A EA parece pronta para deixar Dragon Age: The Veilguard para trás, menos de um ano após seu lançamento. O RPG atraiu 1,5 milhão de jogadores, metade do esperado pela empresa. Sem DLCs anunciados e com um desempenho abaixo das expectativas financeiras, a equipe do jogo foi dissolvida—alguns desenvolvedores foram transferidos para outros estúdios da EA, enquanto outros foram demitidos. Com isso, Dragon Age entra em um estado de incerteza semelhante ao que Mass Effect enfrentou há quase uma década.
A falta de apoio ao The Veilguard
A abordagem da EA ao tratar The Veilguard contrasta fortemente com sua postura em relação a outras franquias. Enquanto o jogo de fantasia sofreu represálias pelo baixo desempenho comercial, EA Sports FC 25—o verdadeiro fracasso do trimestre—não enfrentou as mesmas consequências. O CEO Andrew Wilson sugeriu que The Veilguard falhou por não conter elementos de serviço ao vivo. A BioWare conseguiu convencer a EA a manter o título como uma experiência exclusivamente single-player, mas a falta de suporte interno e de investimento comparável a outras franquias da empresa prejudicou seu desempenho.
O contexto histórico de Dragon Age
Comparado a seus antecessores, The Veilguard teve números medianos. Dragon Age: Origins vendeu 3,2 milhões de cópias em poucos meses, enquanto Dragon Age II alcançou 2 milhões rapidamente. O maior sucesso foi Dragon Age: Inquisition, que desde 2014 já vendeu 12 milhões de cópias, impulsionado por um lançamento próximo à nova geração de consoles e uma forte campanha de marketing. No entanto, a EA parece mais preocupada com receitas rápidas do que com o potencial de crescimento de jogos single-player ao longo do tempo.
A armadilha dos jogos como serviço
A decisão inicial de tornar The Veilguard um jogo de serviço ao vivo acabou prejudicando seu desenvolvimento. Esse modelo consome tempo e recursos, muitas vezes afastando o estúdio de sua verdadeira especialidade. Os fãs já haviam rejeitado tentativas similares, como a introdução do modo cooperativo em Mass Effect 3 e a fracassada aposta em Anthem, um título que prometia inovação, mas que ficou marcado pelo que poderia ter sido.
A busca incessante dos publishers por jogos multiplayer duradouros pode ser um tiro no pé. Enquanto títulos como Fortnite e GTA Online geram receita contínua, os jogos single-player oferecem algo mais valioso: confiabilidade. Jogos online vivem e morrem por mudanças pós-lançamento e pela fidelidade da base de jogadores. Se um desses pilares falha, o jogo se torna irrelevante. Exemplo disso são títulos como Marvel’s Avengers e Resident Evil Re:Verse, que foram rapidamente abandonados.
Por que a EA precisa da BioWare
A indústria precisa de jogos single-player, e a EA precisa do que a BioWare faz de melhor: contar histórias envolventes em universos cativantes. A tentativa da EA de entrar no mercado dominado por Call of Duty com Battlefield já demonstrou que desafiar gigantes estabelecidos é uma aposta arriscada. Permitir que a BioWare faça o que sabe de melhor—desenvolver narrativas profundas e experiências imersivas—é a melhor maneira de garantir o sucesso a longo prazo.
Mass Effect até pode incluir um modo multiplayer, pois sua experiência cooperativa foi bem recebida. No entanto, forçar esse modelo em franquias como Dragon Age prejudica sua identidade. O sucesso contínuo de estúdios como Larian e Capcom prova que apostar no que funciona e respeitar o DNA das franquias é o caminho certo.
Os jogos single-player continuam sendo relevantes, e a abordagem da EA em relação a Dragon Age: The Veilguard mostra que a empresa ainda luta para entender o valor desse formato. Em vez de buscar receitas rápidas com serviços online, permitir que a BioWare desenvolva jogos narrativos de alta qualidade pode garantir não apenas a longevidade de suas franquias, mas também o apoio contínuo de sua base de fãs.
Fonte: Gizmodo US