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Ciência

Foguete chinês explode em teste, mas país segue na corrida para rivalizar a SpaceX

A China tentou, pela primeira vez, pousar um foguete orbital reutilizável — e terminou com uma explosão. Mas, ao contrário do que parece, o teste do Zhuque-3 foi celebrado como avanço tecnológico e marcou mais um capítulo da disputa pelo mercado espacial dominado pela SpaceX. A seguir, entenda por que esse “fracasso” é visto como progresso e como ele se encaixa na corrida global pela próxima geração de lançadores.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O voo do Zhuque-3 e a explosão na aterrissagem

O foguete Zhuque-3, da empresa chinesa LandSpace, decolou do Centro de Lançamento de Jiuquan, no Deserto de Gobi, em seu primeiro voo orbital. Com 66 metros de altura, estrutura inteira em aço inox e motores movidos a metano e oxigênio líquido, ele conseguiu colocar seu segundo estágio descartável em órbita — o objetivo primário da missão.

A parte crítica viria depois. Durante a reentrada, o primeiro estágio perdeu um motor na queima de pouso, pegou fogo e explodiu a poucos metros da área prevista. A LandSpace afirmou que houve “uma anomalia na aproximação”, mas garantiu que ninguém ficou em risco. A causa ainda está sob investigação.

Mesmo assim, a empresa classificou o voo como bem-sucedido: os sistemas de navegação, controle de potência dos motores e estabilidade do veículo funcionaram como esperado na maior parte do trajeto.

Por que isso importa na corrida espacial

Foguete chinês explode em teste, mas país segue na corrida para rivalizar a SpaceX
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O modelo da SpaceX — voos frequentes, recuperação confiável e custos reduzidos — virou padrão do setor. Desde 2015, a empresa de Elon Musk acumula centenas de pousos e relançamentos do Falcon 9 e seus boosters do Falcon Heavy. A China quer repetir esse modelo para ganhar competitividade e autonomia no mercado.

Hoje, três foguetes reutilizáveis chineses estão prontos para tentar o feito histórico:

  • Zhuque-3 (LandSpace)
  • Long March 12A (Academia Espacial de Xangai)
  • Tianlong-3 (Space Pioneer)

Todos foram pensados para missões comerciais, constelações de internet e redução de custos — um mercado que cresce ano a ano.

O plano do Zhuque-3 incluía uma reentrada guiada com grid fins, desaceleração por queimas programadas e pouso sobre quatro pernas retráteis. A sequência é parecida com a do Falcon 9, mas com engenharia totalmente chinesa: algoritmos, motores, materiais e sistemas criados do zero pelo país.

Um passo atrás, dois à frente

Foguete chinês explode em teste, mas país segue na corrida para rivalizar a SpaceX
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A campanha de testes do Zhuque-3 foi intensa. Em 2024, o foguete fez um voo atmosférico de 10 km com religamento de motor e vários testes estáticos longos. O desempenho do veículo dá confiança à LandSpace para tentar novamente — e com forte incentivo: o primeiro pouso orbital chinês será um marco nacional.

A disputa não é só tecnológica. Há rivalidade interna entre gigantes estatais e startups privadas, cada uma tentando conquistar contratos governamentais e espaço no mercado global.

Musk provoca, e a China planeja seu “Starship”

Nas redes sociais, Elon Musk comentou que mesmo com um pouso perfeito, a China levaria “muitos anos” para alcançar a SpaceX — não pelo pouso em si, mas pela repetibilidade, algo que a empresa americana levou quase uma década para dominar.

A LandSpace, porém, já mira mais alto. A empresa trabalha no Zhuque-X, um megafoguete projetado para rivalizar com o Starship: mais carga, mais empuxo, mais ambição. O motor Lanyan-20, peça central do projeto, já passou por dezenas de ignições.

Mas o caminho é longo — ainda faltam anos até que o Zhuque-X tenha maturidade para um voo orbital.

Mesmo com a explosão, a China deixou claro que a era dos foguetes reutilizáveis não é mais exclusividade da SpaceX. A pergunta agora é quando — e não se — algum desses veículos vai pousar com sucesso e mudar o equilíbrio do mercado espacial.

[Fonte: Olhar digital]

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