.

Muitas pessoas ainda conectam o carregador durante o trajeto.

Essa combinação pode elevar consideravelmente a temperatura: calor externo, incidência direta do sol, componentes trabalhando continuamente e bateria sendo recarregada ao mesmo tempo.

Noguera alerta que esse conjunto cria condições especialmente desfavoráveis para a bateria.

Na maioria das vezes, o resultado será simplesmente aumento da temperatura e desgaste acelerado. Mas baterias de lítio também possuem um mecanismo de falha muito mais preocupante.

O fenômeno que pode transformar superaquecimento em incêndio

As baterias de íons de lítio armazenam uma grande quantidade de energia em pouco espaço e utilizam materiais que exigem controle cuidadoso de temperatura.

Em determinadas condições extremas, pode ocorrer aquilo que especialistas chamam de fuga térmica.

Trata-se de uma reação em cadeia na qual o aumento da temperatura acelera processos químicos internos que, por sua vez, produzem ainda mais calor.

Quando essa sequência não é interrompida, a bateria pode liberar gases, inchar, pegar fogo ou, em situações extremas, explodir.

Isso não significa que um smartphone exposto ao sol inevitavelmente sofrerá uma falha desse tipo. Celulares modernos possuem diferentes mecanismos de segurança justamente para reduzir esse risco.

Ainda assim, submeter deliberadamente uma bateria a temperaturas excessivas aumenta o estresse sobre um componente que naturalmente se degrada ao longo dos anos.

Por isso, evitar o superaquecimento também é uma forma de preservar a autonomia do aparelho a longo prazo.

Seu celular esquentou demais? Não cometa este erro

Ao perceber que o smartphone está muito quente, a primeira reação deve ser reduzir aquilo que está produzindo ou retendo calor.

Se possível, interrompa o carregamento, desligue aplicativos pesados e retire o aparelho da exposição direta ao sol.

Noguera também recomenda remover temporariamente a capa.

Capinhas mais grossas podem dificultar a dissipação do calor. Durante períodos muito quentes, uma proteção mais fina pode facilitar a troca térmica com o ambiente.

Mas existe algo que você não deveria fazer: tentar resfriar o celular bruscamente.

Colocá-lo na geladeira, aproximá-lo de gelo ou mergulhá-lo em água fria pode parecer uma solução eficiente, mas a mudança repentina de temperatura pode gerar novos problemas.

Um deles é a condensação de umidade no interior do aparelho. Mudanças térmicas bruscas também provocam expansão e contração de diferentes materiais, criando estresse desnecessário sobre componentes eletrônicos.

O ideal é deixar o celular esfriar gradualmente em um ambiente fresco, ventilado e protegido da luz solar.

Pequenas mudanças podem fazer a bateria durar mais

Evitar calor excessivo não serve apenas para reduzir um risco extremo. Também pode ajudar a preservar a vida útil da bateria.

Em dias muito quentes, vale evitar deixar o aparelho dentro do carro, principalmente estacionado sob o sol. Se estiver utilizando GPS, posicioná-lo longe da incidência solar direta pode ajudar.

Também é importante observar o carregamento. Se o celular já estiver excessivamente quente, continuar fornecendo energia pode acrescentar mais calor ao sistema.

Smartphones atuais foram projetados para enfrentar diferentes condições de uso e possuem proteções térmicas sofisticadas. Ainda assim, nenhum sistema consegue eliminar completamente as consequências de uma exposição intensa e prolongada.

A regra é relativamente simples: se o calor já está desconfortável para você, provavelmente também não é uma boa condição para a bateria do aparelho.

E aquele celular esquecido por algumas horas dentro de um carro fechado pode estar enfrentando temperaturas muito mais altas do que você imagina.

[Fonte: Clarin]

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