Pular para o conteúdo
Ciência

Fazer xixi sentado ou em pé? Cientistas testaram as duas posições e descobriram algo surpreendente

Um experimento com homens saudáveis investigou se a posição ao urinar realmente influencia o funcionamento da bexiga. Os resultados desafiam algumas crenças populares sobre esse hábito.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Uma dúvida aparentemente simples divide opiniões há gerações: homens deveriam urinar sentados ou em pé? Enquanto alguns defendem a posição tradicional, outros acreditam que sentar pode trazer benefícios para a próstata e facilitar o esvaziamento da bexiga. Agora, pesquisadores decidiram investigar a questão cientificamente, medindo o fluxo urinário de voluntários nas duas posições. Os resultados revelam que a resposta depende de um detalhe importante: a saúde do sistema urinário.

Cientistas colocaram 52 homens à prova para resolver a questão

Fazer xixi sentado ou em pé? Cientistas testaram as duas posições e descobriram algo surpreendente
© Pexels

Pesquisadores do Grupo Colombiano de Pesquisa em Urologia realizaram um experimento para descobrir se a posição corporal realmente interfere na maneira como os homens urinam.

O estudo, publicado em outubro de 2026 na revista científica Neurourology and Urodynamics, envolveu 52 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 39 anos.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro urinou inicialmente sentado e depois em pé. O segundo realizou o procedimento na ordem inversa.

Entre as avaliações, os pesquisadores estabeleceram um intervalo mínimo de 24 horas para reduzir possíveis interferências entre as medições.

Durante o experimento, foram analisados três indicadores fundamentais: a velocidade máxima do fluxo urinário, o volume total de urina eliminado e o tempo necessário para atingir o fluxo máximo.

Esse modelo de pesquisa, conhecido como estudo cruzado randomizado, permite comparar diferentes condições utilizando os mesmos participantes.

O objetivo era esclarecer uma dúvida que estudos anteriores ainda não haviam conseguido resolver completamente.

O resultado surpreendeu: a diferença foi muito menor do que se imaginava

Os resultados indicaram que, entre homens jovens e saudáveis, urinar sentado ou em pé não produziu diferenças estatisticamente significativas na velocidade máxima do fluxo urinário ou na quantidade de urina eliminada.

A única diferença relevante apareceu no tempo necessário para atingir a velocidade máxima.

Quando urinavam em pé, os participantes demoravam, em média, aproximadamente 3,3 segundos a mais para alcançar o pico do fluxo.

Embora a diferença tenha sido estatisticamente significativa, os próprios pesquisadores consideraram improvável que ela tenha importância clínica.

Além disso, parte do resultado foi influenciada por um único participante com valores atípicos.

O estudo científico publicado em outubro de 2026 também apresenta uma ressalva importante: a amostra não foi suficiente para demonstrar formalmente que as duas posições são equivalentes.

Portanto, a conclusão não é que sentar e ficar em pé produzam resultados absolutamente idênticos, mas que o experimento não encontrou diferenças relevantes nos principais indicadores avaliados.

Para homens saudáveis, isso sugere que a escolha pode depender principalmente do conforto e das preferências pessoais.

Mas existe uma situação em que urinar sentado pode ser melhor

Embora a posição pareça fazer pouca diferença entre homens saudáveis, a situação pode mudar quando existem problemas urinários.

Uma revisão científica publicada em 2014 na revista PLOS ONE analisou 11 estudos sobre a influência da postura durante a micção.

Os pesquisadores descobriram que homens com sintomas do trato urinário inferior apresentavam menor volume de urina residual na bexiga quando urinavam sentados.

A redução média foi de aproximadamente 25 mililitros em comparação com a posição em pé.

Esse resultado pode ser especialmente relevante para pessoas com aumento benigno da próstata, condição comum com o envelhecimento.

Quando a próstata aumenta de tamanho, pode comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina. Entre os sintomas estão jato fraco, dificuldade para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto e necessidade frequente de ir ao banheiro.

Sentar pode favorecer uma postura mais relaxada e facilitar o processo em determinados pacientes.

Entretanto, isso não significa que a posição sentada seja um tratamento para problemas prostáticos. Os benefícios variam conforme a condição de saúde, e sintomas persistentes precisam de avaliação médica.

A higiene também entra nessa discussão

Além dos possíveis efeitos fisiológicos, existe outro aspecto que influencia a escolha: a limpeza do banheiro.

Urinar em pé pode produzir respingos que atingem o vaso sanitário e superfícies próximas, mesmo quando o jato é direcionado corretamente.

Sentar reduz esse problema, tornando a posição uma alternativa prática em banheiros compartilhados.

Entretanto, a preferência também envolve fatores culturais.

Uma pesquisa internacional divulgada em 2023 mostrou diferenças expressivas entre países. Nos Estados Unidos, aproximadamente 10% dos homens entrevistados disseram urinar sempre sentados, enquanto na Alemanha essa proporção chegava a cerca de 40%.

Essas diferenças mostram que o hábito não depende apenas da anatomia ou da saúde, mas também de costumes familiares e normas sociais.

Afinal, qual é a posição mais saudável para os homens?

A revisão científica sobre postura e esvaziamento da bexiga reforça que não existe uma recomendação universal aplicável a todos os homens.

Para indivíduos saudáveis, as evidências disponíveis não demonstram uma vantagem clínica consistente de uma posição sobre a outra.

Já para aqueles que apresentam dificuldade para urinar, especialmente associada ao aumento da próstata, sentar pode ajudar a reduzir a quantidade de urina que permanece na bexiga.

O novo experimento também apresenta limitações. Além de envolver apenas 52 participantes, concentrou-se em homens jovens e não mediu diretamente a quantidade de urina residual após a micção.

Por isso, seus resultados não devem ser automaticamente aplicados a homens mais velhos ou com doenças urológicas.

A principal conclusão é que um hábito frequentemente cercado de opiniões e preconceitos não precisa seguir uma regra rígida.

Se não existem sintomas urinários, conforto e higiene podem orientar a escolha. Mas dificuldade para urinar, dor, sangue na urina ou sensação persistente de bexiga cheia são sinais que merecem atenção médica, independentemente da posição adotada.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados