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Existe mais matemática em uma partida de futebol do que a maioria das pessoas imagina

Uma proposta inovadora usa o esporte mais popular do Brasil para aproximar estudantes da matemática. O resultado tem despertado interesse de professores e revela que os números estão muito mais presentes no futebol do que parece.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Para muitos estudantes, a matemática costuma ser uma das disciplinas mais difíceis da escola. Fórmulas, cálculos e conceitos abstratos frequentemente parecem distantes da realidade. Mas uma pesquisadora decidiu inverter essa lógica ao levar o conteúdo para um ambiente familiar e apaixonante: o campo de futebol. A iniciativa mostra que, por trás de cada passe, chute e bola rolando, existe um universo de conceitos matemáticos capaz de tornar o aprendizado muito mais envolvente.

Quando o futebol deixa de ser apenas esporte e vira ferramenta de aprendizagem

Existe mais matemática em uma partida de futebol do que a maioria das pessoas imagina
© pexels

A ideia nasceu da matemática e pesquisadora Marilina Carena, professora nas faculdades de Engenharia Química e de Engenharia e Ciências Hídricas da Universidad Nacional del Litoral e pesquisadora do CONICET.

Seu projeto foi reunido no livro La pelota siempre al 10, desenvolvido especialmente para professores do ensino médio. A obra apresenta mais de cem situações-problema que utilizam o futebol como ponto de partida para ensinar conteúdos matemáticos de maneira prática e contextualizada.

A proposta parte de um princípio simples: conectar a disciplina a um tema que já faz parte do cotidiano de muitos adolescentes. Em vez de apresentar apenas fórmulas abstratas, os exercícios utilizam situações inspiradas no esporte para explicar conceitos de geometria, estatística, probabilidade e raciocínio lógico.

Segundo a pesquisadora, quando os alunos percebem que a matemática aparece naturalmente em algo que conhecem e acompanham, a resistência diminui. O conteúdo deixa de parecer distante e passa a fazer sentido dentro da realidade deles.

A iniciativa também conquistou professores, que encontraram no material uma alternativa para diversificar as aulas e aumentar o interesse da turma por uma disciplina frequentemente vista como difícil.

Geometria, estatística e até a bola escondem cálculos importantes

Quem pensa que a matemática aparece apenas no placar de uma partida pode se surpreender. O próprio campo de futebol oferece inúmeros exemplos de conceitos matemáticos em ação.

A geometria está presente nas dimensões do gramado, nos ângulos dos chutes, no posicionamento dos jogadores e na trajetória da bola. Já a estatística é utilizada para analisar desempenho, posse de bola, número de passes, finalizações e inúmeras outras informações que hoje fazem parte do futebol profissional.

Mas um dos exemplos mais curiosos envolve justamente o principal elemento do jogo: a bola.

Marilina Carena destaca que, para ser utilizada em competições oficiais, uma bola precisa atender a rigorosos padrões de qualidade definidos pela FIFA. Embora um dos testes avalie os materiais utilizados na fabricação, os demais dependem diretamente de medições e critérios matemáticos.

Entre os aspectos analisados estão a circunferência, o peso, a esfericidade, a altura do quique, a perda de pressão, a absorção de água e a deformação da bola após diferentes testes. Somente os modelos que permanecem dentro dos limites estabelecidos pela entidade recebem aprovação para uso em torneios oficiais.

Um teste simples mostra como a matemática influencia até partidas disputadas na chuva

Existe mais matemática em uma partida de futebol do que a maioria das pessoas imagina
© pexels

Um dos ensaios mais interessantes mede a capacidade de absorção de água da bola, característica fundamental para manter o desempenho durante jogos realizados sob chuva intensa.

Nesse procedimento, a bola é mergulhada em um recipiente com água e submetida repetidamente à compressão por meio de um pistão pneumático. O ciclo é repetido 250 vezes para simular condições extremas de uso.

Em seguida, a superfície é seca rapidamente e a bola volta a ser pesada. A diferença entre o peso inicial e o final permite calcular quanto de água foi absorvido.

O resultado é expresso em porcentagem e não pode ultrapassar 10% do peso original. Caso esse limite seja excedido, o modelo não atende aos critérios técnicos definidos pela FIFA.

Esse é apenas um dos diversos exemplos apresentados pela pesquisadora para mostrar que a matemática está presente muito além da sala de aula. Ao relacionar cálculos com situações concretas e temas que despertam interesse nos jovens, a proposta transforma a disciplina em algo mais próximo da realidade.

No fim das contas, o futebol deixa de ser apenas entretenimento para se tornar um laboratório cheio de números, medições e desafios. Uma estratégia que mostra que aprender matemática pode ser tão envolvente quanto acompanhar uma grande partida.

[Fonte: unl]

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