Quando The Matrix Resurrections chegou aos cinemas no fim de 2021, a recepção foi relativamente morna. O filme rapidamente passou pelos debates online e desapareceu do centro da cultura pop muito mais rápido do que os antigos capítulos da franquia.
Mas, nos bastidores, o verdadeiro impacto do longa estava apenas começando.
O lançamento simultâneo nos cinemas e na plataforma HBO Max acabou desencadeando uma disputa judicial multimilionária entre a Warner Bros. e sua parceira de produção, a Village Roadshow.
Agora, após anos de batalhas legais, recursos e arbitragens, a disputa terminou com uma vitória expressiva da Warner: a Village Roadshow foi condenada a pagar cerca de US$ 57 milhões ao estúdio.
O problema começou com a estratégia da pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, a Warner Bros. adotou uma estratégia extremamente controversa em Hollywood.
Em 2021, o estúdio decidiu lançar vários filmes simultaneamente nos cinemas e no HBO Max, tentando fortalecer sua plataforma de streaming enquanto as salas ainda enfrentavam baixa frequência de público.
A decisão afetou produções como Duna, Godzilla vs. Kong e também The Matrix Resurrections.
O problema é que muitos contratos de Hollywood ainda estavam estruturados pensando principalmente na bilheteria tradicional.
Segundo a Village Roadshow, o lançamento híbrido teria desvalorizado financeiramente a franquia Matrix ao reduzir o potencial comercial do filme nos cinemas.
A disputa envolvia muito mais do que Matrix
O conflito rapidamente escalou para algo muito maior.
Em 2022, Warner Bros. e Village Roadshow iniciaram uma série de arbitragens envolvendo não apenas Matrix, mas também outros projetos compartilhados entre as empresas.
Entre eles estavam franquias importantes como Wonka, Edge of Tomorrow, Joker e I Am Legend.
A Village alegava que vinha sendo excluída do financiamento de sequências, remakes e novos projetos ligados a propriedades que ajudou a desenvolver ao longo dos anos.
A Warner, por outro lado, argumentava que a produtora havia violado obrigações contratuais e tentou resolver a disputa através de arbitragens privadas.
A Warner saiu vencedora — e a Village entrou em crise
Ao longo dos últimos anos, as decisões judiciais e arbitrais passaram a favorecer progressivamente a Warner Bros.
Inicialmente, a Village Roadshow corria o risco de pagar cerca de US$ 125 milhões relacionados à participação de 50% em Matrix Resurrections. Mais tarde, parte desse valor foi reduzida após recursos judiciais.
Mesmo assim, o resultado final ainda representou um golpe enorme para a produtora.
Segundo informações divulgadas nesta semana, a Village acabou pagando aproximadamente US$ 57 milhões em indenizações à Warner.
A situação financeira da empresa já vinha se deteriorando, e em 2025 ela entrou oficialmente com pedido de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.
Posteriormente, sua biblioteca de produções foi vendida para a Alcon Entertainment, outra parceira histórica da Warner Bros.
O caso virou símbolo da guerra entre cinema e streaming
A disputa envolvendo Matrix acabou se tornando um dos exemplos mais emblemáticos da tensão criada em Hollywood durante a transição acelerada para o streaming.
Na época, diversos atores, diretores e produtoras criticaram os lançamentos simultâneos adotados pelos estúdios durante a pandemia.
O caso mais famoso foi o processo movido por Scarlett Johansson contra a Disney após o lançamento híbrido de Black Widow.
As discussões ajudaram a redefinir contratos em Hollywood, especialmente em relação à participação sobre receitas de streaming.
Matrix ainda continua vivo — mesmo sem os Wachowski
Apesar das polêmicas e da recepção dividida de Matrix Resurrections, a franquia continua avançando.
Em 2024, a Warner Bros. confirmou oficialmente o desenvolvimento de um quinto filme da saga.
O novo projeto será escrito e dirigido por Drew Goddard, conhecido por trabalhos como The Cabin in the Woods e The Martian.
Será a primeira produção principal da franquia sem as criadoras originais, Lana Wachowski e Lilly Wachowski, na direção.
Até o momento, nenhum integrante do elenco clássico foi oficialmente confirmado.
Mas, depois de anos de conflitos judiciais, uma coisa parece clara: mesmo fora das telas, Matrix continua sendo uma máquina gigantesca de dinheiro — e de disputas milionárias em Hollywood.