Dentro de campo, a Copa do Mundo de 2026 segue entregando emoção, gols e surpresas. Fora dele, porém, um assunto voltou a ocupar espaço entre torcedores e especialistas. A divulgação da remuneração de Gianni Infantino, presidente da FIFA, colocou novamente a entidade no centro de um debate antigo: quanto deve ganhar o dirigente da organização mais poderosa do futebol e até onde bônus milionários são justificáveis?
Quanto Gianni Infantino recebe para comandar a FIFA

Os números divulgados pela FIFA revelam que Gianni Infantino recebe uma remuneração anual próxima de US$ 6 milhões. Embora seu salário fixo tenha permanecido inalterado, foi justamente outro componente do pacote financeiro que despertou uma nova onda de críticas durante o Mundial.
De acordo com as informações oficiais, o dirigente recebe um salário-base de US$ 3,3 milhões por ano. O valor é complementado por bônus relacionados ao desempenho e às metas da entidade, mecanismo comum entre executivos de grandes organizações esportivas internacionais.
Foi justamente essa parcela variável que registrou um crescimento significativo. Em 2025, o bônus anual aumentou cerca de US$ 695 mil, uma alta de aproximadamente 33% em relação aos anos anteriores. Com isso, os incentivos pagos ao presidente passaram a somar cerca de US$ 2,78 milhões.
Nos dois anos anteriores, as bonificações giravam em torno de US$ 2 milhões anuais. O aumento elevou a remuneração total de Infantino para um patamar próximo de US$ 6 milhões por ano, valor que rapidamente voltou a alimentar discussões entre torcedores, dirigentes e analistas do esporte.
Outro aspecto que continua cercado de dúvidas envolve possíveis benefícios adicionais. Até o momento, a FIFA não informou oficialmente se o presidente recebe compensações relacionadas à manutenção de suas residências na Suíça e no estado da Flórida, nos Estados Unidos, tema que também costuma aparecer nas discussões sobre transparência administrativa.
Como Infantino chegou ao cargo mais poderoso do futebol mundial
Muito antes de assumir a presidência da FIFA, Gianni Infantino construiu praticamente toda a sua carreira na UEFA, entidade responsável pelo futebol europeu.
Sua trajetória começou em 2000. Ao longo dos anos, ocupou diferentes cargos ligados às áreas jurídica e administrativa, passando pela direção de Assuntos Legais, pela Divisão de Licenciamento de Clubes e, posteriormente, pela vice-secretaria-geral.
Em 2009, tornou-se secretário-geral da UEFA, posição que ampliou sua influência no futebol internacional. Durante esse período, participou diretamente de importantes mudanças nas competições europeias.
Entre as medidas mais conhecidas estão a ampliação da Eurocopa para 24 seleções e a criação da UEFA Nations League, torneio que reformulou parte do calendário internacional e alterou a dinâmica das datas reservadas às seleções nacionais.
Em 2016, após a crise institucional que atingiu a FIFA, Infantino foi eleito presidente da entidade máxima do futebol e passou a comandar uma organização responsável por 211 associações nacionais filiadas.
As mudanças na FIFA e o apoio político que fortalece sua gestão
Desde que assumiu o comando da FIFA, Infantino liderou algumas das maiores transformações recentes no futebol internacional.
Sob sua administração foram realizados os Mundiais da Rússia, em 2018, do Catar, em 2022, e a atual Copa do Mundo de 2026, organizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
Uma das decisões mais marcantes de sua gestão foi a ampliação do número de participantes do Mundial de seleções, que passou de 32 para 48 equipes. Os defensores da mudança argumentam que ela amplia as oportunidades para países que raramente conseguiam disputar o torneio. Já os críticos afirmam que o novo formato pode reduzir o equilíbrio técnico da competição e aumentar o desgaste físico dos jogadores.
No campo político, Infantino também consolidou uma posição confortável. Reeleito sem adversários nos congressos da FIFA realizados em 2019 e 2023, o dirigente aparece novamente como favorito para disputar um novo mandato em 2027.
Grande parte desse respaldo vem da relação construída com federações nacionais, especialmente dos continentes africano e asiático, que representam parcela significativa das 211 associações com direito a voto.
Especialistas apontam que os investimentos financeiros destinados pela FIFA ao desenvolvimento de federações menores ajudaram a fortalecer esse apoio institucional, fator considerado decisivo para a estabilidade política da atual administração.
Os elogios e as críticas que acompanham a presidência de Infantino
Apesar dos resultados financeiros positivos alcançados pela FIFA nos últimos anos, a gestão de Gianni Infantino continua cercada de controvérsias.
Entre as críticas mais frequentes estão o elevado valor de sua remuneração, algumas decisões administrativas adotadas pela entidade e sua proximidade com líderes políticos internacionais, como Vladimir Putin e Donald Trump.
Para defensores da atual gestão, os resultados econômicos obtidos pela FIFA e a expansão das competições justificam uma remuneração compatível com o tamanho da organização. Já os críticos afirmam que cifras milionárias como essas reforçam a necessidade de ampliar os mecanismos de transparência e prestação de contas da entidade.
Com a Copa do Mundo de 2026 funcionando como vitrine global do futebol, a divulgação do pacote salarial de Infantino voltou a colocar em evidência uma discussão que vai além das quatro linhas: qual deve ser o limite entre o sucesso financeiro de uma organização esportiva e a remuneração de seus principais dirigentes?
[Fonte: El día]