O governo federal avalia uma mudança que pode transformar a forma de tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A ideia de acabar com a obrigatoriedade das autoescolas divide opiniões: enquanto alguns enxergam economia e agilidade, especialistas em trânsito alertam para riscos sérios na segurança viária e para impactos sociais consideráveis.
Uma proposta polêmica em estudo
O Ministério dos Transportes propôs que os cursos teóricos e as aulas práticas deixem de ser obrigatórios para novos condutores, tornando-os apenas opcionais. A medida ainda aguarda análise da Casa Civil e, se aprovada, permitiria que candidatos à CNH realizassem o exame sem passar pelo treinamento formal em autoescolas.
Para a advogada Fernanda Zucare, especialista em direito de trânsito, a mudança representa um retrocesso. Em declarações à CNN Brasil, ela destaca que, sem formação adequada, motoristas iniciantes podem não desenvolver habilidades essenciais para enfrentar o tráfego urbano, especialmente em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.
Impactos econômicos e sociais

O principal argumento do governo é a redução de custos, facilitando o acesso à primeira habilitação. No entanto, a medida traria reflexos econômicos imediatos para o setor de autoescolas, com risco de fechamento em massa e desemprego de instrutores e funcionários.
Além disso, há receio de que a mudança acentue desigualdades: apenas candidatos com maior poder aquisitivo poderiam buscar treinamentos privados de qualidade, enquanto outros poderiam tentar a habilitação sem a preparação adequada. Zucare reforça que não há evidências de que a dispensa das aulas torne motoristas melhores ou mais conscientes. Pelo contrário, a probabilidade de acidentes poderia crescer.
Segurança em xeque
Um dos pontos mais preocupantes é a ausência de diretrizes claras sobre como seriam feitas as práticas de direção sem supervisão de uma autoescola. Não se sabe onde os candidatos treinariam, quem poderia atuar como instrutor e quais regras garantiriam a segurança durante o aprendizado.
Especialistas também alertam para o efeito dominó: se a medida avançar para motoristas de automóveis, poderia abrir precedentes para flexibilizações em outras categorias, como motociclistas e caminhoneiros, elevando ainda mais os riscos nas estradas.
Entre economia e segurança
A discussão sobre o fim da obrigatoriedade das autoescolas expõe o desafio de equilibrar economia e segurança. Embora a proposta possa reduzir custos e burocracia, a formação de motoristas é um pilar da prevenção de acidentes. Para especialistas, qualquer mudança deve ser acompanhada de estudos técnicos e medidas que garantam a segurança de todos nas vias públicas.
[ Fonte: CNN Brasil ]